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De 140kg a 75km – Maresias x Bertioga by Eduardo Lima

Aos 30 anos, sofria de pressão alta, sentia dores no corpo e dormia mal. O sedentarismo e a alimentação desregrada haviam me deixado com 140kg em meus 1,80 metros, resultando em obesidade mórbida. Insatisfeito com a vida que levava, em dezembro de 2011 decidi mudar radicalmente.

No início de 2012, incentivado pelo meu irmão, comecei a caminhar. Aos poucos, a alimentação foi melhorando e os treinos evoluíram para a corrida. Em junho do ano seguinte, comecei a fazer musculação, meses depois procurei orientação profissional e acelerei ainda mais a perda de peso.

Na academia existia um grupo de corrida, comecei a fazer parte deste grupo e posteriormente me convidaram para correr uma prova em Bertioga, uma prova de revezamento a qual me apaixonaria… Enfim, em 2014 conheci a Ultramaratona de Revezamento Bertioga Maresias participando pela primeira vez em um grupo de 8 corredores misto.

Minha 2ª participação foi em maio 2015, dessa vez em um grupo de 6 corredores misto, mas decidido a encarar essa prova sozinho, o que muitos diziam ser uma loucura. Loucura essa que decidi encarar na segunda etapa do ano.

Treinando com uma equipe de corrida e um treinador orientando. Foram meses de preparação focada e finalmente encarei o SOLO na minha 3ª participação na BM. Nesta etapa a prova iria de Bertioga para Maresias. O dia foi perfeito, corri com uma alegria no coração e um instinto de invencibilidade que superaram todas as metas previstas, fechando minha primeira participação com o tempo de 7h e 40min em 29º colocado.

Na minha 4ª participação, fui de apoio, conheci o outro lado da prova, os bastidores e a logística envolvida para apoiar os corredores, uma experiência gratificante.

Então veio a 5ª participação, decidi fazer novamente um SOLO, e recebi a notícia de que o sentido seria invertido e correríamos de Maresias a Bertioga. Durante a preparação tive alguns contratempos que não me permitiram treinar o suficiente como gostaria, mas estávamos lá na largada prontos para mais esse desafio.

Eu corri com uma equipe de apoio, 2 pessoas e 1 carro, que levam de tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, nada me faltaria na prova. A Organização decidiu mudar a sistemática da largada que antes era de 30 em 30 minutos para cada largada entre as modalidades, dessa vez juntou os SOLOs e o Trios e 15 minutos após, as demais equipes.

Inicialmente, isso não atrapalhou a largada dos SOLOs, o dia estava chuvoso e fomos presenteados com o tempo nublado, chuvoso e coberto para o sol não fritar os corredores rsrs, porém, vieram os contratempos. Logo na parte inicial da prova, para sair da praia de Maresias e acessar a serra de Maresias, tínhamos que passar por um corredor que somente passava um corredor por vez, e não teve jeito, isso gerou fila e confusão entre os corredores, mas nesse eu passei bem, pois estava entre os primeiros ainda.

A tão desafiadora Serra de Maresias, quando se corre no sentido Maresias / Bertioga, é mais curta a subida e em minha opinião mais fácil, fechei esse trecho muito bem e assim fui para o segundo e o terceiro onde, mesmo sendo trechos com nível de dificuldade alto, pude passar forte e com um tempo abaixo do que previa.

Endorfina na pele durante o percurso.
Endorfina na pele durante o percurso.

Ao final do terceiro trecho, meu tênis estava cheio de areia, pois esse ano o tempo estava chuvoso há dias, e o mar comeu uma parte da praia, deixando um pequeno espaço de areia fofa e ruas cheias de lama, então parei para trocar o tênis e fazer uma alimentação.

Ao entrar no quarto trecho, o maior da prova com 14,2k, comecei a ter dores muito forte no peito do pé esquerdo, e tentando superar a dor e não perder tempo, mantive o ritmo ao final deste trecho estava difícil demais correr. A equipe de apoio tentou de todas as formas ajudar com spray para dor, gelo e tudo mais, e tive que aumentar as reposições de alimentação e hidratação, pois comecei a demorar mais para atravessar cada km.

No quinto trecho mantive a concentração e tentei de todas as formas não pensar na dor, tendo um aumento no esforço físico causando um gasto maior de energia, onde tomei cápsula de sal, coca cola e comi uva, isso me deu um novo ânimo na prova e logo finalizei o trecho.

No sexto e o sétimo trecho, o peito do pé direito começou a doer também, então, já com os dois doendo, tive que baixar um pouco mais o ritmo, e no quinto em especial, tivemos que passar por uma trilha, onde não conseguimos parar em pé andando, correr era muito difícil, pura lama e esburacada, mas passei sem grandes problemas.

E enfim o último trecho, 10,8k onde não conseguia mais correr constante devido as dores, tinha fôlego, tinha uma musculatura boa ainda, mas as dores no peito do pé eram grandes, comecei a revezar correndo e andando e assim fui até a chegada.

Equipe de apoio na ativa
Equipe de apoio na ativa

A chegada é algo inexplicável, a sensação de concluir uma prova de 75k é maravilhosa, como da primeira vez, não agüentei a emoção e cai no choro, vem na cabeça tudo que passei na vida, e tudo que superei e abri mão para me preparar para esse momento, a felicidade entra no peito e a vontade de gritar “eu consegui” sai em gestos e lágrimas, tive que ajoelhar ali na linha de chegada e agradecer a Deus, aos apoios, a equipe de treino e aos amigos, ali agradeci e enfrentei a quase impossível tarefa de levantar sozinho naquele momento para então buscar a tão sonhada medalha do Ultramaratonista… aquela que vem escrita “Solo”.

Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.
Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.

Apesar das mudanças feitas pela organização juntando as largadas, deixando o percurso e os pontos de transição mal sinalizados, fazendo com que as equipes ficassem emboladas e até perdessem o tempo certo de troca dos atletas, causando trânsitos nos pontos na estrada, o que não aconteceu nas versões anteriores, sou suspeito em falar, porque acredito que as dificuldade são para todos e o que me leva as provas são as dificuldades, são elas que tornam a conquista da medalha um momento especial.

Dos 45 kg perdidos ao longo das corridas nesses anos e os mais de 6.000 mil quilômetros em distancias de 5km, 10km, 16km, 21km, 42km e 75km. Costumo dizer que quem manda é a cabeça, basta querer e persistir, afinal, nunca imaginei que sairia do sofá, e iria dos 140 kg a 75km e ainda pretendo ir muito além, carregar aquele número vermelho ao longo da prova, e ser saudado e reverenciado por todos os envolvidos na prova, que sempre incentivam “vai SOLO”, “força monstro”, “SOLO é pra poucos” não tem preço.

Eu voltarei em maio novamente para mais um desafio, saio dessa versão com o aprendizado de que… se preparar cada dia mais é necessário, mas principalmente se preparar para os imprevistos, porque correr 75k nunca será igual. Convido a todos para conhecerem essa prova que sou apaixonado e digo… bora bora se desafiar, sair da zona de conforto e para com o “mimimi” e regar as nossas vidas de “uauuu”, hoje posso dizer eu sou SOLO 75k e nos vemos na próxima etapa.

 

Eduardo Lima

#menosmimimimaisuauuu

#eduardolimaultra

#de140kga75k

Próxima meta: chegar descansada- by Denise Kelen

Como comecei

Meu nome é Denise Kelen, tenho 34 anos, sou de São José dos Campos, mas moro em São Paulo há três anos e meio.

Comecei a correr (se é que posso chamar aquilo de corrida) em 2009, incentivada pelo meu pai, que sempre correu. Cresci vendo-o coordenar um grupo de corrida, na época chamado de Coraj (Corredores Associados Joseenses), e a sair de casa ao anoitecer, rumo à cidade de Aparecida do Norte (SP). Muitos corredores se reuniam no dia de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) para essa empreitada de 100 km no asfalto.

“A temperatura a noite era melhor”, diziam. Muitos não chegavam ao destino, mas tenho recordações do meu pai entrando em casa, no dia seguinte, com bolhas e mais bolhas nos pés. Missão cumprida!

Pai da Denise em corrida de rua
Pai da Denise em corrida de rua

É interessante ver que ele, há mais de 30 anos, já fazia o que se tornou hoje uma profissão, uma atividade tão disseminada e procurada: a criação e participação em grupos de corrida. A prática se profissionalizou e agora tem um nome mais bonito, ‘assessoria’. Com o avanço das técnicas esportivas e da medicina preventiva, é claro que a prática do atletismo hoje também é feita com muito mais preparado e que a recuperação dos atletas conta com tratamentos de alta tecnologia.

Meu pai e os amigos da década de 50, sem saber, já faziam ‘treinos de montanha’, outro bonito nome usado atualmente. Mas como ele mesmo diz, “aquilo era correr em barrancos”. Ah, e você acha que nesse desafio para Aparecida, eles tomavam isotônicos e usavam coletes de neon ou qualquer outro elemento refletor para ser visto pela luz dos carros? Claro que não! A única coisa que levavam era fé e rapadura.

Durante muitos anos corri apenas 5 km com meu pai porque essa distância não exigia de mim treinos regulares ou muita disciplina. A rotina de aulas aeróbicas na academia era suficiente para encarar, às vezes, algumas provas curtas de corrida de rua. As participações em provas eram esporádicas. Até os 30 anos não existiam metas, sonhos e paixão pelo atletismo.

 

Quando quebrei

É curioso pensar que foi justamente quando me apaixonei pela corrida, que passei a ter novas companhias: três hérnias na lombar. Resultado da minha falta de conhecimento e consciência corporal e, principalmente, dessa minha ânsia em querer praticar atividade física sempre de forma impulsiva, sem nenhum tipo de preparo.

Foi quando essas novas ‘amigas’ surgiram que, por ironia e teimosia, aumentei os meus percursos. Ou seja, continuei fazendo a coisa certa, da maneira errada. Durante três anos, de 2012 a 2015, vivi com cores, falava mal da fisioterapia e participava de uma prova aqui, outra ali…. Entre um Tramal e outro, fazia 5km, depois10km, em seguida 16km. Aumentava a dose do Tandrilax, do Sedilax e insistia.

Durante esses anos, a dor ia, voltava, se acentuava nas filas de banco. Na balada com as amigas, a cena era: elas dançando e eu procurando uma cadeira. Para andar de metrô, um sacrifício: descia em algumas estações para sentar.

Até que o previsível aconteceu. Em 2015, na tentativa de fazer 21km, quebrei no km 17 e quase não consegui andar. Era o dia do meu aniversário, Meia Maratona de São Paulo. Achei que o fato de ser uma data especial e de eu estar ao lado de amigas queridas que eu mesma incentivei a participar fosse me ajudar a cruzar a linha de chegada menos cansada. No entanto, nesse dia, percebi que eu realmente precisava fazer o óbvio: treinar.

 

Quando recomecei

 Depois dessa prova (ou quase prova), minha lombar pulsava sem pausa, a dor irradiava e o formigamento nas pernas e pés veio para ficar. Foi aí que, junto ao medo de perder a mobilidade, de não poder mais correr e de continuar tendo que agachar no meio da rua, veio também a (atrasada) decisão de buscar ajuda em um tripé: pilates para alongamento e fortalecimento muscular; assessoria para orientações e exercícios educativos; nutricionista para alimentação sem leite condensado (risos).

Foi difícil receber o ‘diagnóstico’ de cada profissional que fui consultar. A professora do pilates imitou o meu modo de caminhar. O que era aquilo? Era assim que eu andava? Corpo solto, jogando o quadril para os lados. Ouvi dela que essa mesma região do meu quadril parecia uma pedra de gelo, sem nenhuma flexibilidade. O treinador da assessoria concordou com esse meu jeito ‘largado’ e do consultório da nutricionista eu saí com muita raiva.

Achei que ela foi rude na maneira de me apresentar os 31% de gordura que eu tinha no corpo e o ‘mapa’ da minha alimentação que era basicamente vermelho e amarelo. Senti raiva sim, mas daquela realidade. De fato, os alimentos verdes eram uma raridade no meu prato.

Em três meses, perdi 10 quilos. Esse sentimento ruim foi necessário para que eu focasse e atingisse os objetivos. Os famosos veneninhos brancos – leite, açúcar, arroz, sal, farinha de trigo – praticamente deixaram de fazer parte da minha rotina. Outra estratégia era pegar das prateleiras dos supermercados os alimentos que eu desconhecia ou que há muito tempo não consumia.

foto esquerda - antes do acompanhamento com profissionais foto direita - depois de perder 10k
foto esquerda – antes do acompanhamento com profissionais
foto direita : Depois do recomeço e perder 10k

Mas nenhuma estratégia funcionaria se eu não tivesse amigas que já se alimentavam de forma mais saudável e me inspiravam; se meus pais não mudassem o cardápio para me receber em suas casas e se meu marido não cozinhasse para nós, substituindo as batatas assadas pelos caldos de abóbora. Tenho a sorte de ter um Chef exclusivo.

Então, com todas essas mudanças meu desempenho numa meia maratona melhorou? Não! (risos). Neste ano decidi fazer a mesma prova, a Meia Maratona Internacional de São Paulo, mas me esqueci de trabalhar um quarto ponto fundamental nesse pilar das corridas de rua: a ansiedade.

Saí de casa apressada para chegar logo ao local da prova, o que prejudicou a minha alimentação. A grande vontade de correr e de concluir aqueles 21km de curvas e subidas que tinham me desafiado no ano anterior, me fez achar que uma banana com aveia era suficiente. E quem precisa de gel, não é mesmo? Mais uma vez, faltando cerca de 3km para finalizar, as minhas pernas pararam de me obedecer.

Essa nova frustração apenas comprovou que (ainda bem), sempre haverão novos erros e, assim, novas expectativas. É um ciclo.

Eu sigo na meta de, algum dia, terminar os 21 conseguindo controlar meu próprio corpo e como diria o meu pai “chegar descansada”!

Cross Run Taubaté 10k
Cross Run Taubaté 10k

Minha Historia: Lina Marcela Ramirez

Lina Marcela Ramirez.. meu tocallo é uma modelo/estudante de 27 anos, estudante e medicina com um running somas que comeco de pequena. A beleza da Canadeinse tem-se atrás da linha de partida de mais de 400 corridas que se estendem por distâncias de entre um e 5 milhas. Já corri mais de 50 mini-maratonas e competiu em corridas que o levaram a mais de 20 clubes de campo em todo o ontario e quebec e até  nossos  querido estado la Florida(USA).
Falei recentemente em South  Beach, Miami com Lina Marcela, Aqui está uma (editado) transcrição de nossa conversa:

 

Como você começar a correr?

Quando eu era uma menina e adolescente, eu achava que era uma corredora nata. Fim de 5 anos para o Ano 12, eu competi o Regional Cross Country, cada ano e Nível Estado três vezes sem formação específica. A última vez que eu corri o City to Surf foi como um 17 anos em 2005, concluindo em 62 minutos, se bem me lembro.

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Torci meu tornozelo uma vez, logo depois e, em seguida, realmente não consegui correr durante 2 anos, como cada vez que eu tentei correr, eu parecia ter uma nova lesão.

Em abril 2013 meu vizinho correu a Maratona de Toronto. Eu pensei que se ele pode fazer isso eu posso fazer isso. Então eu comecei a me preparar em Maio de 2013 para a Maratona de Toronto em 2014. O primeiro dia de três quilômetros de corrida foi o mais difícil, mas 11 meses depois eu terminei minha primeira maratona em menos de 3h30. Ao longo do caminho, eu perdi 15 kg e redescobri a alegria de correr.

Você tem um tipo especial de método ou de formação?

Elaboro meus planos de formação no meu calendário google, mas eu acredito em mantê-lo simples. Aqui é a fórmula básica para um grande plano de formação para mim.

Treinar três dias por semana

Executar ou corrida / caminhada de 20 a 30 minutos, duas vezes por semana

Tome um longo prazo ou corrida / caminhada (40 minutos a uma hora) no fim de semana

Descanso ou cross-trem em seus dias de folga

Correr em um ritmo de conversação

Considere tomar pé-pausas regulares

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Você tem dicas de recuperação?

Depois de terminar a sua corrida e permitiu-se a trabalhar lentamente que a curva do sino, você vai chegar ao seu maior oportunidade para acelerar a recuperação, ou para cavar-se em um buraco. Naquele momento de depleção nutricional, o seu sistema está no seu mais absorvente. “Entrando em as coisas certas logo depois que eu terminar parece ser uma apólice de seguro”, diz Fleshman. “Mesmo que eu não estou fazendo tudo o que deveria ser, se eu, pelo menos, engole uma bebida ou empinar-se um sanduíche de manteiga de amendoim e geléia e uma grande garrafa de água, parece-me dar o meu melhor chance de se sentindo bem no dia seguinte .

Quaisquer últimos conselhos para as pessoas que tentam começar uma atividade física?

Quando eu corro, eu não olho para ganhar em tudo, mas eu tento apenas completar a corrida. Mas normalmente eu tento correr os últimos dois décimos de uma milha para mostrar que eu ainda estou em boa forma.

Descobri na corrida uma sensação única – by Mi Giese

Meu nome é Milene Giese, sou de São José dos Campos e essa é minha história na corrida… Um belo dia a empresa onde trabalhava patrocinou uma corrida em minha cidade, e todos os funcionários ganharam uma inscrição. Mas eu nem dei bola, afinal não aguentava correr nem 5 minutinhos, não tinha fôlego e nem vontade de correr!! Na época fazia apenas musculação, 4 vezes na semana…. Mas veja como são as coisas….uma das funcionárias da empresa era corredora, e de tanto insistir e dizer que seria legal, que eu iria gostar, que se eu treinasse eu conseguiria, eu resolvi topar o desafio…. Bom, desafio topado, conversei com meu professor da academia que passou um treino para eu correr 5km em 2 meses… Lembro muito bem, que meus primeiros 5km foram feitos na esteira em incansáveis 39 minutos não foi fácil…mas desistir não era uma opção!!!

Foram 2 meses de treinamento…e quanto mais se aproximava do dia da prova, mais ansiosa eu ficava… no dia anterior a prova, mal dormi, parecia que estava indo para uma competição, fiquei nervosa, com dor no estômago, com medo de não conseguir. Quando cheguei na prova, me encantei com a energia do evento, com tantas pessoas se superando, e eu ali naquela multidão!! Foi dado a largada, e eu corri, dei o meu melhor, senti aquela sensação que só a endorfina nos proporciona…e ao finalizar a prova, descobri que naquele dia nascia uma corredora, não estava ali para competir com ninguém, o desafio era meu, a superação era minha e minha maior adversária era eu mesma… Terminei a corrida em 30 minutos, fiquei realizada em terminar, e não caminhar, em só correr e curtir aquele momento…Descobri que aquilo faria parte da minha vida por muito tempo e acredito que será para sempre, por que correr não é só colocar um tênis e sair por ai… Correr é um estilo de vida, e naquele momento percebi que tinha encontrado meu estilo de vida!! Sim…a corrida me transformou!

Milene Giese nos seus primeiros 5k
Milene Giese nos seus primeiros 5k

Me tornei uma pessoa muito diferente, troquei as noites pelo dia, diminui o consumo de álcool, ganhei mais energia, disposição, fiquei mais disciplinada e procurei uma nutricionista para reeducar minha alimentação, percebi que a partir desse momento, fui perdendo peso de forma correta. Sempre fui magra, mas tinha ali 10kg extras de gordura que foram substituídos por massa magra. Outro grande ganho que a corrida me trouxe, além de perder peso melhorei a minha saúde!!!

O tempo foi passando e claro, novos desafios foram surgindo, os 5km passaram a ser um aquecimento para os treinos maiores, vieram os primeiros 10km, os primeiros 15km e de repente os primeiros 21km. Procurei uma Assessoria em minha cidade, pois queria estar amparada por profissionais da área para fazer treinamentos específicos para essa distância!!!

Em março de 2015 corri minha primeira Meia Maratona, também incentivada por uma amiga que me deu de presente a inscrição, pois jamais tinha passado pela minha cabeça fazer 21km…como as coisas mudam né? Rs… Bom, foi naquele dia que senti uma das melhores sensações da minha vida!!! Não, não é exagero…a corrida faz isso com a gente Sim!! Quando terminei a prova, me senti tão forte, senti que a partir daquele momento eu poderia alcançar qualquer coisa, uma sensação muito boa tomou conta de mim, foi incrível!!! Mas junto com essa sensação de bem estar vieram algumas dores, e confesso que terminei acabada, exausta e muito cansada! Bom, pensei, essa é a primeira, vou treinar mais para mudar esse quadro nas próximas!!!

Mas de repente surgiu uma lesão no joelho… não sei exatamente o que foi, se foram os treinos, uso de tênis inadequado ou falta de fortalecimento correto, só sei que me assustei….fui ao médico, e lá estava eu com condromalácia grau 3.. fiquei com muito medo de ter que parar de correr!! Foi justo na mesma época que decidi iniciar os treinos na montanha!! Mas meu ortopedista disse que meu caso não era grave, eu poderia correr por muitos anos, mas não correr em subidas…Naquele momento optei em abortar os treinos na montanha e me dedicar ao fortalecimento muscular…, comprei um novo tênis, fiz muita fisioterapia e treinos mais planos e curtos e sempre respeitando meu limite… Nessa fase aprendi mais uma lição, a musculação faria parte de minha rotina para sempre…não tinha como escapar, não tinha como faltar, teria que ser levado a sério.

Corrida Cross Run- 10k em junho/2016
Corrida Cross Run- 10k em junho/2016

Com o passar do tempo, a dor foi sumindo, minhas pernas ficaram mais fortes e voltei a correr longas distâncias, participei de mais 2 Meias Maratonas, e na última prova terminei tão bem, tão disposta, tão forte, sem dores nas pernas, no joelho, em nada….e naquele momento pensei…acho que está na hora de me desafiar…e algo que sempre falei que jamais faria, que não era para mim, de repente veio na minha mente…é…quero fazer uma Maratona!!! Como vai ser? Não sei…mas eu quero!!!!

Medo? Sim… o mesmo medo que tive na primeira prova de 5km lá em 2013 quando não corria nem 5 minutinhos…. o mesmo medo que tive em minha primeira prova de 21km em 2015, e tenho certeza que será a mesma sensação em 2017 quando eu estreiar na Maratona!!! Mas sou da seguinte opinião…o medo está aí para nos desafiar. Sei que o treinamento para uma maratona é diferente, requer muita dedicação, mas quando queremos algo, e quando nos dedicamos acredito que tudo é possível!!! O desafio está lançado, a inscrição está feita, agora é treinar muito e me dedicar..Escolhi a Maratona mais linda do Brasil, e em 300 dias estarei lá largando com tantos outros corredores na cidade maravilhosa, no Rio de Janeiro!

Já passei por muitas fases na corrida, já terminei provas me sentindo muito bem, já terminei provas me sentindo muito cansada. Já me superei nos 5km, finalizando em 24 minutos, já tive que abortar uma prova por simplesmente não estar bem no dia… Enfim, corro por que amo correr, no meu tempo, no meu limite!! A corrida é meu hobby, faz parte da minha rotina e é uma energia na qual quero sentir para sempre…por que descobri na corrida uma sensação única, que nunca tinha sentido antes!!!!

Minha Historia: Juliette Lanza de Turbia

Juliette RMX

Juliette Lanza D’Turbia é uma modelo de 27 anos, estudante e designer com um running somas que vai fazer seu queixo cair. A beleza da Siciliana tem-se atrás da linha de partida de mais de 100 corridas que se estendem por distâncias de entre um e 50 milhas. Já corri mais de 50 maratonas e competiu em corridas que o levaram a mais de 20 clubes de campo em todo o mundo e até 17 de nossos estados(usa) do tempo calor. (Desculpe, Hawaii.)
Falei recentemente no telefone com Juliette. Aqui está uma (ligeiramente editado) transcrição de nossa conversa:

Como você começou a correr?
Eu estou correndo por 10 anos agora. Quando eu estava começando eu tinha por volta de 15. Eu estava na equipe de cross country escola secundária, e e desde então eu quase não perdi um único dia de corrida.
Bem, houve dois períodos em que eu realmente não foi executada. Depois da minha primeira maratona em 2006, eu quase completamente parado de correr para três a quatro meses Acerca. E a mesma coisa aconteceu depois da minha primeira corrida de 50 milhas. Foi tão difícil para mim e eu acho que foi para o meu trecho Tal corpo no momento, eu só realmente não se sentir como correr por três meses após Acerca.
Mas, além disso, eu tenho que dizer que eu tenho que correr quase todos os dias durante os últimos 10 anos.
No início, correndo para mim foi tudo sobre velocidade e ganhar e tentar realmente aperfeiçoar a corrida. Mas depois da faculdade, as coisas mudaram. Eu não estava tentando ser mais tão competitiva, e eu percebi que eu amava um aspecto totalmente diferente de correr – o puro prazer de estar ao ar livre e de ser um com o seu corpo. Eu realmente gostei da arte da corrida. Eu continuei a fazer um monte de corridas. Tenho sempre se a energia e emoção das corridas. Todas essas pessoas estão lá para, Razões saudáveis felizes e não há essa eletricidade no início.

Juliette

Você tem um tipo especial de método ou de formação?
Eu acho que a força real do meu treinamento é esse o meu correr mais do que é realmente fácil e penso que lesão Previne. Não é necessariamente específica para mim. Eu fiz um monte de leitura e pesquisa e eu siga uma filosofia que decorre de Arthur Lydiard, que é considerado o pai do movimento grande parte maratona e treinamento.
Basicamente eu inventei – na década de 1930 e 40 – intervalo de formação. Eu já treinou 30 atletas em algo como os Jogos Olímpicos. Uma das suas filosofias está lento, lento, lento, e depois um salpicando a sua formação no final com treinos de velocidade. Há o famoso exemplo onde eu iria treinar um miler Ambos corredor de maratona e uma quilometragem Com a mesma base. Eles teriam Ambos fazem mais de 100 milhas por semana, durante meses e meses e meses. E foi só nas oito a 12 semanas antes da sua grande evento que eles iriam começar especializado em sua raça específica.
A maneira mais simples de colocar-se que 80 por cento das suas milhas são feitas muito, muito fácil. Se o meu ritmo de maratona é uma milha de seis minutos na corrida, eu faço 80 por cento do meu treinamento é executado mais perto de um ritmo de nove minutos.
A maioria dos corredores não correr rápido o suficiente seus treinos de velocidade e não fazer o suficiente suas corridas de recuperação lenta. Eles são ineficientes.
Eu tenho que trabalhar sobre Esta analogia, mas, eu tenho um pouco afilhado (Salvatore), que é um e eu está aprendendo a andar e ele é tão ineficiente. É a mesma coisa que eu ver alguns iniciante Com corredores. Eles não são tão confortável em sua pele quando são executados. Eu acho que é o que acontece quando você corre mais. Seu corpo se torna eficiente. Você acabou de soltar seus braços, suas pernas simplesmente cair no lugar, e seu corpo sabe como protegê-lo de lesões Porque você foi correndo por meses. Isso é o que é: gastar mais e mais tempo em seus pés

For runner max Juliette.

Existe um limite para o quanto o seu corpo pode suportar a correr?
Eu conheci esse cara japonês quem era o CEO de uma empresa. I foi muito bem sucedida e agora corre maratonas em todo o mundo. Ele é executado algo como 700 a 800 maratonas. Mas acredita que seu corpo tem um número finito de milhas que podem ser executados. PORTANTO eu não treinar em todos entre raças. I acha que é a melhor maneira de prolongar a sua carreira correndo. Eu não acho que isso é exatamente verdade. Mas pode ser verdade até certo ponto.
Quando eu estou realmente em forma e eu realmente estou correndo, eu sinto que eu posso correr para sempre.
Mas você tem que se concentrar muito mais sobre o sono. Em meus anos mais jovens que eu fiz tudo. Eu estava correndo maratonas, eu estava indo para fora, e encontrar tempo para ser executado, e encontrar tempo para a festa. Eu nem sequer percebi como eu estava cansado porque eu poderia ficar de três a quatro horas de sono e seria bem. É só nos últimos três Já esteve a quatro anos que eu estive realmente com foco em meu sono. E é tão engraçado, porque eu me sinto muito melhor. Eu acho que para toda uma década eu estava constantemente cansado. Eu nem sequer sei como isso foi que não deveriam estar.
Isso é realmente como minha corrida evoluiu. Eu tenho mais para relaxar e descansar. Eu realmente não acho que haja algo de especial sobre o meu corpo. Eu acho que é o corpo humano e tem o potencial para fazer todo mundo que estas coisas.
O que me fez especial que eu achei é essa coisa que eu amo e eu tenho feito todos os dias por mais de 10 Basicamente anos, então eu tenho o tipo de feito o melhor que posso para transformar o meu corpo em uma máquina de corrida. Eu acho que se alguém colocar esse tipo de tempo e empenho para ele o mesmo que eles podiam fazer nada.
Eu realmente não recebo um monte de lesões. Eu acho que parte dela é quanto tempo Devido Fui correndo. Parte do problema é um pouco genética. Eu acho que tenho muita sorte de ser corredores dotado com algum tipo de corpo. Mas é ser inteligente e Acerca Também precaução e saber quando algo poderia ser significativo e para parar. Muitos dos meus amigos estão sempre feridos porque eles simplesmente empurrar através dele.

Você tem uma corrida favorita?
Eu meio que amo todos eles. O 5K é meu verdadeiro amor. É um belo equilíbrio tão grande de velocidade e resistência e é bom também que acabou rapidamente.
Na maratona você está realmente apenas correndo-se. A melhor maneira de realizar em uma maratona é fazer as famosas maratonas – a Maratona de Nova York, a maratona de Boston – porque você tem toda a emoção, todo o build-up, e todos os melhores corredores.
Para os ultra maratonas, só para terminar a corrida é um grande negócio. E há tantas incógnitas. Quando eu faço Um dos Estas corridas – eu fiz seis 50-milers – há tantos altos e baixos, é como uma vida de estar mini. Leva 24 horas e você pode realmente baixos baixos têm as. Você está na milha 40, você correr uma maratona e meia Já, e você não está nem metade feito. Você já viu o sol nascer e você não será concluída até ver o sol nascer por uma segunda vez, e você está pensando: “Eu poderia estar em casa com o meu cão, mas é quente e vez disso, eu sou não pode cansado e eu terminar. ” É uma crise. E então com certeza, eu me sinto tão grande 18 horas mais tarde, quando eu estou finalmente pronto e tudo isso é esquecido.

O ultra maratona simplifica Que sua vida em 24 horas porque tudo o que tem a fazer é seguir em frente, comer e passar o tempo.
O 5K é apenas velocidade e potência. A maratona é a resistência, planejamento e execução perfeita. E então o 50-miler é apenas o desconhecido.
Minhas duas maratonas favoritos são o New York City Marathon, que eu fiz 3 vezes consecutivas, e a Maratona de Boston, que eu fiz 4 vezes em uma fila agora. Eu acho que é muito reconfortante Sabendo que eu vou ser sempre a fazer essas corridas, espero que para o resto da minha vida.

Há algo surpreendente sobre prep corrida, que ‘o amor?
Eu amo a viagem.
Quando uma cidade hospeda uma maratona Eles realmente mostrar a parte mais interessante e a parte mais bonita da cidade. Para mim, é a forma mais eficiente de ir para a cidade e obter um pequeno passeio se você tiver apenas um fim de semana.
Eu tenho tanta sorte de viajar com meu namorado para corridas em todo o mundo. Normalmente nós escolhemos um período de férias com base em uma maratona e construir uma viagem em torno dele. Fomos para a Ilha de Páscoa. Corremos a trilha Inca no Equador. Eu quero executar um muito legal chamado Marathon Monte Everest em que você executa ao longo dos montes no Nepal. Eu vi os tempos e eu acho que eu posso ganhar Isso maratona ..

Como você espaço para a sua formação? Como você se encaixa-lo em?
Penso que a razão real eu sou confiável para fazer tanto é Ter uma família de apoio e namorado. Se eu não tê-los como sendo tão favoráveis a minha corrida é que eles, seria muito mais difícil.
Outros, que há sempre um equilíbrio que você ‘pode atacar. Se você realmente deseja executar uma corrida, você pode descobrir isso. I priorizar religiosamente. Não é coincidência que todos os meus amigos são corredores e é provavelmente por causa de nosso amor comum de executar o que temos vindo a confiança para continuar a amizade depois de todo esse tempo.
Fazendo cinco maratonas por ano eu acho que é whos realmente fácil, porque em certo sentido, isso é uma corrida a cada três semanas. Essa é a longo prazo para a próxima maratona. Você é perpetuamente em forma. Eu não corrida whos cinco maratonas por ano. Eu provavelmente primeira corrida de um ano ou dois, onde eu realmente colocar tudo para ele. Mas a maioria dessas corridas são apenas a formação é executado, então eu vou executá-lo em quatro ou cinco horas.

Você tem alguma recuperação truques?
Na faculdade eu costumava experimentar os banhos de gelo e coisas assim. Agora todo mundo está usando meias de compressão em Original. E eu realmente não comprar nada. Eu acho que a melhor recuperação é realmente a dormir. Um bom amigo meu me levou para meu cochilo diariamente às 4 para que agora tornou-se uma rotina. Tem funcionado wonders.I fazer como uma recuperação ativa. Eu acho que ele realmente ajuda a tirar o sangue flui depois de uma corrida difícil. Uma corrida fácil para mim em um dia quando eu sou desperdiçado da corrida, eu vou correr milhas de 15 minutos, quase como uma caminhada rápida. Eu acho que essas são realmente benéficos para manter o sangue fluindo. Acabei totalmente simplificado as coisas.

E quanto a dieta?
Eu fui um vegetariano toda a minha vida. E eu quase vegan Já esteve anos ao longo da última três. Eu chamo-lhe um “vegan prático.” Quando estou viajando, se eu estou em Londres para o trabalho, por exemplo, simplesmente não é possível. Mas, quando estou cozinhando em casa eu nunca comer queijo ou manteiga e eu me sinto melhor para ele. Eu acho que é uma maneira fácil de purificar sua dieta. Eu comer muito bem e fazer o meu melhor para mantê-lo realmente simples.
Scott Jurek é um dos melhores corredores de maratona de ultra do mundo e eu tenho um livro best-seller do New York Times chamou comer e partem. Todo o seu ângulo é ser vegan. Ele e um par de outros caras realmente tem lá e provou ao mundo que você não precisa ler carne. Aqui ele tem feito algumas das corridas mais impressionante como um corredor de ultra e eu já fez isso como um vegan. Acho que as pessoas estão abraçando que esta muito mais agora.

Quaisquer últimos pedaços de conselhos para as pessoas que tentam entrar em funcionamento?
Eu acho que funciona com uma equipe ou com um amigo é a melhor maneira para se manter motivado. E também para ter um objetivo. Mas nada você fica fora da cama às cinco da manhã como ter um amigo que está esperando por você na Ocean Drive.
Eu acho que as pessoas correr muito rápido o tempo todo. Eles colocaram pressão sobre si para correr mais rápido.
Meu prendedor seria executado com um amigo e moderar a intensidade. Correr rápido nos dias rápidos e lentos nos dias lentos

O sonho da primeira Maratona

Uma trajetória de superação, que emociona e inspira!

Confira a segunda parte da história dessa guerreira, Vânia Leme, e o sonho da maratona.

Em 2015, fiz minha última cirurgia e, totalmente reconstruída, tinha que definir minha metas na corrida. Escolhi 2015 como o ano para fazer diferente. O objetivo era fazer o maior número de meia maratonas possível, escolhendo trajetos diferentes. A ideia era fazer esssas corridas já para preparar para maratona, a meta final.

Fiz 6 corridas: Maratona de São Paulo- 25km, Half Marathon Mizuno, Run the Night (emendando no dia seguinte com o Iron Race), Meia de São Paulo, Athenas e Cross Run. Em junho, voltei para o jiu jitsu, mas ainda sentia bastante dores, da cirurgia.

Em julho, a boa notícia: inscrições abertas para Maratona Internacional de São Paulo!!!! Fiz imediatamente.

Falei com o treinador e defini minhas metas: queria 6 meses de treinamento. Em novembro, começamos os treinos.

Logo de início, senti a diferença. Todo treino era forte, não tinha como aliviar. Tentei manter a concentração e o foco, para seguir rigorosamente o ritmo, forçar ao máximo para fechar o treino.

Jiu jitsu dançou. Doendo bastante e cansando muito. Eu volto depois. No jiu jitsu já atingi minha meta, sou faixa preta 1ª Dan. Na corrida, ainda tenho muito a percorrer.

E a coisa foi ficando pesada!!! A cada treino longo, a distância aumentava… 20km, 25 km, 27 km, 29km! Tudo isso para correr no sol de verão.

No carnaval, o longo era de 31km. Feriado, não teve treino da equipe, fui sozinha. Camelback cheio de água, vamos correr. Com 24km eu quebrei. Estava numa descida e minha pernas não me obedeciam mais. Parei, comi uma barrinha, tomei água, descansei e continuei. Fui me arrastando, as pernas pesando toneladas. Se não conseguir este, como vou correr 42? Fiquei preocupada. Nos 29km, a perna falhou e eu cai, me estatelei no chão. Vantagem de ser lutadora é o reflexo, consegui não me machucar, só ralei o cotovelo direito, a órtese me atrapalhou na queda. Levanta, sacode a poeira e termina o treino, é assim que tem que ser. Terminei!

E cheguei à conclusão que não adianta a pressão de tempo, eu quero é concluir os 42.195m e chegar bem.

Tive outros momentos críticos, já quebrei fisicamente e emocionalmente. Meu treinador me empurrou, me mostrou que a gente não pode parar, tem que enfrentar.

Minha motivação nessas horas é me lembrar da fase em que fazia tratamento, que não conseguia correr. Via as pessoas correndo na rua, os amigos postando treinos e provas nas redes sociais, enquanto eu estava em casa. Prometi para mim que eu voltaria, que eu vou fazer o que gosto, o que eu quero. Desistir de um treino, se não for por motivo realmente concreto, é deixar o câncer me vencer, e isso nunca vai acontecer, por que eu me recuso a deixar.

Finalmente, chegou o dia, a Maratona!!! Apesar de tanta expectativa, experimentei uma tranquilidade sem fim. Fui para correr, estava preparada para isso, fiz o que queria fazer. Tempo de prova 5:15:58. Tinha decidido que eu não iria, em hipótese alguma, caminhar durante a prova. Mas não aguentaria correr o percurso inteiro. Fiz paradas nos postos de hidratação, me hidratei com calma, jogava água no corpo para refrescar, respirar fundo e seguir em frente. Correndo, levei 4:33. Fiquei muito satisfeita. Cheguei cansada, claro, mas não detonada. Só tinha dois pensamentos: “Eu consegui1” e “Quero fazer isso de novo!”

Corrida: desafio, superação e a vitória sobre o câncer de mama

Uma linda e emocionante história de uma mulher guerreira, que não se deixou abater pelos obstáculos e que com persistência e muita superação foi em busca do sonho de ser maratonista!

Confira a primeira parte da história de Vânia Leme na corrida!

Nunca gostei de esportes. Fugia das aulas de educação física na escola. Na faculdade, comprei um vídeo de ginástica da Jane Fonda e comecei a fazer em casa e, para minha surpresa, gostei. Aos 29 anos entrei pela primeira vez numa academia. Aos 32 anos, conheci o jiu jitsu e me apaixonei pela arte suave.

A corrida entrou na minha vida aos 38 anos. Em agosto de 2.010 minha amiga Lúcia me chamou para um treino de corrida. Fui à contragosto e me senti desafiada, pois achei bastante difícil. Decidi aprender. Minha primeira corrida foi em 24 de outubro de 2.010, série Delta. Corri 5km em 35:05! Terminei feliz e com uma determinação: correr a São Silvestre no ano seguinte! A partir daí, comecei a treinar corrida.

Minha primeira dificuldade apareceu rápido: sempre manquei com a perna direita e, na corrida, este problema estava agravando. Descobri que tenho hemiparesia do lado direito e comecei a fazer fisioterapia. Com o tempo, aumentando a intensidade dos treinos, comecei a ter problemas com a mão e comecei a usar uma órtese na mão direita em fevereiro/2013.

Os treinos foram evoluindo, consegui conquistar alguns pódios e chegou o momento de experimentar meia maratona. Fiz a primeira em 14 de março de 2.013, Meia Maratona Corpore, em São Paulo. Foi sensacional, me senti realizada e, a partir daí, me considerei realmente uma corredora. Então, hora de novos desafios: a maratona! Antes, parecia um sonho inatingível, mas agora era meta. Decidi pela Maratona do Rio, em julho/2014. Previ fazer mais 2 meias em 2.013, já me preparando para a Maratona.

Mas não deu certo. Em julho de 2.013 descobri um câncer de mama. Fiz dupla mastectomia em setembro de 2.013 e comecei a quimioterapia em novembro. Durante o tratamento, ainda corri um pouco, mas era mais trote do que corrida, mas mesmo assim me sentia bem. Corria sempre que conseguia. Em abril de 2.014 tive uma rejeição à prótese de silicone e tive que fazer nova cirurgia e foi preciso fazer enxerto com o músculo das costas do lado esquerdo. Isso me preocupou imensamente, pois temia que comprometesse meus movimentos, principalmente por que já tenho a paralisia do lado direito. Aí surgiu um desafio: Iron Race, corrida de obstáculos militarizados! Para mim, foi o “agora ou nunca”. Falei com meu treinador, ele disse que era loucura, que eu nunca ia conseguir. Falei com o fisioterapeuta. Ainda me emociono com as palavras dele: “Vamos treinar”. E treinamos! Quatro meses após a cirurgia, eu fiz a prova. Escalei paredões, subi por cordas, rastejei na lama sob arame farpado, atravessei rio. Chorei muito no final, me emocionei muito. Sabia que estava de volta e que poderia fazer tudo o que quisesse. Neste momento, cruzando a linha de chegada e pegando a minha medalha, soube que tinha vencido o câncer.

No dia 13 outubro de 2.014 terminei meu tratamento oncológico e comemorei no dia 19 com os 25km da Maratona de São Paulo. Ainda estava sob efeito dos medicamentos, com palpitações e dores musculares intensas, aliadas ao calor de 35 graus e pouca água. Teve realmente um gosto de vitória.

A maratona do Rio eu não fiz. Fiz 6 meia maratonas em 2.015 e em julho me inscrevi para a Maratona Internacional de São Paulo em 2016. É minha meta e eu sei que vou conseguir cumprir!