Corrida: desafio, superação e a vitória sobre o câncer de mama

Uma linda e emocionante história de uma mulher guerreira, que não se deixou abater pelos obstáculos e que com persistência e muita superação foi em busca do sonho de ser maratonista!

Confira a primeira parte da história de Vânia Leme na corrida!

Nunca gostei de esportes. Fugia das aulas de educação física na escola. Na faculdade, comprei um vídeo de ginástica da Jane Fonda e comecei a fazer em casa e, para minha surpresa, gostei. Aos 29 anos entrei pela primeira vez numa academia. Aos 32 anos, conheci o jiu jitsu e me apaixonei pela arte suave.

A corrida entrou na minha vida aos 38 anos. Em agosto de 2.010 minha amiga Lúcia me chamou para um treino de corrida. Fui à contragosto e me senti desafiada, pois achei bastante difícil. Decidi aprender. Minha primeira corrida foi em 24 de outubro de 2.010, série Delta. Corri 5km em 35:05! Terminei feliz e com uma determinação: correr a São Silvestre no ano seguinte! A partir daí, comecei a treinar corrida.

Minha primeira dificuldade apareceu rápido: sempre manquei com a perna direita e, na corrida, este problema estava agravando. Descobri que tenho hemiparesia do lado direito e comecei a fazer fisioterapia. Com o tempo, aumentando a intensidade dos treinos, comecei a ter problemas com a mão e comecei a usar uma órtese na mão direita em fevereiro/2013.

Os treinos foram evoluindo, consegui conquistar alguns pódios e chegou o momento de experimentar meia maratona. Fiz a primeira em 14 de março de 2.013, Meia Maratona Corpore, em São Paulo. Foi sensacional, me senti realizada e, a partir daí, me considerei realmente uma corredora. Então, hora de novos desafios: a maratona! Antes, parecia um sonho inatingível, mas agora era meta. Decidi pela Maratona do Rio, em julho/2014. Previ fazer mais 2 meias em 2.013, já me preparando para a Maratona.

Mas não deu certo. Em julho de 2.013 descobri um câncer de mama. Fiz dupla mastectomia em setembro de 2.013 e comecei a quimioterapia em novembro. Durante o tratamento, ainda corri um pouco, mas era mais trote do que corrida, mas mesmo assim me sentia bem. Corria sempre que conseguia. Em abril de 2.014 tive uma rejeição à prótese de silicone e tive que fazer nova cirurgia e foi preciso fazer enxerto com o músculo das costas do lado esquerdo. Isso me preocupou imensamente, pois temia que comprometesse meus movimentos, principalmente por que já tenho a paralisia do lado direito. Aí surgiu um desafio: Iron Race, corrida de obstáculos militarizados! Para mim, foi o “agora ou nunca”. Falei com meu treinador, ele disse que era loucura, que eu nunca ia conseguir. Falei com o fisioterapeuta. Ainda me emociono com as palavras dele: “Vamos treinar”. E treinamos! Quatro meses após a cirurgia, eu fiz a prova. Escalei paredões, subi por cordas, rastejei na lama sob arame farpado, atravessei rio. Chorei muito no final, me emocionei muito. Sabia que estava de volta e que poderia fazer tudo o que quisesse. Neste momento, cruzando a linha de chegada e pegando a minha medalha, soube que tinha vencido o câncer.

No dia 13 outubro de 2.014 terminei meu tratamento oncológico e comemorei no dia 19 com os 25km da Maratona de São Paulo. Ainda estava sob efeito dos medicamentos, com palpitações e dores musculares intensas, aliadas ao calor de 35 graus e pouca água. Teve realmente um gosto de vitória.

A maratona do Rio eu não fiz. Fiz 6 meia maratonas em 2.015 e em julho me inscrevi para a Maratona Internacional de São Paulo em 2016. É minha meta e eu sei que vou conseguir cumprir!

3 thoughts on “Corrida: desafio, superação e a vitória sobre o câncer de mama”

  1. guerreira, conheço bem ( pra completar, é competente advogada).
    a novidade: vai correr com a tocha olímpica em nossa cidade, ela merece…

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