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Xterra Ilhabela: Beleza e desafio andam juntos

Ilhabela, cidade charmosa e rapidamente me conquistou… uma das cidades do litoral norte que ficam próximo onde moro e acreditem, não conhecia a cidade até pouco tempo atrás.

Comecei a freqüentar mais a cidade depois que comecei a correr, principalmente quando migrei para as corridas de montanha, fui várias vezes para treinar e então participar de provas.

Esse final de semana retornei a cidade para participar do Xterra, segunda prova do ano na ilha, a primeira foi o night run. Ano passado participei dessa mesma prova, fazendo então meus primeiros 21k de montanha.

Saí com meu namorado de São José dos Campos – SP sexta a noite, viagem tranqüila até chegar na balsa e ficar cerca de duas horas esperando para atravessar para a ilha. Depois da espera chegamos na casa onde ficamos hospedados, e com menos de 4 horas de sono antes da prova. Sábado cedo, levantamos, nos arrumamos e fomos para a largada.

Como sempre linda paisagem, um percurso com bastante sobe e desce, passando por meio de bairros e trilhas, bastante trechos com paralelepípedos e as trilhas muito boas para correr, também teve uma pequena travessia de rio que foi feita sobre as pedras.

Prova bem sinalizada, muito legal principalmente para quem está migrando das ruas para a montanha e não tem muita experiência. Quatro postos de hidratação durante o percurso e água fresca, o que é essencial afinal estava muito calor, úmido e a hidratação precisa de atenção redobrada.

Um pouco antes do km15 senti um mal estar devido ao calor e diminui um pouco meu ritmo para me recuperar e continuar bem a prova. Corri junto com meu namorado, ou melhor, ele correu comigo (risos), afinal ainda falta um pouco para correr no ritmo dele. Fizemos a prova como um treino de luxo para uma outra prova que vamos nesse final de semana e que vamos participar na categoria dupla mista.

Tenho que confessar que ainda tenho um pouco de dificuldade de correr em dupla, porque sempre acho que estou segurando a outra pessoa, e ele tem paciência viu..porque inúmeras vezes falei para ir na frente e ele disse não.

E falando em casal, essa foi uma prova que vi muitos casais correndo juntos, de todas as idades, bem bacana presenciar cenas assim e ver o incentivo um como outro.

E falando em incentivo, como dupla um ajuda o outro, no meu caso acho que ele me ajuda mais (mais risos), ele consegue mexer com meu psicológico muito bem. Faltando uns 2k para terminar a prova, sol rachando, cansaço batendo ele diz: “Agora não pode para mais”

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Todos nós já temos uma competição interna com nós mesmo que nos move, principalmente nos momentos que estamos mais cansados ou com dor, mas toda vez que ele diz algo como: não pode parar…tem que subir correndo… Não sei dizer, mas mexe com algo mais profundo, uma competição ainda mais acirrada comigo mesma começa.

Na hora sofro um pouco, mas depois vejo como me ajuda a perceber o quanto posso ir em frente e o poder que a minha mente tem sobre isso.

No final terminei a prova feliz, e com certeza irei voltar em outras etapas. Ilhabela já está no coração, e correr nesse lugar é muito bom!

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A Muralha Marathon: o grande desafio – by Fernanda Granja

Há três anos tenho como objetivo fazer uma maratona por ano. Faço isso com o intuito de me manter disciplinada tanto nos treinos como na alimentação e com isso tentar me manter em forma.

Escolhi a SP City Marathon da Asics como objetivo principal de 2016, porém qual foi minha surpresa quando algumas semanas antes dessa prova meu treinador Alan Zonzini me falou sobre uma outra maratona – A Muralha – e me perguntou se eu não gostaria de fazer também. Claro que minha primeira reação foi dizer não; ainda mais quando soube que a prova seria subindo de Penedo a Visconde de Mauá e a data seria apenas três semanas após a Asics!

Depois de algumas conversas com meu treinador e com meu marido – Hector – que decidiu fazer a prova, fui convencida a encarar o desafio.

Fiz apenas dois treinos específicos com subidas significativas e após o segundo treino me senti um pouco mais confiante mas fui para a prova muito ansiosa e com apenas um objetivo em mente: terminar dentro do tempo proposto pela organização.

No fim de semana fizemos uma viagem muito agradável para Penedo. No dia anterior a prova fomos até Visconde de Mauá para a retirada do kit; conversamos com alguns corredores e pessoas da organização o que só fez aumentar minha ansiedade e expectativa.

Fernanda e seu marido Hector antes da prova.
Fernanda e seu marido Hector antes da prova.

O dia da prova amanheceu um domingo chuvoso o que me deixou um pouco preocupada pois não gosto de correr com chuva. Na hora da largada porém, a chuva deu uma trégua e a temperatura agradável facilitou muito o andamento dos primeiros kilometros.

A vista maravilhosa e a atmosfera positiva da prova me fizeram sentir cada vez melhor durante todo o percurso e fiquei surpresa ao perceber que tinha passado com folga no ponto de corte!

Isso me motivou ainda mais a encarar o trecho até o kilometro  30 que seria a subida mais dura. Cheguei me sentindo ótima no kilometro 34 e encarei com coragem o trecho final que para mim se revelou o mais difícil da prova!

Chorei de alegria ao perceber, na chegada, que havia concluído a prova num tempo muito melhor do que eu esperava e ao final de tudo a grande surpresa: fui chamada para o pódio pois fiquei em segundo lugar da categoria feminino amador!

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Participar da prova A Muralha foi uma experiência única pois tive a oportunidade de encarar um grande desafio, em uma prova com uma organização impecável e ainda não apenas atingir mas superar meus objetivos. E agora estou pronta: que venham novos desafios!

Fernanda Sá Granja

A HIDRATAÇÃO EM ATIVIDADES DE LONGA DURAÇÃO

Todos nós sabemos da importância de manter nosso corpo bem hidratado nos treinos e provas de longa duração, mas será que estamos fazendo tudo certo? Será que a quantidade de líquido, ou o que bebemos está sendo suficiente para podermos ter o melhor desempenho? Ou a nossa performance sempre sofre um decréscimo devido a falta de uma correta hidratação?

Atletas que correm grandes distâncias e/ou por longos períodos necessariamente necessitam de reposição de líquidos, eletrólitos e carboidratos. Somente a água não vai conseguir repor o que seu organismo vai precisar.

A necessidade de líquidos é dependente de variáveis individuais e ambientais, e sua estratégia de hidratação deve ser sempre individualizada.

Apesar de parecer o contrário, a necessidade de hidratação é muito maior em ambientes úmidos do que em ambientes secos , assim como correr em ambientes abertos ou fechados (correr na rua X correr na esteira)

#Hidratação Pré Exercício

A ingestão de 400 a 600 ml de liquido, 2 a 3 horas antes do exercício diminuem os efeitos prejudiciais da desidratação durante o exercício. Algumas pessoas relatam dificuldade de ingerir essa quantidade tão perto de um treino/prova. Caso isso ocorra com você, procure manter uma melhor hidratação no dia anterior do treino e tente ingerir o máximo que conseguir no dia.

#Hidratação durante exercício

É comum começarmos a ingerir os líquidos somente quando começamos a sentir sede, porém , esta não é a melhor estratégia a se adotar. O ideal é iniciar assim que começamos a atividade. A ingestão de líquidos deve ser a feita a cada 15-20 minutos, volume de 150 a 300 ml, em média. O sódio deve estar presente em atividades de longa duração, com 500 a 700mg de sódio por litro. Carboidratos também devem estar presentes na proporção de 30 a 60 gramas por hora.

O uso de bebidas esportivas, com presença de carboidratos na proporção de 6 a 8% é recomendada.

É muito comum encontrarmos nas corridas de endurance pontos de hidratação com presença de refrigerantes. Eles contém uma quantidade maior de carboidratos(10 a 12%) e estão gaseificadas, o que pode provocar desconforto gastrointestinal. Mas, sugiro que converse com seu nutricionista/treinador sobre o que a bebida nesse momento pode te provocar sob o ponto de vista psicológico, é comum escutar relatos de corredores que após horas correndo, dariam tudo por um copo gelado de refrigerante! Fazer uma diluição com 1/3 de água e retirar o gás pode ser uma alternativa.

#Hidratação pós exercício

A água sozinha não é a melhor forma de hidratar o organismo nesse momento. Deve-se ingerir cerca de 150% de líquido em relação ao peso perdido. Vamos supor que a diferença entre o seu peso antes de iniciar a corrida e após o término seja , por exemplo , de 2 kg. A quantidade de liquido deve ser de 3 litros para repor as perdas, preferencialmente nas 6 horas seguintes. A bebida deve conter necessariamente sódio.

Matéria escrita pela nutricionista Lúcia Akamine Gomes

 

Quiz – Carreira de Marílson Gomes dos Santos

Boa tarde amigos!!! Vamos entrar no espírito olímpico?

Domingo veremos um atleta diferenciado, na minha modesta opinião o maior maratonista brasileiro junto com Vanderlei Cordeiro, competir e talvez se aposentar depois de uma extensa folha corrida de sucesso e dedicação ao esporte.

Vamos torcer muito por Marilson, um verdadeiro guerreiro que venceu no esporte num país que não dá apoio público nenhum a seus atletas.


Aqui vai um Quiz pra você testar seu nível de conhecimento sobre a carreira desse atleta fantástico:


1. Ganhou a São Silvestre:
a) Quatro vezes (2001, 2003, 2006, 2010)
b) Três vezes (2003, 2005, 2010)
c) Quatro vezes (2003, 2006, 2008, 2010)
d) Três vezes (2003, 2006, 2011)
e) nda


2. Bicampeão da Maratona de Nova Iorque em:
a) 2006 e 2008
b) 2006 e 2010
c) 2006 e 2011
d) 2003 e 2006
e) nda


3. Sua melhor marca nos 10.000 metros é:
a) 29’28”
b) 28’28”
c) 27’28”
d) 26’28”
e) nda


4. Na Olimpíada de Londres:
a) abandonou no km 25
b) abandonou no km 28
c) ficou em quarto lugar
d) ficou em sexto lugar
e) nda


5. Seu melhor tempo na meia-maratona é de:
a) 01h00’12”
b) 59’33”
c) 01h00’13”
d) 59’56”
e) nda


Gabarito: baceb
Se você acertou 0 e 1: torcedor pé-duro; 2 acertos torcedor razoável; 3 acertos torcedor antenado; 4 acertos torcedor fanático e 5 acertos torcedor monstro!

O inesperado top 20 – por Mari Brugger

Asics Golden Run 21k – por Mariana Brugger

Essa prova não estava no meu calendário do semestre e resolvi competi-la poucas semanas antes a convite da Asics, desde então resolvi continuar meus treinos com subidas, os que já estava fazendo para o desafio Beat The Sun que competi há pouco mais de um mês.

Cheguei em São Paulo na sexta feira, tive alguns compromissos ao longo do dia e a noite fui conhecer um pouco da vida noturna da cidade. Mesmo com poucas horas de sono acordei cedo e fui no Ibirapuera fazer um treino para soltar a musculatura e prepara-la para a prova. Almocei com alguns amigos do grupo Bio2 Organic, que até então eram virtuais e a noite aquele tradicional jantar de massas em uma cantina super charmosa com amigas.

Dia da prova, despertador tocou as 4:20, comecei a me arrumar e me dei conta que o café da manhã do hotel não abriria a tempo e tudo que eu tinha no quarto era uma garrafa de água e géis de carboidrato que usaria ao longo da prova, depois de 5 minutos de desespero minha amiga Luciana me ofereceu um café da manhã na casa, ufaaaa, então peguei um táxi e fui encontra-la. Saímos da casa dela correndo e 1 km depois já estávamos no lugar da largada, deixamos nossas coisas no guarda volumes e fomos para o funil da largada.

Larguei sem muita pretensão de fazer meu recorde na distância que era de 1h35 já que o percurso era muito travado e com grandes subidas e não consegui chegar cedo e pegar uma boa posição no funil de largada, comecei a prova com o pórtico marcando quase 3′, falei até com a minha amiga Luciana que seria impossível conseguir a medalha Top 20 já que ela é recebida por ordem de chegada e não pelo tempo líquido de prova.

Passei pelo pórtico de largada com uns 3 minutos depois e muita, muita gente estava na minha frente, então o primeiro km foi bem devagar e desviando das pessoas, no segundo já comecei a conseguir colocar o pace que estava pensando em fazer, 4:30/km, fui assim ate o km 4, quando comecei a me sentir muito bem e decidi ser ousada e ariscar tudo, baixei muito e virei os primeiros 5km para 4’27″/km, continuei acelerando e os outros 5km já saíram para 4’17″/km os outros 5km saíram para 4’19″/km com a subida da brigadeiro e os últimos 6km pace de 4’14″/km ou seja, uma prova perfeita, progressiva e muito forte!

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Quando cruzei a linha de chegada e fui recebida com a linda medalha de TOP 20 transbordei de felicidade por ter sido algo super inesperado pra mim!

No resultado geral fiquei em oitavo lugar! Agora fico na vontade de fazer um sub 1h30, quem sabe ainda esse ano.

Meu próximo desafio será o mundial de IRONMAN 70.3 na Austrália dia 4 de setembro. Torçam muito por mim!

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Chamonix e trail running: a combinação perfeita – by Fabi Bernades

Eu já tinha vontade de conhecer Chamonix e como tinha um compromisso profissional na Europa, procurei em função disto um camp de corrida próximo da data que deveria estar lá.

Encontrei em Chamonix um que se encaixou com as minhas datas e mal sabia o quanto estes cinco dias na região do Mont Blanc seriam tão ricos e de tão encantadora experiência.

O objetivo do camp é trabalhar técnicas de trail running, orientação, estudo de mapas e do clima da região, em locais de absolutamente tirar o fôlego por tamanha beleza e a cada dia estavamos nós, um pequeno grupo de 4 pessoas, 3 britânicos e uma brasileira guiados pelo corredor e coach Kingsley Jones da Icicle, empresa que também oferece camp de escalada e hiking, nesta aventura.

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Chamonix é uma pequena cidade francesa cercada de cadeias enormes de montanhas, próxima a fronteira da Suíça e da Itália.

O estilo de vida das pessoas é em função da montanha, durante todo o tempo vemos as pessoas de vários lugares do mundo com seus equipamentos de escalada e corrida nos bares e restaurantes, chegando ou indo para montanha, aliás minha grande surpresa foi encontrar famílias inteiras, muitas crianças pequenas e também idosos nas trilhas da montanha.

Aqui quando vamos para as trilhas raramente encontramos outras pessoas, mas lá, não importa o grau de dificuldade do percurso, sempre encontramos pessoas nas trilhas e outra coisa que também me chamou a atenção foi a quantidade de mulheres treinando sozinhas, coisa que aqui no Brasil nos traz grande receio devido a falta de segurança.

Não houve treino com menos de 2.000m de altitude, portanto todos os dias o treino já iniciava subindo, e subindo muito!!

Nestes dias pudemos vivenciar diferentes trilhas, com pedras, dentro de bosques, trilhas abertas e estreitas cercadas por geleiras.

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Praticamos técnicas de utilização do bastão para ajudar nas subidas e descidas, técnicas para coordenar o ritmo da respiração, como subir correndo passos curtos e as descidas que em alguns momentos pareciam não ter fim.

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O principal no entanto que vi ali nestes dias, foi o quanto as montanhas são amadas, cuidadas, protegidas, admiradas, porque tudo gira em torno delas, são estudadas, há investimento e incentivo para que as pessoas conheçam as montanhas e suas maravilhas.

Não vi um único papel no chão, uma única garrafa que fosse, o que vi foi somente folhas e flores, montanhas tão altas que se tornavam azuis e trilhas belíssimas que nos convidavam a correr e celebrar a vida.

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Os 5 dias de camp e suas altimetrias:

Dia 1 – Vertical Kilometre de Chamonix 1035m para Planpraz 2035m e seguimos para La Flegere 1877m voltando pela via La Floria 1377m para Chamonix.

Dia 2 – Le Tour 1453m para Aiguillette des Posettes 2201m seguindo via Col des Posettes 1997m para Col de Balme 2191m e retornando via Charamillon to Le Tour.

Dia 3 – Le Mont 1150m para Chalet des Pyramides 1895m e para Gite a Balmat 2530m e La Jonction 2589m retornando pela mesma rota.

Dia 4 – Planpincieux 1568m seguindo para La Leche 1902m, e Armina 2009m continuando para Pas Entre Deux Sauts 2525m, descendo para Rifugio Bonatti 2025m e retornando via Armina to Planpincieux.

Dia 5 – Le Bettey 1352m para Le Plan de la Cry e Pierre Blanche 1697m e Aiguillette des Houches 2285m seguimos para Pointe de Lapaz 2313m e Aiguillette du Brevent 2310m, descemos para o Refuge de Bel Lachat 2136m e Merlet and Le Bettey.

 

Fabiana Bernardes

 

 

Asics, a maratona dourada

Estava me preparando para a minha primeira maratona, a internacional de São Paulo, que seria dia 17 de abril de 2.016, quando apareceu a Asics São Paulo City Marathon, marcada para dia 31 de julho. Circuito inédito, me pareceu interessante. Já estava treinando, seria só esticar o treino mais 3 meses, ainda daria para melhorar a performance.. perfeito! Fiz a inscrição.

Fiz a maratona de SP, foi maravilhoso e já comecei a focar na Asics. Primeiro contratempo veio logo em seguida: começo de maio, quando ia começar a pegar pesado nos treinos, tropecei durante um treino funcional e torci o tornozelo. A princípio, nada grave, nenhuma fratura nem ruptura. Só precisava descansar, colocar gelo, o básico.

Mas nesta época meu pai, que mora em Ubatuba, uns 130 km da minha cidade, estava em estado terminal, câncer em metástase, eu estava indo direto para lá para ficar com ele e minha mãe. Neste período, sem chance de cuidar do pé e a lesão não regrediu. Ele faleceu em 16 de maio, e dias antes, tinha perguntado se eu iria fazer outra maratona. Respondi que sim, já estava chegando a próxima, ele, embora debilitado, sorriu. Aí, virou uma promessa!

Fiz fisioterapia, o pé melhorou e voltei a treinar. Frio intenso de inverno, comecei a sentir dor intensa nas costas, onde fiz cirurgia. Fiz um treino de 39 km, onde comecei a sentir dor desde o km24, parecia que estava sendo apunhalada. No final não conseguia ficar com as costas retas, nem respirar direito. Só terminei o treino por que, se desistisse, sabia que não ia conseguir encarar o desafio da maratona. Se doeu naquele dia, poderia acontecer o mesmo no dia da prova. Neste dia, não consegui nem dormir de dor e aí voltei no fisioterapia. Ele fez umas mágicas, as dores foram aliviando, comecei a fazer rpg, para melhorar a postura, deu certo.

Dia da prova, empolgação total! Como, por todos os transtornos, não tinha treinado adequadamente, estava totalmente desencanada com tempo, minha meta era, exclusivamente, cruzar a linha de chegada, de preferência, inteira. Meu namorado, Ricardo, me acompanhou de bike a partir dos 21km, foi mágico correr junto com ele.

E a corrida foi fantástica! Foi muito mais cansativa do que a primeira, por falta de preparo, mesmo, mas consegui fazer todo o percurso correndo, sem caminhar. Fiz algumas paradas, para tirar a roupa quente, quando o sol saiu. Parada inédita no posto médico: distribuíram uma esponja molhada no percurso e eu esfreguei nas pernas, que estavam cansadas, e não demorou muito para começar a dar uma coceira, a perna foi ficando vermelha, começou a inchar. Parei no posto, esfreguei álcool, melhorou.

Final de maratona, não consigo descrever a sensação de ver a placa de 41km! O coração dispara, bate uma emoção incontrolável, as lágrimas jorram. Mesmo exausta, acelerei o ritmo. Não eram mais as pernas que corriam, o controle passou para o Coração. Na reta final, a visão da linha de chegada me lavou a alma, dever cumprido, todos os obstáculos só fazem a conquista ser mais saborosa. Felicidade extra ver meus treinadores, minhas amigas e meu namorado me esperando pouco antes da chegada! Hi- five para todos e cheguei, Duas maratonas em pouco mais de 3 meses.

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Na largada, estava tocando Satisfaction, dos Rolling Stones. Na chegada, lembrei da música, por que completar a prova não me deixou satisfeita. Eu quero mais, eu quero muito mais!

 

Maratona – razão x coração – By Fabiano Horimoto

Tenho 44 anos, sou médico, maratonista e duatleta. Corro há 5 anos e acredito já ter passado por várias fases como corredor, num processo evolutivo muito gratificante dentro desse esporte maravilhoso. Nesse domingo, 31/7, tive mais uma lição, aprendizado e sinal que estou no caminho certo, apesar do resultado ter sido muito ruim. Corri a primeira maratona promovida pela Asics no Brasil e do ponto de vista de organização, estrutura e o que foi oferecido a nós corredores, a marca estabeleceu um nível muito mais elevado do que se oferece nas maratonas brasileiras. Foi perfeito!

Mas voltando à minha história, seria minha terceira maratona e pela primeira vez estava treinando de forma adequada, com auxílio de uma assessoria esportiva, a Lobo de São Bernardo do Campo, e com um planejamento para a prova bastante acertado. Nos 2 meses que antecederam a corrida vinha tendo dores decorrentes de inflamação na banda ileo-tibial, que consegui tratar de forma intensiva e nas 3 últimas semanas fiz todos os treinos sem dor.

No dia da prova estava bastante confiante, tudo saindo conforme planejado: alimentação, descanso e hidratação estavam em dia. Larguei ao mesmo tempo emocionado por estar ali e confiante de que iria fazer uma grande prova. A estratégia era muito simples: correr até o km 30 num pace de 5 min/km e depois reavaliar minha condição e manter ou acelerar o ritmo. Esse era o plano A. O plano B seria caso sentisse muito cansaço tentar terminar a prova abaixo de 4 horas. Mas o que ocorreu foi o plano C: tive que parar a prova na altura da meia-maratona.

Nos primeiros 10kms corri como um relógio: passei essa altura em 50’17”. Na subida da Avenida Brigadeiro o ritmo caiu muito pouco e subia com facilidade. Na descida desta mesma avenida me cuidei para não deixar aumentar muito a velocidade e correr o risco de se machucar. Tudo saiu conforme o planejado até o km 14 quando meu joelho direito fisgou, o clássico sinal da inflamação da banda ileo-tibial avisando que estava mais viva do que nunca. Corri uns 300 metros com dor. Parei, alonguei e mudei um pouco a postura, na tentativa de continuar vivo na prova. Mais dois kms e a dor voltou mais forte. No km 19 tive que parar novamente para alongar, mas já sabia que a maratona tinha ido por água abaixo.

Nessa altura a decisão mais acertada era parar na meia-maratona para a lesão não agravar. A razão pedia isso. Porém o coração queria ir até onde desse…quem sabe não completaria a prova mesmo me arrastando? Sinal de superação! Só que não: com o meu amadurecimento como corredor, continuar seria sinal de burrice e não superação. Ouvir nosso corpo falar, em caso de lesão, é o mínimo para quem deseja vida longa na corrida. Conviver com a dor do esforço extenuante na Maratona faz parte do jogo e devemos ter força mental pra não deixar o corpo parar nessa hora. Agora, conviver com a dor de uma lesão, que não melhora com o passar do tempo, pelo contrário só aumenta de intensidade, é uma tremenda estupidez.

Temos que saber processar nossas frustrações nesse momento e dar uma pausa para se recuperar, afinal de contas o calendário de provas continua e o importante é correr com saúde e qualidade!

Essa foi minha história da Maratona que virou meia-maratona por força das circunstâncias, mas como meu próprio técnico falou: usei a inteligência e não a paixão e tenho mais uma meia pro currículo, o que também é uma grande conquista!

Desafio das Serras 2016

A energia de uma prova trail é sensacional, agora imagina poder correr dois dias e ainda acampar com os outros atletas nessa atmosfera puramente trail. Essa experiência existe e estamos aqui para contar um pouco de como é o Desafio das Serras, que iremos estar presentes daqui 1 mês.

Este ano a prova irá acontecer em São Francisco Xavier interior de São Paulo 03 e 04 de setembro, uma região cercada pela Serra da Mantiqueira e que atrai muitos praticantes de corrida, trekking e MTB. A prova vem com uma dinâmica um pouco diferente das demais, ocorrendo em 2 dias com uma pernoite em um acampamento com toda a infraestrutura que nós corredores necessitamos (barraca, banheiros, alimentação e um visual incrível), a estrutura da prova é dividida em 2 percursos, médio com 40km e o longo 80k onde o atleta pode optar em ir solo ou em dupla, nós da RMX vamos no médio onde no sábado iremos percorres aproximadamente 20k até o acampamento e no domingo retornamos para a cidade completando o restante do percurso.

Dados Técnicos:

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Altimetria percurso médio.
dia 3
Altimetria percurso longo.

 

O Desafio da Serras é uma prova voltada para quem já tem um pouco de experiência no trail devido as distâncias e altimetrias, uma excelente clínica para quem pretende evoluir no esporte ou quem buscar aumentar a distância; é uma prova de fogo como preparação para o El Cruce. A prova ainda é survivor, os atletas largam com tudo que irão usar durante o percurso, os únicos apoios são nascentes e rios que possibilitam a reposição de água.

Logo mais sairá uma matéria mostrando as belezas desta região e um pouco de como foi a minha preparação para a prova; é uma região muito rica em natureza e um paraíso para quem pratica trail.

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Pedra Partida, Serra da Mantiqueira.

Corre que ainda há vagas para ambas as distâncias, não fique de fora dessa grande aventura. Para mais informações acesse:

http://www.adventurecamp.com.br/?page_id=1478

Video Desafio das Serras 2014 em SFX.

Próxima meta: chegar descansada- by Denise Kelen

Como comecei

Meu nome é Denise Kelen, tenho 34 anos, sou de São José dos Campos, mas moro em São Paulo há três anos e meio.

Comecei a correr (se é que posso chamar aquilo de corrida) em 2009, incentivada pelo meu pai, que sempre correu. Cresci vendo-o coordenar um grupo de corrida, na época chamado de Coraj (Corredores Associados Joseenses), e a sair de casa ao anoitecer, rumo à cidade de Aparecida do Norte (SP). Muitos corredores se reuniam no dia de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) para essa empreitada de 100 km no asfalto.

“A temperatura a noite era melhor”, diziam. Muitos não chegavam ao destino, mas tenho recordações do meu pai entrando em casa, no dia seguinte, com bolhas e mais bolhas nos pés. Missão cumprida!

Pai da Denise em corrida de rua
Pai da Denise em corrida de rua

É interessante ver que ele, há mais de 30 anos, já fazia o que se tornou hoje uma profissão, uma atividade tão disseminada e procurada: a criação e participação em grupos de corrida. A prática se profissionalizou e agora tem um nome mais bonito, ‘assessoria’. Com o avanço das técnicas esportivas e da medicina preventiva, é claro que a prática do atletismo hoje também é feita com muito mais preparado e que a recuperação dos atletas conta com tratamentos de alta tecnologia.

Meu pai e os amigos da década de 50, sem saber, já faziam ‘treinos de montanha’, outro bonito nome usado atualmente. Mas como ele mesmo diz, “aquilo era correr em barrancos”. Ah, e você acha que nesse desafio para Aparecida, eles tomavam isotônicos e usavam coletes de neon ou qualquer outro elemento refletor para ser visto pela luz dos carros? Claro que não! A única coisa que levavam era fé e rapadura.

Durante muitos anos corri apenas 5 km com meu pai porque essa distância não exigia de mim treinos regulares ou muita disciplina. A rotina de aulas aeróbicas na academia era suficiente para encarar, às vezes, algumas provas curtas de corrida de rua. As participações em provas eram esporádicas. Até os 30 anos não existiam metas, sonhos e paixão pelo atletismo.

 

Quando quebrei

É curioso pensar que foi justamente quando me apaixonei pela corrida, que passei a ter novas companhias: três hérnias na lombar. Resultado da minha falta de conhecimento e consciência corporal e, principalmente, dessa minha ânsia em querer praticar atividade física sempre de forma impulsiva, sem nenhum tipo de preparo.

Foi quando essas novas ‘amigas’ surgiram que, por ironia e teimosia, aumentei os meus percursos. Ou seja, continuei fazendo a coisa certa, da maneira errada. Durante três anos, de 2012 a 2015, vivi com cores, falava mal da fisioterapia e participava de uma prova aqui, outra ali…. Entre um Tramal e outro, fazia 5km, depois10km, em seguida 16km. Aumentava a dose do Tandrilax, do Sedilax e insistia.

Durante esses anos, a dor ia, voltava, se acentuava nas filas de banco. Na balada com as amigas, a cena era: elas dançando e eu procurando uma cadeira. Para andar de metrô, um sacrifício: descia em algumas estações para sentar.

Até que o previsível aconteceu. Em 2015, na tentativa de fazer 21km, quebrei no km 17 e quase não consegui andar. Era o dia do meu aniversário, Meia Maratona de São Paulo. Achei que o fato de ser uma data especial e de eu estar ao lado de amigas queridas que eu mesma incentivei a participar fosse me ajudar a cruzar a linha de chegada menos cansada. No entanto, nesse dia, percebi que eu realmente precisava fazer o óbvio: treinar.

 

Quando recomecei

 Depois dessa prova (ou quase prova), minha lombar pulsava sem pausa, a dor irradiava e o formigamento nas pernas e pés veio para ficar. Foi aí que, junto ao medo de perder a mobilidade, de não poder mais correr e de continuar tendo que agachar no meio da rua, veio também a (atrasada) decisão de buscar ajuda em um tripé: pilates para alongamento e fortalecimento muscular; assessoria para orientações e exercícios educativos; nutricionista para alimentação sem leite condensado (risos).

Foi difícil receber o ‘diagnóstico’ de cada profissional que fui consultar. A professora do pilates imitou o meu modo de caminhar. O que era aquilo? Era assim que eu andava? Corpo solto, jogando o quadril para os lados. Ouvi dela que essa mesma região do meu quadril parecia uma pedra de gelo, sem nenhuma flexibilidade. O treinador da assessoria concordou com esse meu jeito ‘largado’ e do consultório da nutricionista eu saí com muita raiva.

Achei que ela foi rude na maneira de me apresentar os 31% de gordura que eu tinha no corpo e o ‘mapa’ da minha alimentação que era basicamente vermelho e amarelo. Senti raiva sim, mas daquela realidade. De fato, os alimentos verdes eram uma raridade no meu prato.

Em três meses, perdi 10 quilos. Esse sentimento ruim foi necessário para que eu focasse e atingisse os objetivos. Os famosos veneninhos brancos – leite, açúcar, arroz, sal, farinha de trigo – praticamente deixaram de fazer parte da minha rotina. Outra estratégia era pegar das prateleiras dos supermercados os alimentos que eu desconhecia ou que há muito tempo não consumia.

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foto esquerda – antes do acompanhamento com profissionais
foto direita : Depois do recomeço e perder 10k

Mas nenhuma estratégia funcionaria se eu não tivesse amigas que já se alimentavam de forma mais saudável e me inspiravam; se meus pais não mudassem o cardápio para me receber em suas casas e se meu marido não cozinhasse para nós, substituindo as batatas assadas pelos caldos de abóbora. Tenho a sorte de ter um Chef exclusivo.

Então, com todas essas mudanças meu desempenho numa meia maratona melhorou? Não! (risos). Neste ano decidi fazer a mesma prova, a Meia Maratona Internacional de São Paulo, mas me esqueci de trabalhar um quarto ponto fundamental nesse pilar das corridas de rua: a ansiedade.

Saí de casa apressada para chegar logo ao local da prova, o que prejudicou a minha alimentação. A grande vontade de correr e de concluir aqueles 21km de curvas e subidas que tinham me desafiado no ano anterior, me fez achar que uma banana com aveia era suficiente. E quem precisa de gel, não é mesmo? Mais uma vez, faltando cerca de 3km para finalizar, as minhas pernas pararam de me obedecer.

Essa nova frustração apenas comprovou que (ainda bem), sempre haverão novos erros e, assim, novas expectativas. É um ciclo.

Eu sigo na meta de, algum dia, terminar os 21 conseguindo controlar meu próprio corpo e como diria o meu pai “chegar descansada”!

Cross Run Taubaté 10k
Cross Run Taubaté 10k