All posts by Victor Luckaschek

27 anos, de Jacareí-SP, publicitário e corredor de montanha. O que começou como um hobby, hoje virou paixão e quase um estilo de vida. "Respeite a montanha e ela te deixará voltar"

Eu e a Montanha – Último trecho.

Todos a postos a espera da contagem para a largada do segundo dia, o tempo estava bom, um pouco nublado mas com o sol querendo aparecer, ao meu ver perfeito para o segundo trecho, que praticamente seria em estrada de terra com mais descidas rumo a São Francisco Xavier.

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Largada 2º dia.

Com receio das cãibras voltarem planejei largar mais contido e sentir como meu corpo reagia, afinal seriam mais 20km de prova. Foi dada a largada e logo os ponteiros foram abrindo muito rapidamente, eu sempre acabo me empolgando e saindo mais forte, porem procurei seguir o planejado e me conter nos primeiros quilômetros, fui colocando um ritmo mais forte porem constante e o corpo respondendo muito bem,  com isso pude passar alguns atletas e seguir avançando, minha meta para o segundo dia era terminar em menos de 2 horas e entre os top 20 novamente.

O tempo foi abrindo e o calor só aumentava, tentei me refrescar molhando a nuca e a cabeça, mas mesmo assim estava ficando mas lento, não tenho o costume de tirar a camisa em prova, mas vendo que o tempo estava estabilizado, não tive duvidas e tirei, um alivio imediato, só de sentir o vento já me sentia melhor e o bom ritmo voltou, e a descida parecia não ter fim, foram praticamente 11km de descidas, quando cheguei em uma das poucas partes planas as pernas até bambearam um pouco, mas logo tudo se normalizou.

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Sol castigando.

Próximo ao quilometro 13 começava a subir, e era uma subida de respeito, começava na estrada e depois continuava no pasto, o visual era muito bonito, a trilha era descampada e o sol continuava castigando, não tinha muita dificuldade o terreno, mas devido o desgaste da descida e o calor ela parecia terrível, para ajudar cruzamos alguns trechos com água o que ajudou a refrescar e até cruzamos com algumas vacas no pasto, mas pareciam nem ligar para nós.

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Fim da subida, trecho rumo a São Francisco Xavier.

Após o termino da subida, o staff me indica a direção, a partir daquele ponto seria mais descida até a cidade, volto a imprimir um bom ritmo, o corpo responde bem, a paisagem ajuda, foram alguns quilômetros correndo a margem de um rio, o som das águas e da natureza deram um toque a mais na prova, depois de passar mais alguns atletas já tenho a cidade no visual,  entrei na parte mais urbana da prova na qual teríamos que dividir espaço com os carros mas por poucos metros, mas tudo estava bem sinalizado e com staff para dar apoio, já conseguia ouvir o locutor, faltavam poucos metros, o sorriso toma conta do rosto e ai foi so faltava cruzar a linha de chegada.

Consigo bater minha meta e fecho o segundo dia com 1:54 e consigo manter a 20 posição geral dos 40k solo, e o  melhor sem cãibras, tive um principio mas logo parou, realmente fazer uma prova de 2 dias é bem diferente, alem da parte física e mental tem a parte estratégica e de planejamento.

Uma experiencia unica e muito gratificante, recomendo a todos que pelo menos uma vez busquem provas deste tipo, eu adorei e ano que vem volto para os 80k.

 

Eu e a Montanha – Acampamento.

Após cruzar o pórtico, recebo o incentivo da galera que estava a espera dos atletas, e depois desabo no chão, por mim ficaria ali um bom tempo descansando, mas é de extrema importância se hidratadar  após a prova, e já tratei te tomar água e comer algumas frutas que estavam a nossa espera.

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Era a minha primeira experiência em acampar junto a uma prova de trail, a fazenda na qual estávamos tinha um visual incrível aos pés da montanha e lagos, chalés, refeitório, uma ótima estrutura, depois de conhecer um pouco de onde estava já procurei a tão sonhada banheira de gele para poder fazer uma imersão e tentar melhorar a dor nas pernas, e nem de gelo precisamos, a água do lago estava muito gelada, tínhamos a opção de ir nele ou ir uns tanques de água correntes, fui no lago pois estava mais perto e onde tinha alguns atletas, fiquei ali por 15 mim, sai renovado, sem contar que a interação entre nos atletas é super bacana e logo fazemos amizades e as historias e relatos não param mais.

Já um pouco recuperado me dirijo a organização para fazer a retirada da minha mala e ir até a minha barraca, os acampamentos estavam bem divididos e organizados, por sorte ou azar fico no mais afastado, e carregar a mala depois de prova não foi uma tarefa muito agradável, após me organizar, tomo um banho em um dos chalés que estavam a nossa disposição e era banho quente, logo depois passo pela massagem e vou até o refeitório aguardar a chegada dos atletas e comer um pouco.

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Acampamento 3.

Conforme o tempo foi passando a concentração de gente no acampamento só aumentava e a energia era muito boa, a cada chegada todos aplaudiam, uma experiência única que todo corredor de montanha deve passar, fomos surpreendidos por uma chuva forte mas que não durou muito e deu um tempero a mais no evento, almocei e mais bate papo, fogueira, janta, comunicados da organização sobre o segundo dia de prova e partiu barraca.

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Vista da barraca.

Teríamos que entregar a mala até as 7 da manha, me programei para levantar perto das 6 para ter tempo de fazer tudo com calma, deitei perto das 10 não consegui dormir muito bem mas deu para repor as energias, de noite nada de chuva, porem logo pela manha o vento estava muito forte, mas com o passar do tempo abriu e o logo o sol se apresentou, mala despachada, café da manha reforçado, mais conversa e agora era esperar a largada que estava marcada para as 9 para o segundo trecho da prova.

Eu e a Montanha – Desafio das Serras.

Ter o privilégio de poder correr 2 dias e meio a Serra da Mantiqueira e ainda acampar ao seus pés é uma oportunidade que não se tem todo dia, e graças ao Desafio das Serras pude viver essa experiência e tenho o prazer de compartilhar com vocês.

Mesmo treinando várias vezes nesta mesma montanha e conhecendo boa parte do percurso, a sensação de correr foi completamente nova, é uma energia que contagia, a ansiedade da largada, os corredores, tudo deixa o espetáculo mais bonito.

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Largada Desafio das Serras 1º dia.

A praça de São Francisco Xavier ficou pequena para tantos corredores, uma mancha azul tomou conta da cidade, e às 8:35 foi dada a largada para ambos os percursos ( 40 e 80 quilômetros ) optei por participar dos 40k solo, o primeiro dia teríamos que percorrer 20k até o acampamento, o primeiro dia tem o percurso mais lento e técnico, foram praticamente 11k de subida passando por estrada de terra e single track. Por conhecer o caminho e gostar de trilhas mais técnicas imprimi um bom ritmo e consegui passar alguns atletas; com isso me distanciei do pelotão mas sem avistar os ponteiros, estava correndo sozinho.

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Trilha do Jorge.

Tudo caminhava como planejado, mas às vezes o nosso corpo não responde como esperamos, próximo do fim da interminável subida já havia sentido algumas fisgadas nas panturrilhas, mas nada fora do comum, mas o que era um incômodo virou um pesadelo, praticamente elas ganharam vida, nunca tinha sentido tanta dor como senti naquele momento. Mas meu foco era o fim da prova, não passou pela minha cabeça desistir, poderia terminar andando mas desistir não. Me hidratei, comi um chocolate, e ali era hora de um incentivo extra, e a música pelo menos para mim ajuda muito, selecionei o álbum Canterbury do Ginger Runner e voltei a correr.

Estava na parte mais bonita da prova, a travessia da Serra do Poncianos rumo a Pedra Partida, tentei correr o máximo que pude, gritei, cai.. mas levantei e segui a diante, chego na parte mais crítica para mim, apesar de ser uma pequena escalaminhada as pernas não respondiam muito bem o que me passou uma insegurança, mas a organização colocou algumas cordas que ajudaram e muito, alcanço o cume e ambas as panturrilhas travam, fico alguns segundos parado sofrendo com as dores mas ao mesmo tempo feliz por ter conseguido chegar até ali e ter  uma vista maravilhosa da cidade de Monte Verde e São Francisco Xavier.

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Vista Pedra Partida, ao fundo Monte Verde.

Chego na parte mais técnica da prova uma descida com muitos obstáculos, eu adoro aquele lugar e tive o privilé3gio de treinar inúmeras vezes neste trecho, e para descer as pernas respondiam bem, volto a correr bem e o sorriso logo toma conta, eu sabia que a partir daquele ponto teria mais 5 quilômetros de prova sendo uma descida em uma trilha larga e rápida até o acampamento; consigo manter um bom ritmo mas as dores sempre estavam presentes, sai da trilha e chego na estrada de terra que leva ao acampamento, um trecho curto mas parecia não ter fim, tento manter o ritmo mas era difícil, caminho, corro e fico nesta troca até avistar as barracas, ali tive a certeza de estar chegando, sorriso no rosto e aquele gás final para cruzar o pórtico.

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Descanso merecido.

Finalizei o primeiro dia com 3h de prova e a 20ª colocação nos 20k solo.

Continua…

Desafio das Serras 2016

A energia de uma prova trail é sensacional, agora imagina poder correr dois dias e ainda acampar com os outros atletas nessa atmosfera puramente trail. Essa experiência existe e estamos aqui para contar um pouco de como é o Desafio das Serras, que iremos estar presentes daqui 1 mês.

Este ano a prova irá acontecer em São Francisco Xavier interior de São Paulo 03 e 04 de setembro, uma região cercada pela Serra da Mantiqueira e que atrai muitos praticantes de corrida, trekking e MTB. A prova vem com uma dinâmica um pouco diferente das demais, ocorrendo em 2 dias com uma pernoite em um acampamento com toda a infraestrutura que nós corredores necessitamos (barraca, banheiros, alimentação e um visual incrível), a estrutura da prova é dividida em 2 percursos, médio com 40km e o longo 80k onde o atleta pode optar em ir solo ou em dupla, nós da RMX vamos no médio onde no sábado iremos percorres aproximadamente 20k até o acampamento e no domingo retornamos para a cidade completando o restante do percurso.

Dados Técnicos:

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Altimetria percurso médio.
dia 3
Altimetria percurso longo.

 

O Desafio da Serras é uma prova voltada para quem já tem um pouco de experiência no trail devido as distâncias e altimetrias, uma excelente clínica para quem pretende evoluir no esporte ou quem buscar aumentar a distância; é uma prova de fogo como preparação para o El Cruce. A prova ainda é survivor, os atletas largam com tudo que irão usar durante o percurso, os únicos apoios são nascentes e rios que possibilitam a reposição de água.

Logo mais sairá uma matéria mostrando as belezas desta região e um pouco de como foi a minha preparação para a prova; é uma região muito rica em natureza e um paraíso para quem pratica trail.

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Pedra Partida, Serra da Mantiqueira.

Corre que ainda há vagas para ambas as distâncias, não fique de fora dessa grande aventura. Para mais informações acesse:

http://www.adventurecamp.com.br/?page_id=1478

Video Desafio das Serras 2014 em SFX.

Maratona dos Perdidos: lidando com as adversidades

Chegamos no aeroporto de Guarulhos algumas horas antes do vôo, a ansiedade era grande e o tempo passava muito rápido, pra piorar o voo atrasou 40 minutos, mas finalmente embarcamos, e o que era um pânico se tranquilizou, até que curti a experiência e logo já estávamos pousando em Curitiba, fomos para retirada do kit, muito tranquilo devido ao horário e praticamente só estávamos nós; com número na mão teria o restante do dia e toda a sexta para descansar e estar pronto para a prova.

O clima era agradável, sol , pouco vento e poucas nuvens, pude descansar bem, fiquei hospedado a menos de 13 km da largada o que a principio iria facilitar muito as coisas, na sexta a tarde fomos para o local da largada para ver como estava os preparativos e quanto tempo levaríamos da casa até a fazenda de onde iriamos largar, após isso retornamos a casa.

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Arena.

Mochila pronta, devidamente alimentado e na cama as 21h  já que iriamos levantar as 3 manhã para terminar os preparativos e tomar um bom café para a largada as 6h, tudo caminhava bem quando no fim da noite acordei com barulho de trovões, um dilúvio caiu sobre tijucas, e permaneceu toda a madrugada, mas já era previsto e mesmo assim continuamos os preparativos e saímos no horário, mas com menos de 500 metros de estrada nos deparamos com o trânsito parado devido ao um acidente com uma carreta a frente, a preocupação e a frustração tomaram conta e logo pensei que tudo estava perdido, mas após uma hora parado voltamos a andar e chegamos na largada as 6:40.

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Unica foto antes da prova.

Para o meu alivio a largada ocorreu as 6:37 e mesmo largando em último embaixo de chuva estava a menos de 10 minutos do pelotão e após percorrer 3 quilômetros de subidas sentido perdidos, me deparo com uma staff que me abordou e me comunicou  que iria ter uma relargada e todos iriam retornar a base, novamente uma sensação de desapontamento por nada estar indo como planejado, e após algum tempo que todos já retornaram a base recebemos o comunicado que a prova estava cancelada devido ao excesso de chuva que fez os rios ficarem intransponíveis e a subida ao Araçatuba perigosa próximo ao cume.

Minutos depois da largada dos 105k na noite de sexta feira.

A sensação de desapontamento e frustração minha e de outros atletas era evidente mas todos no fundo sabíamos que essa decisão foi para a nossa segurança, e que realmente cruzar um rio com mais de 2 metros de profundidade sem corda já que o volume engoliu a corda seria muito perigoso e a organização tomou a atitude  correta.

Não se pode lutar contra a natureza, temos que respeitar para podermos depois usufruir.

Agora é pensar no próximo desafio, mesmo perdendo vamos dizer assim o valor da inscrição e gastos da viagem, voltar para casa bem não tem preço e ainda pude viver a experiência de voar pela primeira vez , levarei os bons momentos e aprenderei com as adversidades, até a próxima aventura.

 

Mais um desafio se aproxima.

Não fazem 3 meses que corri a KTR Serra Fina 50k, e o próximo desafio praticamente já chegou, nessa quinta dia 14/07 embarco para Curitiba para o segundo desafio do ano, a Ultramaratona dos Perdidos serão 45k com 2900 metros de desnível positivo, a prova será realizada dia 16/07 em Tijucas do Sul, largaremos as 6 da manhã e teremos 11 horas para completar o percurso.

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Uma prova muito técnica, praticamente sem retas, ou você está subindo ou descendo, diferente da KTR a prova contará com 4 pontos de apoio com suprimentos, banheiro e socorrista ao longo do percurso. Haverá um corte no quilometro 22 na qual teremos 5:30h para passar por este ponto e poder buscar a chegada dentro das 11 horas. Seremos 350 atletas nos 45k nessa empreitada, atletas profissionais, amadores e iniciantes buscando um único objetivo.

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Altimetria 45k

E a preparação não parou depois da KTR e sim foi intensificada, após me recuperar da prova voltei com força total aos treinos, muito mais confiante e com a certeza de que ainda poderia melhorar bem o meu corpo para Perdidos. Com uma planilha mais casca grossa, a maioria dos treinos foram em montanha, com longas distâncias, grande duração, subidas e descidas técnicas, novos testes de alimentação e vestuário e boas horas de trekking, afinal na Corrida de Montanha também andamos, principalmente em subidas intermináveis mas com recompensas incríveis, tenho a certeza de estar preparado para dar o meu melhor.

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Foto por Tatiana de Cássia

O frio na barriga já começou, mas por motivos diferentes ao da  Serra Fina. Optei por ir de avião para poder chegar mais descansado para a prova e poder curtir um pouco mais a viagem, e como será o meu primeiro vôo já viu né, tensão; mas com a certeza de que este será o primeiro de muitos. Outro fator que está me deixando mais ansioso é a questão do tempo, ainda não sabemos se irá chover ou não, e devido as baixas temperaturas e o vento, chegar preparado e com a certeza que estou devidamente equipado para a prova é de fundamental importância.

Estaremos cobrindo todo o evento, fiquem ligados em nossas redes sociais. Retirada do kit, concentração dos atletas, arena e muito mais você acompanha aqui na Runnermax e ainda teremos uma grande matéria pós prova com nossos colaboradores e atletas convidados mostrando na íntegra como foi essa aventura nas terras paranaenses.

 

Review: Salomon S-Lab Sense 4 Ultra SG

Uma das grandes dúvidas que vejo hoje, tanto entre amigos ou em grupos de trail é em relação ao tênis, a variedade de tênis para o trail vem crescendo muito nestes últimos 2 anos, mas posso dizer que vai depender do seu objetivo, da sua pisada, formato do pé e do seu bolso.

Primeiramente a marca francesa Salomon é mais conhecida mundialmente quando o assunto é trail run, com uma gama de produtos ( roupas, mochilas e tênis ) de primeira linha não importa o terreno ou condições climáticas, sempre haverá um produto para você. E além da linha comercial a Salomon desenvolveu junto com seus atletas a linha S-Lab que é focada em performance e o Sense 4 foi um destes resultados, e seu principal desenvolvedor é nada mais nada menos que Kilian Jornet o melhor corredor de montanha do mundo e principal representante da marca.

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Kilian Jornet – Zegama 2016.

Geralmente o valor de entrada para um tênis trail é 399 reias e chegando até 1080 reais para tênis com um design voltado mais para performance. Hoje vou falar de um modelo performance, o Salomon S-Lab Sense 4 Ultra SG, adquiri ele recentemente e muitas pessoas me perguntaram o que achei do modelo, se vale a pena ou não, se é caro. Para responder estas e possíveis outras perguntas vou fazer um review diferente, vou dar a minha opinião sobre o calçado e não entrarei na parte técnica pois já tem muito deste tipo de review na rede.

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Salomon S-Lab Sense 4 Ultra SG
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Salomon S-Lab Sense 4 Ultra

 

A linha Sense já está na sua 5 geração, mas para o mercado brasileiro temos a disposição a 3 e a 4 versão; algo que alguns não sabem é que este modelo tem 2 variações, o ultra que é o modelo branco e vermelho e o ultra softground (SG) vermelho e preto, a estrutura é a mesma mas o que muda é o solado e pelas corridas que vou fazer e minha característica de corrida optei pelo SG por ter mais cravos e uma durabilidade um pouco maior que o ultra.

Foi sempre meu sonho de consumo, não apenas por ser o tênis que o Kilian desenvolveu mas pro ver que muitos corredores de ponta usavam e falavam muito bem, após quase 2 anos de trail consegui ter o meu, e acertei na escolha e usarei ele na maratona dos perdidos.

Já rodei mais de 100km com ele em diferentes tipos de terreno e gostei do resultado, a essência do SG é para terrenos mais macios e molhados (seca muito rápido), mas mesmo em estradão, pastos e pedras ele se da bem. O acabamento é de primeira linha, solado perfeito e ainda é bonito. Mas o conforto foi deixado um pouco de lado, ele é mais minimalista, é feito para performance, para quem tem uma pegada mais agressiva, busca melhorar o tempo ou a técnica no trail.

Não recomendo como primeiro tênis, teste outros modelos mais de entrada e a si mesmo, para poder se conhecer e assim fazer um bom investimento de acordo com o seu objetivo, pois o Salomon S-Lab Sense 4 Ultra SG hoje está ente 799 a 1080 reais em terras canárias.

Espero que tenham gostado, qualquer duvida só deixar nos comentários e em breve faço de outros modelos.

KTR Serra Fina 2016 – 53km O Desafio

Estava faltando ainda alguns dias para a prova mas a ansiedade já tomava conta, já tinha revisado o regulamento, separado tudo que iria levar para a prova; até a estratégia já estava pronta apenas esperando chegar sábado e encarar a prova. Finalmente chegou a sexta-feira (15/04), junto com meu parceiro de treino e prova Paulo Pizzigati, partimos de São José dos Campos – SP rumo a cidade de Passa Quatro – MG onde seria realizado a prova; a retirada do kit e o congresso técnico foram no Hotel Recanto das Hortência.

O congresso técnico para mim é de fundamental importância, pois é nesta hora que o diretor técnico irá passar todas as características da prova e os avisos, estava literalmente entupido o salão de corredores, dava gosto de ver tantas pessoas juntas para algo tão magnífico. Mas nem tudo são flores, devido alguns problemas com órgãos ambientais, o percurso precisou ser alterado e nós do longo iríamos correr 53km com um desnível de mais de 3200 positivo. Como era a minha primeira prova longa, bateu um desespero e não consegui para de pensar, porque eu inventei de correr justamente essa prova, mas depois de um tempo coloquei a cabeça no lugar, fui para a pousada, arrumei a mochila de hidratação e cama.

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Companheiros Paulo e Julio.

Mesmo com grande ansiedade consegui dormir bem, acordamos as 4:30 da manhã, tomamos um bom café da manhã e partimos para a Pousada Pedra da Mina onde seria realizado a largada da prova ás 6:45, éramos mais de 150 atletas no longo, uma energia incrível, checagem de equipamentos e partimos para a prova. Teríamos 12 horas para completar o percurso com 2 pontos de corte, o primeiro no cume da pedra da mina no km 21 ao meio dia e o segundo no km 34 na base da segunda subida as três da tarde.

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Começo de prova.

Imprimi um ritmo bom no começo pois passaríamos por pastos e um longo período de estrada de terra antes que iniciar o single track que iria levar ao cume, já na trilha com mais de 18km e aproximadamente 3 horas de prova a subida mostrou o seu valor e correr era impossível; fazendo um pace em alguns pontos de mais de 22 minutos o quilometro, mas o objetivo era passar o corte, cheguei ao cume da prova com mais de quatro horas e meia de prova, hidratei me alimentei e iniciei a descida que seria pelo mesmo caminho da subida, terreno muito técnico mas consegui imprimir um bom ritmo e seguir na prova rumo ao segundo corte, o calor já mostrava-se um desafio a mais para todos os atletas.

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Inicio da segunda subida.

Com sete horas de prova passei pelo segundo corte e iniciei a subida para o campo do muro que seria a segunda e ultima montanha da prova, uma subida difícil tanto pelo terreno e pelo cansaço, encontramos atletas do percurso médio que faziam o campo do muro no sentido contrário dando incentivo o que dava um força extra, mas mesmo assim o corpo pediu um tempo e devido ao mal estar parei por 20 minutos na primeira sombra que encontrei, fiquei deitado tentando encontra um resposta para o que poderia ter acontecido, mas coloquei a cabeça no lugar, comi novamente mesmo não estando com o estomago 100%, me hidratei e tomei um remédio para a dor de cabeça que já me acompanhava, levantei e junto com mais 4 atletas buscamos o cume.

Nada melhor que depois de mais de 9 horas de prova ver um staff dizer: so falta 10km e é descida, vamos que dá tempo. Ali o mal estar sumiu, uma alegria surgiu e com um visual deslumbrante comecei a descida só buscando a chegada, consegui um ritmo forte e constante, passei alguns atletas mas não acabava a prova, foram 4 staff em 20 minutos falando só falta 5 km, os mais longos da minha vida.

Com 11h de prova eu ouvi a Fabi locutora do evento e ai a emoção bateu forte, faltavam poucos metros, sorriso estampado no rosto e na cabeça a certeza de dever cumprido, recebo o incentivo do pessoal e amigos que estavam a minha espera. Cruzo com 11h e 5 mim a prova mais bruta de montanha do Brasil.

Um pouco do que foi essa grande aventura.

 

O diferencial da KTR Serra Fina

Mal tinha acabado o ano de 2015 e eu já buscava montar um calendário para este ano, com um grande desafio em mente, aumentar a distância e encarar as provas longas de montanha de 40 a 60km. Devido ao tempo de preparo ser maior e mais árduo em relação as provas de 21km, escolhi a KTR – Kailash Trail Run Serra Fina em abril para ter tempo suficiente de preparar o corpo e a mente; com treinos tanto no asfalto, para ganhar rodagem e principalmente com treinos em montanha, onde busco me familiarizar com a altitude, clima e terrenos variados e adquirir confiança para na prova poder ter um bom ritmo, exercícios específicos de fortalecimento e uma boa dieta.

Algo que acho importante ressaltar é que cada pessoa tem características específicas no trail, eu por exemplo, tenho um bom ritmo de subida e uma descida em terrenos mais técnicos veloz, e no plano um ritmo bom. Com isso busco provas que tenha uma pegada mais casca grossa, com muita altimetria e bastante single track, que são provas de dificuldade moderada e avançada onde passamos por região poucos exploradas e com paisagens incríveis, tornando assim cada prova uma aventura sem igual.

A KTR Serra Fina me conquistou em 2015, quando corri os 16k; ali finalmente tive a oportunidade de encarar uma montanha de respeito e ter a certeza que escolhi o esporte certo, e com a certeza de voltar este ano. Como a organização alterou as distâncias que eram 8k, 16k e 26k para 10k, 24k e 45km e meu objetivo era as provas longas, não tinha jeito, era encarar aos 45km e conhecer a Pedra da Mina, quinto maior cume do Brasil, que seria o cume a ser alcançado este ano.

E essa prova tem algo a mais que as outras provas de trail,e por isso em 2015 foi eleita pela Go To Trail como a melhor prova de montanha no Brasil. A essência da KTR é ser uma prova única, que consegue trazer um percurso duro, bem técnico, bruto de verdade e ao mesmo tempo o mais belo, com paisagens que se não fosse a corrida, ficaríamos horas contemplando e o resultado é visível no olhar de cada atleta, quando alcança o cume e principalmente quando cruza a linha de chegada, uma emoção de poder ter vivido essa aventura, e de ser um vencedor independente do resultado.