All posts by Lillian Maciel

Modelo e corredora de montanha. Muito mais que um hobby, uma paixão pelo esporte, desafio e natureza.

XC RUN Búzios – Em busca de desafios by Kele Veras

Tudo começou em 2015, num jantar e na véspera de prova (Asics 21k) com amigas cariocas me convidaram para participar da prova em Búzios.

Na ocasião, estava me preparando para a primeira Maratona e a XC Run Búzios seria logo após. Fiquei um pouco receosa por conta da proximidade, mas acabei aceitando o desafio.

No primeiro ano fiz os dois primeiros trechos. Foi uma experiência incrível e tão empolgante que resolvi retornar no ano seguinte para fazer os temidos terceiro e quarto trecho.

E repetindo a saga do ano anterior… preparação para uma nova Maratona e Búzios… o que eu não esperava era a mudança de data da prova (devido ao Enem), que aproximou a duas num espaço de 15 dias.

Como amo desafios, fui para Búzios com as amigas em busca de desafios. Não tinha a menor ideia do percurso, sabia apenas que era mais difícil do que os primeiros trechos.

Fiquei na transição aguardando minha dupla que chegou por volta das 10 horas. Estava bem animada e aliviada, porque estava nublado e uma temperatura agradável… assim comecei minha jornada de  21k, ainda dolorida da Maratona, mas empolgada com o que estava por vir.

Mas não imaginava que seria tão “hard”,  o começo já teve uma subida sem fim, olhava para cima e pensava, “gente isso não vai acabar mais?!?”… lembro que brincava com os corredores que estavam próximos, dizendo: Gente eu pedi para subir na vida, mas não precisava ser tanto…kkkkk

A prova foi intensa do começo ao fim, passei por trilhas fechadas, tive que ser equilibrista para passar pelos arames farpados do caminho. Alguns trechos com lama que abraçaram o meu lindo par de tênis…rsrs Mas não foi por muito tempo, já que no trecho seguinte, tive que passar pela areia e água até os joelhos.

Chegando no km 18, acreditando que tivesse passado por tudo…mas não foi bem isso, lembro que saímos da areia, passamos por algumas pedras e saímos num corredor, percebi que havia fila…pensei: Será que aconteceu algo? Até porque não tem subidas?!?  Bem, quando vi um muro e uma corda, pensei: a prova acabou pra mim…kkk estava tão cansada que não conseguiria subir. Já pensei nas pessoas empurrando a porpeta aqui… foi tão engraçado e ao mesmo tempo desesperador…mas no final consegui um apoio com um staff da prova… Ufa!! Essa tinha sido por pouco… mas no final consegui finalizar mesmo com uma subida e areia fofa no final.

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Quanto à hidratação, um ponto a melhorar e observação aos organizadores, acredito que deveria ter mais pontos numa prova deste grau de dificuldades e clima quente do RJ. Até porque os 1,5l de água que levei não foram suficientes.

Mas tirando a deficiência na hidratação a prova foi linda. Paisagens de tirar o fôlego e que valeram a pena sair do asfalto.

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De 140kg a 75km – Maresias x Bertioga by Eduardo Lima

Aos 30 anos, sofria de pressão alta, sentia dores no corpo e dormia mal. O sedentarismo e a alimentação desregrada haviam me deixado com 140kg em meus 1,80 metros, resultando em obesidade mórbida. Insatisfeito com a vida que levava, em dezembro de 2011 decidi mudar radicalmente.

No início de 2012, incentivado pelo meu irmão, comecei a caminhar. Aos poucos, a alimentação foi melhorando e os treinos evoluíram para a corrida. Em junho do ano seguinte, comecei a fazer musculação, meses depois procurei orientação profissional e acelerei ainda mais a perda de peso.

Na academia existia um grupo de corrida, comecei a fazer parte deste grupo e posteriormente me convidaram para correr uma prova em Bertioga, uma prova de revezamento a qual me apaixonaria… Enfim, em 2014 conheci a Ultramaratona de Revezamento Bertioga Maresias participando pela primeira vez em um grupo de 8 corredores misto.

Minha 2ª participação foi em maio 2015, dessa vez em um grupo de 6 corredores misto, mas decidido a encarar essa prova sozinho, o que muitos diziam ser uma loucura. Loucura essa que decidi encarar na segunda etapa do ano.

Treinando com uma equipe de corrida e um treinador orientando. Foram meses de preparação focada e finalmente encarei o SOLO na minha 3ª participação na BM. Nesta etapa a prova iria de Bertioga para Maresias. O dia foi perfeito, corri com uma alegria no coração e um instinto de invencibilidade que superaram todas as metas previstas, fechando minha primeira participação com o tempo de 7h e 40min em 29º colocado.

Na minha 4ª participação, fui de apoio, conheci o outro lado da prova, os bastidores e a logística envolvida para apoiar os corredores, uma experiência gratificante.

Então veio a 5ª participação, decidi fazer novamente um SOLO, e recebi a notícia de que o sentido seria invertido e correríamos de Maresias a Bertioga. Durante a preparação tive alguns contratempos que não me permitiram treinar o suficiente como gostaria, mas estávamos lá na largada prontos para mais esse desafio.

Eu corri com uma equipe de apoio, 2 pessoas e 1 carro, que levam de tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, nada me faltaria na prova. A Organização decidiu mudar a sistemática da largada que antes era de 30 em 30 minutos para cada largada entre as modalidades, dessa vez juntou os SOLOs e o Trios e 15 minutos após, as demais equipes.

Inicialmente, isso não atrapalhou a largada dos SOLOs, o dia estava chuvoso e fomos presenteados com o tempo nublado, chuvoso e coberto para o sol não fritar os corredores rsrs, porém, vieram os contratempos. Logo na parte inicial da prova, para sair da praia de Maresias e acessar a serra de Maresias, tínhamos que passar por um corredor que somente passava um corredor por vez, e não teve jeito, isso gerou fila e confusão entre os corredores, mas nesse eu passei bem, pois estava entre os primeiros ainda.

A tão desafiadora Serra de Maresias, quando se corre no sentido Maresias / Bertioga, é mais curta a subida e em minha opinião mais fácil, fechei esse trecho muito bem e assim fui para o segundo e o terceiro onde, mesmo sendo trechos com nível de dificuldade alto, pude passar forte e com um tempo abaixo do que previa.

Endorfina na pele durante o percurso.
Endorfina na pele durante o percurso.

Ao final do terceiro trecho, meu tênis estava cheio de areia, pois esse ano o tempo estava chuvoso há dias, e o mar comeu uma parte da praia, deixando um pequeno espaço de areia fofa e ruas cheias de lama, então parei para trocar o tênis e fazer uma alimentação.

Ao entrar no quarto trecho, o maior da prova com 14,2k, comecei a ter dores muito forte no peito do pé esquerdo, e tentando superar a dor e não perder tempo, mantive o ritmo ao final deste trecho estava difícil demais correr. A equipe de apoio tentou de todas as formas ajudar com spray para dor, gelo e tudo mais, e tive que aumentar as reposições de alimentação e hidratação, pois comecei a demorar mais para atravessar cada km.

No quinto trecho mantive a concentração e tentei de todas as formas não pensar na dor, tendo um aumento no esforço físico causando um gasto maior de energia, onde tomei cápsula de sal, coca cola e comi uva, isso me deu um novo ânimo na prova e logo finalizei o trecho.

No sexto e o sétimo trecho, o peito do pé direito começou a doer também, então, já com os dois doendo, tive que baixar um pouco mais o ritmo, e no quinto em especial, tivemos que passar por uma trilha, onde não conseguimos parar em pé andando, correr era muito difícil, pura lama e esburacada, mas passei sem grandes problemas.

E enfim o último trecho, 10,8k onde não conseguia mais correr constante devido as dores, tinha fôlego, tinha uma musculatura boa ainda, mas as dores no peito do pé eram grandes, comecei a revezar correndo e andando e assim fui até a chegada.

Equipe de apoio na ativa
Equipe de apoio na ativa

A chegada é algo inexplicável, a sensação de concluir uma prova de 75k é maravilhosa, como da primeira vez, não agüentei a emoção e cai no choro, vem na cabeça tudo que passei na vida, e tudo que superei e abri mão para me preparar para esse momento, a felicidade entra no peito e a vontade de gritar “eu consegui” sai em gestos e lágrimas, tive que ajoelhar ali na linha de chegada e agradecer a Deus, aos apoios, a equipe de treino e aos amigos, ali agradeci e enfrentei a quase impossível tarefa de levantar sozinho naquele momento para então buscar a tão sonhada medalha do Ultramaratonista… aquela que vem escrita “Solo”.

Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.
Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.

Apesar das mudanças feitas pela organização juntando as largadas, deixando o percurso e os pontos de transição mal sinalizados, fazendo com que as equipes ficassem emboladas e até perdessem o tempo certo de troca dos atletas, causando trânsitos nos pontos na estrada, o que não aconteceu nas versões anteriores, sou suspeito em falar, porque acredito que as dificuldade são para todos e o que me leva as provas são as dificuldades, são elas que tornam a conquista da medalha um momento especial.

Dos 45 kg perdidos ao longo das corridas nesses anos e os mais de 6.000 mil quilômetros em distancias de 5km, 10km, 16km, 21km, 42km e 75km. Costumo dizer que quem manda é a cabeça, basta querer e persistir, afinal, nunca imaginei que sairia do sofá, e iria dos 140 kg a 75km e ainda pretendo ir muito além, carregar aquele número vermelho ao longo da prova, e ser saudado e reverenciado por todos os envolvidos na prova, que sempre incentivam “vai SOLO”, “força monstro”, “SOLO é pra poucos” não tem preço.

Eu voltarei em maio novamente para mais um desafio, saio dessa versão com o aprendizado de que… se preparar cada dia mais é necessário, mas principalmente se preparar para os imprevistos, porque correr 75k nunca será igual. Convido a todos para conhecerem essa prova que sou apaixonado e digo… bora bora se desafiar, sair da zona de conforto e para com o “mimimi” e regar as nossas vidas de “uauuu”, hoje posso dizer eu sou SOLO 75k e nos vemos na próxima etapa.

 

Eduardo Lima

#menosmimimimaisuauuu

#eduardolimaultra

#de140kga75k

E a sua mente, te ajuda ou atrapalha?

A nossa mente tem um grande poder sobre nós; e se você ainda não acredita nisso, comece a observar!

Comecei a correr porque buscava bem estar emocional, já que o meu na época na estava lá assim tão bom. E segundo uma amiga, a corrida já tinha ajudado ela em uma situação muito semelhante, então embarquei na dela e em sua companhia comecei meus treinos.

De fato a atividade física me fez muito bem na época e até hoje faz! Mas me lembro muito bem, que quando me sentia triste, queria sair para correr porque sabia que quando terminasse meu treino eu estaria me sentindo melhor… Como uma terapia.. Quando você fala e sai aliviado, e olha que eu sei muito bem como é isso! (Risos)

Às vezes fico mais observadora a respeito de como minha mente está na corrida, durante treinos e provas. Porque sei que sem nos darmos conta acabamos influenciados por pensamentos não tão motivadores.

Sei que a mente tem um papel muito importante quando se trata de esporte/superação, afinal do que adianta estar bem fisicamente se a sua mente não ajudar.

Nos treinos que fiz para o Desafio das Serras no qual corri em dupla, aprendi certas coisas.. Outras ainda estou aprendendo. Foi nesses treinos que comecei a mudar meus pensamentos principalmente quando estava em uma subida… a não desistir de chegar no topo correndo. Paciência, essa é a palavra!!

Também tive treino no qual foi intenso e a vontade de vomitar era grande, devido ao esforço. Subidas na qual antes não fazia correndo, estava lá eu fazendo, e não foi uma vez só não, foram várias vezes no mesmo treino. E o que treinei mais do que o corpo fi a minha cabeça, para não me deixar parar.

Há dias que fui treinar não tão afim e no final foi um dos melhores treinos, detalhe que isso sempre acontece.

Assim como nossos pensamentos podem nos levar longe, podem nos fazer parar no meio do caminho. Estou aprendendo a ter minha cabeça a meu favor, e cada treino que consigo fazer algo a mais é uma alegria e satisfação imensa.

E você está treinando a sua mente?

Desafio das Serras 80k – “Completa no quesito montanha” by Julio Fagundes

Atualmente existem vários meios de procurar provas e um site que eu utilizo para para buscar provas é o adventuremag.com e por meio deste elaboro meu calendário onde procuro realizar 2 provas longas por semestre, optei pelo Desafio por ser uma prova com percurso desafiador e ao mesmo tempo muito bonito, pela distância, altimetria acumulada e por ser uma prova de estágio o que faz com que todos os treinos e estratégias sejam diferente de uma prova longa normal.

O primeiro dia atendeu todas expectativas, com mais de 2500 m de altimetria acumulada, um primeiro down hill que fluiu perfeitamente, um segundo muito desafiador e perigoso mas que consegui finalizar sem nenhum acidente e o estradão que teve uma ajuda da chuva para refrescar no final . A alimentação e hidratação funcionaram bem assim como nos treinos onde eu consumi (1cap de sal+1 cap de BCAA) mais 1 rapadura nas horas impares e (1cap de sal+1 cap de BCAA )  mais 1 Gel nas horas pares. Finalizei o primeiro dia com 6:39h.

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Chegando no acampamento fiz um pouco de gelo rs* (entrei em um caixa d´agua bem gelada) e fiz massagem que acredito que ajudaram bastante para o segundo dia, a refeição estava boa mas acredito que aqueles que chegaram um pouco mais tarde não tiveram a mesma impressão pois alguns itens acabaram.

Dormi bem e acordei tranquilo para tomar um belo café da manhã e largar tranquilo no segundo dia de prova que esperava ser mais rápido e realmente foi, onde consegui manter o pace planejado nas retas, e nas subidas que não foram poucas como eu imaginava, eu acabei andando mas nada que interferi-se o planejado, com exceção de umas abelhas que picaram vários atletas inclusive eu e acabei por parar para ajudar um atleta e também tomar um antialérgico para não ter problemas, por minha sorte nada aconteceu e finalizei o segundo dia com 4:14, com uma sensação maravilhosa de dever comprido e realização por sentir que os treinos funcionaram, que tive um bom aproveitamento durante a prova e finalizei com um tempo muito melhor que eu imaginava.

Gostaria de ressaltar os treinos da Pace pois é a primeira vez nestes 5 anos que corro onde estou planilhando e já senti um resultado. Mudei fazem 2 meses para SP, no início tive receio com relação aos meus treinos mas a um pouco mais de um mês comecei a fazer um funcional excelente na Gaff Studio com apoio do professor Fábio Rocha que acredito também já ter me ajudado e com certeza ambos treinos serão de grande valia para as minhas próximas provas.

Para finalizar o Desafio foi um excelente prova com boa organização e completa no quesito MONTANHA e é uma prova que vale a pena fazer parte do calendário dos amantes do trailrun.

Mizuno Uphill: A trajetória de uma grande conquista – by Rodrigo Falcão

Foram 396 dias de espera, entre o momento da pré inscrição até o dia da Maratona, durante o período, vários acontecimentos e sensações como ansiedade, fatalidade, incertezas, fisioterapias, recuperação e treinos, nortearam minha caminhada até a conquista do objetivo, a Uphill Mizuno Marathon Serra do Rio do Rastro.

Imponente, Serra do Rio do Rastro
Imponente, Serra do Rio do Rastro

Em maio de 2015, tomei conhecimento da prova através de amigos que mostraram o famoso vídeo do Sapo (Propaganda da Uphill de 2014), ao assistir, de forma instantânea instigou minha vontade em participar da prova.

Ao abrir a pré inscrição da prova, uma grande amiga realizou a minha inscrição, porém ainda ocorreria o sorteio.

Nos meses de junho e julho comecei a treinar longas distâncias com o intuito de ganhar resistência e rodagem, porém no dia 13/07, ao treinar em um avenida de SJC, fui atropelado e conduzido ao hospital.

Alguns dias depois, ao retornar ao médico, e verificar minha ressonância, ele constatou que meu menisco estava esmagado e tinha afetado um pouco da cartilagem, informou ainda, que eu nunca mais iria correr uma prova longa. Ao sair da clínica chateado e com raiva, recebo a informação que estava entre os corredores sorteados a participar da prova. Era um sinal !

Após mais de uma centena de sessões de fisioterapia, onde o vídeo da prova me acompanhou diariamente, motivando e incentivando a acreditar no objetivo; sendo acompanhado por uma assessoria de corrida, onde profissionais direcionam o melhor caminho através de treinamentos específicos, cheguei preparado para participar da prova.

Na véspera da prova, diversos aspirantes a ninja runners se encontraram no aeroporto de Congonhas-SP, com destino a cidade de Juaguaruna-SC. Antes da decolagem, fomos muito bem recebidos na aeronave e os atletas estavam super empolgados.

Ao chegar na cidade, encontramos pessoas acolhedoras, amigas e dispostas a nos ajudar da melhor forma. Em Treviso, durante a retirada do kit, encontramos um ginásio com uma grande estrutura, tudo bem organizado, contendo produtos da Mizuno, local para massagem (sem filas) e muita comida (lanches, biscoitos, bolos, café e sucos) a disposição dos atletas.

No dia da prova, após uma boa noite de sono e almoçando mais cedo em Lauro Muller, tendo em vista que a largada da Maratona ocorre as 15hs, partimos para Treviso no aguardo da largada.

Antes da largada em Treviso
Antes da largada em Treviso

Antes da largada, a organização surpreendeu os atletas com uma apresentação japonesa com os tradicionais tambores da cultura japonesa e escutamos o famoso áudio do sapo; logo não teve como não lembrar da trajetória, dos familiares e amigos, das mensagens e segurar as lágrimas na largada.

Durante a prova, as pessoas das cidades nos motivavam, principalmente as crianças.Ao chegarmos ao Paredão da Serra do Rio do Rastro, confesso que ao olhar, a danada assusta e logo São Pedro tratou de nos mandar aquele dilúvio para abençoar nossa subida.

Rodrigo durante a subida da Serra
Rodrigo durante a subida da Serra

Por fim, os 42k viraram 44k e as dores no corpo e o cansaço quase atrapalham a nossa conclusão, porém nada iria tirar o gosto da nossa conquista!