Eu e a Montanha – Desafio das Serras.

Ter o privilégio de poder correr 2 dias e meio a Serra da Mantiqueira e ainda acampar ao seus pés é uma oportunidade que não se tem todo dia, e graças ao Desafio das Serras pude viver essa experiência e tenho o prazer de compartilhar com vocês.

Mesmo treinando várias vezes nesta mesma montanha e conhecendo boa parte do percurso, a sensação de correr foi completamente nova, é uma energia que contagia, a ansiedade da largada, os corredores, tudo deixa o espetáculo mais bonito.

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Largada Desafio das Serras 1º dia.

A praça de São Francisco Xavier ficou pequena para tantos corredores, uma mancha azul tomou conta da cidade, e às 8:35 foi dada a largada para ambos os percursos ( 40 e 80 quilômetros ) optei por participar dos 40k solo, o primeiro dia teríamos que percorrer 20k até o acampamento, o primeiro dia tem o percurso mais lento e técnico, foram praticamente 11k de subida passando por estrada de terra e single track. Por conhecer o caminho e gostar de trilhas mais técnicas imprimi um bom ritmo e consegui passar alguns atletas; com isso me distanciei do pelotão mas sem avistar os ponteiros, estava correndo sozinho.

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Trilha do Jorge.

Tudo caminhava como planejado, mas às vezes o nosso corpo não responde como esperamos, próximo do fim da interminável subida já havia sentido algumas fisgadas nas panturrilhas, mas nada fora do comum, mas o que era um incômodo virou um pesadelo, praticamente elas ganharam vida, nunca tinha sentido tanta dor como senti naquele momento. Mas meu foco era o fim da prova, não passou pela minha cabeça desistir, poderia terminar andando mas desistir não. Me hidratei, comi um chocolate, e ali era hora de um incentivo extra, e a música pelo menos para mim ajuda muito, selecionei o álbum Canterbury do Ginger Runner e voltei a correr.

Estava na parte mais bonita da prova, a travessia da Serra do Poncianos rumo a Pedra Partida, tentei correr o máximo que pude, gritei, cai.. mas levantei e segui a diante, chego na parte mais crítica para mim, apesar de ser uma pequena escalaminhada as pernas não respondiam muito bem o que me passou uma insegurança, mas a organização colocou algumas cordas que ajudaram e muito, alcanço o cume e ambas as panturrilhas travam, fico alguns segundos parado sofrendo com as dores mas ao mesmo tempo feliz por ter conseguido chegar até ali e ter  uma vista maravilhosa da cidade de Monte Verde e São Francisco Xavier.

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Vista Pedra Partida, ao fundo Monte Verde.

Chego na parte mais técnica da prova uma descida com muitos obstáculos, eu adoro aquele lugar e tive o privilé3gio de treinar inúmeras vezes neste trecho, e para descer as pernas respondiam bem, volto a correr bem e o sorriso logo toma conta, eu sabia que a partir daquele ponto teria mais 5 quilômetros de prova sendo uma descida em uma trilha larga e rápida até o acampamento; consigo manter um bom ritmo mas as dores sempre estavam presentes, sai da trilha e chego na estrada de terra que leva ao acampamento, um trecho curto mas parecia não ter fim, tento manter o ritmo mas era difícil, caminho, corro e fico nesta troca até avistar as barracas, ali tive a certeza de estar chegando, sorriso no rosto e aquele gás final para cruzar o pórtico.

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Descanso merecido.

Finalizei o primeiro dia com 3h de prova e a 20ª colocação nos 20k solo.

Continua…

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