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Uma prova diferente!

Neste domingo fiz minha oitava meia-maratona. Treinei pra tentar conseguir uma boa colocação pois sabia que tinha chance de subir no pódio se fizesse uma boa prova.

A meia de Bauru tinha um percurso bom até o km 9, depois era só descida e subida. Fiz os 10 primeiros kms em 45 minutos e passei os 15k com 01h e 08 minutos, muito bom mesmo com as subidas duras nessa etapa.

Estava correndo com o foco em conseguir uma boa colocação na minha faixa etária, talvez até um pódio se mantivesse esse ritmo. Porém no km 16 avistei um corredor passando mal. Estava cabisbaixo e vomitando. Resolvi parar. Tinha uns 50 anos e disse estar com muita tontura. Estávamos sozinhos neste trecho e corri até o staff da água que estava 1km atrás, porém não tinham comunicação com o staff da prova; porém conseguiram ligar pra chamar o socorro.

Chegaram em uma moto e levaram ele embora. Voltei à prova num ritmo mais confortável e fechei em 01h49″ porém fiquei satisfeito de poder ajudar um parceiro que estava passando mal. São por esses momentos que eu corro!

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XC RUN Búzios – Em busca de desafios by Kele Veras

Tudo começou em 2015, num jantar e na véspera de prova (Asics 21k) com amigas cariocas me convidaram para participar da prova em Búzios.

Na ocasião, estava me preparando para a primeira Maratona e a XC Run Búzios seria logo após. Fiquei um pouco receosa por conta da proximidade, mas acabei aceitando o desafio.

No primeiro ano fiz os dois primeiros trechos. Foi uma experiência incrível e tão empolgante que resolvi retornar no ano seguinte para fazer os temidos terceiro e quarto trecho.

E repetindo a saga do ano anterior… preparação para uma nova Maratona e Búzios… o que eu não esperava era a mudança de data da prova (devido ao Enem), que aproximou a duas num espaço de 15 dias.

Como amo desafios, fui para Búzios com as amigas em busca de desafios. Não tinha a menor ideia do percurso, sabia apenas que era mais difícil do que os primeiros trechos.

Fiquei na transição aguardando minha dupla que chegou por volta das 10 horas. Estava bem animada e aliviada, porque estava nublado e uma temperatura agradável… assim comecei minha jornada de  21k, ainda dolorida da Maratona, mas empolgada com o que estava por vir.

Mas não imaginava que seria tão “hard”,  o começo já teve uma subida sem fim, olhava para cima e pensava, “gente isso não vai acabar mais?!?”… lembro que brincava com os corredores que estavam próximos, dizendo: Gente eu pedi para subir na vida, mas não precisava ser tanto…kkkkk

A prova foi intensa do começo ao fim, passei por trilhas fechadas, tive que ser equilibrista para passar pelos arames farpados do caminho. Alguns trechos com lama que abraçaram o meu lindo par de tênis…rsrs Mas não foi por muito tempo, já que no trecho seguinte, tive que passar pela areia e água até os joelhos.

Chegando no km 18, acreditando que tivesse passado por tudo…mas não foi bem isso, lembro que saímos da areia, passamos por algumas pedras e saímos num corredor, percebi que havia fila…pensei: Será que aconteceu algo? Até porque não tem subidas?!?  Bem, quando vi um muro e uma corda, pensei: a prova acabou pra mim…kkk estava tão cansada que não conseguiria subir. Já pensei nas pessoas empurrando a porpeta aqui… foi tão engraçado e ao mesmo tempo desesperador…mas no final consegui um apoio com um staff da prova… Ufa!! Essa tinha sido por pouco… mas no final consegui finalizar mesmo com uma subida e areia fofa no final.

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Quanto à hidratação, um ponto a melhorar e observação aos organizadores, acredito que deveria ter mais pontos numa prova deste grau de dificuldades e clima quente do RJ. Até porque os 1,5l de água que levei não foram suficientes.

Mas tirando a deficiência na hidratação a prova foi linda. Paisagens de tirar o fôlego e que valeram a pena sair do asfalto.

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De 140kg a 75km – Maresias x Bertioga by Eduardo Lima

Aos 30 anos, sofria de pressão alta, sentia dores no corpo e dormia mal. O sedentarismo e a alimentação desregrada haviam me deixado com 140kg em meus 1,80 metros, resultando em obesidade mórbida. Insatisfeito com a vida que levava, em dezembro de 2011 decidi mudar radicalmente.

No início de 2012, incentivado pelo meu irmão, comecei a caminhar. Aos poucos, a alimentação foi melhorando e os treinos evoluíram para a corrida. Em junho do ano seguinte, comecei a fazer musculação, meses depois procurei orientação profissional e acelerei ainda mais a perda de peso.

Na academia existia um grupo de corrida, comecei a fazer parte deste grupo e posteriormente me convidaram para correr uma prova em Bertioga, uma prova de revezamento a qual me apaixonaria… Enfim, em 2014 conheci a Ultramaratona de Revezamento Bertioga Maresias participando pela primeira vez em um grupo de 8 corredores misto.

Minha 2ª participação foi em maio 2015, dessa vez em um grupo de 6 corredores misto, mas decidido a encarar essa prova sozinho, o que muitos diziam ser uma loucura. Loucura essa que decidi encarar na segunda etapa do ano.

Treinando com uma equipe de corrida e um treinador orientando. Foram meses de preparação focada e finalmente encarei o SOLO na minha 3ª participação na BM. Nesta etapa a prova iria de Bertioga para Maresias. O dia foi perfeito, corri com uma alegria no coração e um instinto de invencibilidade que superaram todas as metas previstas, fechando minha primeira participação com o tempo de 7h e 40min em 29º colocado.

Na minha 4ª participação, fui de apoio, conheci o outro lado da prova, os bastidores e a logística envolvida para apoiar os corredores, uma experiência gratificante.

Então veio a 5ª participação, decidi fazer novamente um SOLO, e recebi a notícia de que o sentido seria invertido e correríamos de Maresias a Bertioga. Durante a preparação tive alguns contratempos que não me permitiram treinar o suficiente como gostaria, mas estávamos lá na largada prontos para mais esse desafio.

Eu corri com uma equipe de apoio, 2 pessoas e 1 carro, que levam de tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, nada me faltaria na prova. A Organização decidiu mudar a sistemática da largada que antes era de 30 em 30 minutos para cada largada entre as modalidades, dessa vez juntou os SOLOs e o Trios e 15 minutos após, as demais equipes.

Inicialmente, isso não atrapalhou a largada dos SOLOs, o dia estava chuvoso e fomos presenteados com o tempo nublado, chuvoso e coberto para o sol não fritar os corredores rsrs, porém, vieram os contratempos. Logo na parte inicial da prova, para sair da praia de Maresias e acessar a serra de Maresias, tínhamos que passar por um corredor que somente passava um corredor por vez, e não teve jeito, isso gerou fila e confusão entre os corredores, mas nesse eu passei bem, pois estava entre os primeiros ainda.

A tão desafiadora Serra de Maresias, quando se corre no sentido Maresias / Bertioga, é mais curta a subida e em minha opinião mais fácil, fechei esse trecho muito bem e assim fui para o segundo e o terceiro onde, mesmo sendo trechos com nível de dificuldade alto, pude passar forte e com um tempo abaixo do que previa.

Endorfina na pele durante o percurso.
Endorfina na pele durante o percurso.

Ao final do terceiro trecho, meu tênis estava cheio de areia, pois esse ano o tempo estava chuvoso há dias, e o mar comeu uma parte da praia, deixando um pequeno espaço de areia fofa e ruas cheias de lama, então parei para trocar o tênis e fazer uma alimentação.

Ao entrar no quarto trecho, o maior da prova com 14,2k, comecei a ter dores muito forte no peito do pé esquerdo, e tentando superar a dor e não perder tempo, mantive o ritmo ao final deste trecho estava difícil demais correr. A equipe de apoio tentou de todas as formas ajudar com spray para dor, gelo e tudo mais, e tive que aumentar as reposições de alimentação e hidratação, pois comecei a demorar mais para atravessar cada km.

No quinto trecho mantive a concentração e tentei de todas as formas não pensar na dor, tendo um aumento no esforço físico causando um gasto maior de energia, onde tomei cápsula de sal, coca cola e comi uva, isso me deu um novo ânimo na prova e logo finalizei o trecho.

No sexto e o sétimo trecho, o peito do pé direito começou a doer também, então, já com os dois doendo, tive que baixar um pouco mais o ritmo, e no quinto em especial, tivemos que passar por uma trilha, onde não conseguimos parar em pé andando, correr era muito difícil, pura lama e esburacada, mas passei sem grandes problemas.

E enfim o último trecho, 10,8k onde não conseguia mais correr constante devido as dores, tinha fôlego, tinha uma musculatura boa ainda, mas as dores no peito do pé eram grandes, comecei a revezar correndo e andando e assim fui até a chegada.

Equipe de apoio na ativa
Equipe de apoio na ativa

A chegada é algo inexplicável, a sensação de concluir uma prova de 75k é maravilhosa, como da primeira vez, não agüentei a emoção e cai no choro, vem na cabeça tudo que passei na vida, e tudo que superei e abri mão para me preparar para esse momento, a felicidade entra no peito e a vontade de gritar “eu consegui” sai em gestos e lágrimas, tive que ajoelhar ali na linha de chegada e agradecer a Deus, aos apoios, a equipe de treino e aos amigos, ali agradeci e enfrentei a quase impossível tarefa de levantar sozinho naquele momento para então buscar a tão sonhada medalha do Ultramaratonista… aquela que vem escrita “Solo”.

Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.
Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.

Apesar das mudanças feitas pela organização juntando as largadas, deixando o percurso e os pontos de transição mal sinalizados, fazendo com que as equipes ficassem emboladas e até perdessem o tempo certo de troca dos atletas, causando trânsitos nos pontos na estrada, o que não aconteceu nas versões anteriores, sou suspeito em falar, porque acredito que as dificuldade são para todos e o que me leva as provas são as dificuldades, são elas que tornam a conquista da medalha um momento especial.

Dos 45 kg perdidos ao longo das corridas nesses anos e os mais de 6.000 mil quilômetros em distancias de 5km, 10km, 16km, 21km, 42km e 75km. Costumo dizer que quem manda é a cabeça, basta querer e persistir, afinal, nunca imaginei que sairia do sofá, e iria dos 140 kg a 75km e ainda pretendo ir muito além, carregar aquele número vermelho ao longo da prova, e ser saudado e reverenciado por todos os envolvidos na prova, que sempre incentivam “vai SOLO”, “força monstro”, “SOLO é pra poucos” não tem preço.

Eu voltarei em maio novamente para mais um desafio, saio dessa versão com o aprendizado de que… se preparar cada dia mais é necessário, mas principalmente se preparar para os imprevistos, porque correr 75k nunca será igual. Convido a todos para conhecerem essa prova que sou apaixonado e digo… bora bora se desafiar, sair da zona de conforto e para com o “mimimi” e regar as nossas vidas de “uauuu”, hoje posso dizer eu sou SOLO 75k e nos vemos na próxima etapa.

 

Eduardo Lima

#menosmimimimaisuauuu

#eduardolimaultra

#de140kga75k

E a sua mente, te ajuda ou atrapalha?

A nossa mente tem um grande poder sobre nós; e se você ainda não acredita nisso, comece a observar!

Comecei a correr porque buscava bem estar emocional, já que o meu na época na estava lá assim tão bom. E segundo uma amiga, a corrida já tinha ajudado ela em uma situação muito semelhante, então embarquei na dela e em sua companhia comecei meus treinos.

De fato a atividade física me fez muito bem na época e até hoje faz! Mas me lembro muito bem, que quando me sentia triste, queria sair para correr porque sabia que quando terminasse meu treino eu estaria me sentindo melhor… Como uma terapia.. Quando você fala e sai aliviado, e olha que eu sei muito bem como é isso! (Risos)

Às vezes fico mais observadora a respeito de como minha mente está na corrida, durante treinos e provas. Porque sei que sem nos darmos conta acabamos influenciados por pensamentos não tão motivadores.

Sei que a mente tem um papel muito importante quando se trata de esporte/superação, afinal do que adianta estar bem fisicamente se a sua mente não ajudar.

Nos treinos que fiz para o Desafio das Serras no qual corri em dupla, aprendi certas coisas.. Outras ainda estou aprendendo. Foi nesses treinos que comecei a mudar meus pensamentos principalmente quando estava em uma subida… a não desistir de chegar no topo correndo. Paciência, essa é a palavra!!

Também tive treino no qual foi intenso e a vontade de vomitar era grande, devido ao esforço. Subidas na qual antes não fazia correndo, estava lá eu fazendo, e não foi uma vez só não, foram várias vezes no mesmo treino. E o que treinei mais do que o corpo fi a minha cabeça, para não me deixar parar.

Há dias que fui treinar não tão afim e no final foi um dos melhores treinos, detalhe que isso sempre acontece.

Assim como nossos pensamentos podem nos levar longe, podem nos fazer parar no meio do caminho. Estou aprendendo a ter minha cabeça a meu favor, e cada treino que consigo fazer algo a mais é uma alegria e satisfação imensa.

E você está treinando a sua mente?

Eu e a Montanha – Último trecho.

Todos a postos a espera da contagem para a largada do segundo dia, o tempo estava bom, um pouco nublado mas com o sol querendo aparecer, ao meu ver perfeito para o segundo trecho, que praticamente seria em estrada de terra com mais descidas rumo a São Francisco Xavier.

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Largada 2º dia.

Com receio das cãibras voltarem planejei largar mais contido e sentir como meu corpo reagia, afinal seriam mais 20km de prova. Foi dada a largada e logo os ponteiros foram abrindo muito rapidamente, eu sempre acabo me empolgando e saindo mais forte, porem procurei seguir o planejado e me conter nos primeiros quilômetros, fui colocando um ritmo mais forte porem constante e o corpo respondendo muito bem,  com isso pude passar alguns atletas e seguir avançando, minha meta para o segundo dia era terminar em menos de 2 horas e entre os top 20 novamente.

O tempo foi abrindo e o calor só aumentava, tentei me refrescar molhando a nuca e a cabeça, mas mesmo assim estava ficando mas lento, não tenho o costume de tirar a camisa em prova, mas vendo que o tempo estava estabilizado, não tive duvidas e tirei, um alivio imediato, só de sentir o vento já me sentia melhor e o bom ritmo voltou, e a descida parecia não ter fim, foram praticamente 11km de descidas, quando cheguei em uma das poucas partes planas as pernas até bambearam um pouco, mas logo tudo se normalizou.

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Sol castigando.

Próximo ao quilometro 13 começava a subir, e era uma subida de respeito, começava na estrada e depois continuava no pasto, o visual era muito bonito, a trilha era descampada e o sol continuava castigando, não tinha muita dificuldade o terreno, mas devido o desgaste da descida e o calor ela parecia terrível, para ajudar cruzamos alguns trechos com água o que ajudou a refrescar e até cruzamos com algumas vacas no pasto, mas pareciam nem ligar para nós.

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Fim da subida, trecho rumo a São Francisco Xavier.

Após o termino da subida, o staff me indica a direção, a partir daquele ponto seria mais descida até a cidade, volto a imprimir um bom ritmo, o corpo responde bem, a paisagem ajuda, foram alguns quilômetros correndo a margem de um rio, o som das águas e da natureza deram um toque a mais na prova, depois de passar mais alguns atletas já tenho a cidade no visual,  entrei na parte mais urbana da prova na qual teríamos que dividir espaço com os carros mas por poucos metros, mas tudo estava bem sinalizado e com staff para dar apoio, já conseguia ouvir o locutor, faltavam poucos metros, o sorriso toma conta do rosto e ai foi so faltava cruzar a linha de chegada.

Consigo bater minha meta e fecho o segundo dia com 1:54 e consigo manter a 20 posição geral dos 40k solo, e o  melhor sem cãibras, tive um principio mas logo parou, realmente fazer uma prova de 2 dias é bem diferente, alem da parte física e mental tem a parte estratégica e de planejamento.

Uma experiencia unica e muito gratificante, recomendo a todos que pelo menos uma vez busquem provas deste tipo, eu adorei e ano que vem volto para os 80k.

 

Eu e a Montanha – Acampamento.

Após cruzar o pórtico, recebo o incentivo da galera que estava a espera dos atletas, e depois desabo no chão, por mim ficaria ali um bom tempo descansando, mas é de extrema importância se hidratadar  após a prova, e já tratei te tomar água e comer algumas frutas que estavam a nossa espera.

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Era a minha primeira experiência em acampar junto a uma prova de trail, a fazenda na qual estávamos tinha um visual incrível aos pés da montanha e lagos, chalés, refeitório, uma ótima estrutura, depois de conhecer um pouco de onde estava já procurei a tão sonhada banheira de gele para poder fazer uma imersão e tentar melhorar a dor nas pernas, e nem de gelo precisamos, a água do lago estava muito gelada, tínhamos a opção de ir nele ou ir uns tanques de água correntes, fui no lago pois estava mais perto e onde tinha alguns atletas, fiquei ali por 15 mim, sai renovado, sem contar que a interação entre nos atletas é super bacana e logo fazemos amizades e as historias e relatos não param mais.

Já um pouco recuperado me dirijo a organização para fazer a retirada da minha mala e ir até a minha barraca, os acampamentos estavam bem divididos e organizados, por sorte ou azar fico no mais afastado, e carregar a mala depois de prova não foi uma tarefa muito agradável, após me organizar, tomo um banho em um dos chalés que estavam a nossa disposição e era banho quente, logo depois passo pela massagem e vou até o refeitório aguardar a chegada dos atletas e comer um pouco.

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Acampamento 3.

Conforme o tempo foi passando a concentração de gente no acampamento só aumentava e a energia era muito boa, a cada chegada todos aplaudiam, uma experiência única que todo corredor de montanha deve passar, fomos surpreendidos por uma chuva forte mas que não durou muito e deu um tempero a mais no evento, almocei e mais bate papo, fogueira, janta, comunicados da organização sobre o segundo dia de prova e partiu barraca.

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Vista da barraca.

Teríamos que entregar a mala até as 7 da manha, me programei para levantar perto das 6 para ter tempo de fazer tudo com calma, deitei perto das 10 não consegui dormir muito bem mas deu para repor as energias, de noite nada de chuva, porem logo pela manha o vento estava muito forte, mas com o passar do tempo abriu e o logo o sol se apresentou, mala despachada, café da manha reforçado, mais conversa e agora era esperar a largada que estava marcada para as 9 para o segundo trecho da prova.

Desafio das Serras 80k – “Completa no quesito montanha” by Julio Fagundes

Atualmente existem vários meios de procurar provas e um site que eu utilizo para para buscar provas é o adventuremag.com e por meio deste elaboro meu calendário onde procuro realizar 2 provas longas por semestre, optei pelo Desafio por ser uma prova com percurso desafiador e ao mesmo tempo muito bonito, pela distância, altimetria acumulada e por ser uma prova de estágio o que faz com que todos os treinos e estratégias sejam diferente de uma prova longa normal.

O primeiro dia atendeu todas expectativas, com mais de 2500 m de altimetria acumulada, um primeiro down hill que fluiu perfeitamente, um segundo muito desafiador e perigoso mas que consegui finalizar sem nenhum acidente e o estradão que teve uma ajuda da chuva para refrescar no final . A alimentação e hidratação funcionaram bem assim como nos treinos onde eu consumi (1cap de sal+1 cap de BCAA) mais 1 rapadura nas horas impares e (1cap de sal+1 cap de BCAA )  mais 1 Gel nas horas pares. Finalizei o primeiro dia com 6:39h.

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Chegando no acampamento fiz um pouco de gelo rs* (entrei em um caixa d´agua bem gelada) e fiz massagem que acredito que ajudaram bastante para o segundo dia, a refeição estava boa mas acredito que aqueles que chegaram um pouco mais tarde não tiveram a mesma impressão pois alguns itens acabaram.

Dormi bem e acordei tranquilo para tomar um belo café da manhã e largar tranquilo no segundo dia de prova que esperava ser mais rápido e realmente foi, onde consegui manter o pace planejado nas retas, e nas subidas que não foram poucas como eu imaginava, eu acabei andando mas nada que interferi-se o planejado, com exceção de umas abelhas que picaram vários atletas inclusive eu e acabei por parar para ajudar um atleta e também tomar um antialérgico para não ter problemas, por minha sorte nada aconteceu e finalizei o segundo dia com 4:14, com uma sensação maravilhosa de dever comprido e realização por sentir que os treinos funcionaram, que tive um bom aproveitamento durante a prova e finalizei com um tempo muito melhor que eu imaginava.

Gostaria de ressaltar os treinos da Pace pois é a primeira vez nestes 5 anos que corro onde estou planilhando e já senti um resultado. Mudei fazem 2 meses para SP, no início tive receio com relação aos meus treinos mas a um pouco mais de um mês comecei a fazer um funcional excelente na Gaff Studio com apoio do professor Fábio Rocha que acredito também já ter me ajudado e com certeza ambos treinos serão de grande valia para as minhas próximas provas.

Para finalizar o Desafio foi um excelente prova com boa organização e completa no quesito MONTANHA e é uma prova que vale a pena fazer parte do calendário dos amantes do trailrun.

KTR Itamonte – Dura, difícil, mas renovadora

A penúltima etapa do ano, da KTR – Kailash Trail Run , foi realizada na cidade de Itamonte – MG.

Itamonte fica ao sul do Estado de Minas Gerais, fronteira com os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Situada na Serra da Mantiqueira.

Foi lá que aconteceu talvez o percurso mais bruto que já ocorreu na KTR! (relato de Chico Santos, e Gilliard).

Como para mim foi minha 1ª KTR, essa com certeza ficará para a história, de tão difícil que foi! E posso dizer que experiência em provas de montanha eu tenho. Já participei de muitas provas pequenas , e ainda tenho 3 maratonas e 1 ultra de 50k, que teve muita altimetria.

Mas essa etapa da KTR surpreendeu a todos!

No congresso técnico, que foi realizado na sexta, bem na praça da matriz, aonde também foi montada a estrutura para entregas de kit, já tivemos as surpresas.

Congresso Técnico
Congresso Técnico

Muito ganho de elevação para distâncias tão curtas. Na distância longa, que acabou sendo 26k, o desnível total da prova foi de quase 5000m.

Já na média  que foi de 21k, na qual me atrevi a fazer, foi de desnível total  de quase 2800m. E ainda teve a distância curta de 10k.

A largada da distância média, ocorreu às 9h de sábado, na pousada Refúgio Alto da Montanha, bem ao lado de uma bela cachoeira.

Dali largamos sentido montanha. Foram praticamente 7km de uma trilha cheia de arbustos, e na subida. A minha estratégia sempre foi me poupar ao máximo no início da prova, para da metade pra frente conseguir render mais.

Após essa subida teve a divisão do percurso médio, para o longo. E seguimos em frente rumo a outra trilha muito fechada, com muito cipó, que não dava para desenvolver.

Quando acho que teremos um alívio, o pior da prova está por vim. Uma trilha na beirada da montanha de muita, mas muitaaaa subida. Escalada e força . O jeito era ir agarrando as árvores, para que elas ajudassem a subir. Minha sorte que eu estava de luvas, senão tinha furado a mão. Fora isso, íamos escalando nas pedras. Foi muito duro! Desesperador!  A única solução era manter o foco, o ritmo, para tentar acabar rápido! Mas não acabava!

Teve quilômetro que fiz em 30minutos. Eu só sei que foram os 4Km mais duros que presenciei!

Quando consegui chegar ao 1º topo da montanha, com 2:52 de prova, e com apenas 11:300 percorridos, eu chorei! Ali consegui contemplar o visual, gravar um vídeo, agradecer e chorar. Foi muito insano!

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Após fazer minha primeira alimentação da prova. Segui para a 2ª parte.

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Não tão dura como a primeira, mas muito travada. Não dava para desenvolver! Correr nem pensar! Era um capim amarelo alto, cheio de armadilhas. Ali não tínhamos a visibilidade para correr, e um vacilo podia machucar.

Segui assim até o km 15:500, aonde tinha um ponto de água natural.

(A KTR, é uma prova de total auto-suficiência, não existe pcs para hidratação e alimentação, somos responsáveis por tudo isso).

A partir do km 15:500 deu para correr. Pegamos um pequeno estradão, seguido de trilha single track, para finalizar a prova no mesmo local da largada.

Fechei os 21k com 4:35:50, toda arranhada, suja, cansada.

Claro que chorei! Foi um desafio e tanto! E uma experiência sensacional! Dura, dolorida, difícil, mas renovadora.

Ano que vem volto para alguma etapa da KTR. Mas vou para o longo. Vamos ver o que acontece! O importante é  #nevergiveup.

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Mizuno Uphill: A trajetória de uma grande conquista – by Rodrigo Falcão

Foram 396 dias de espera, entre o momento da pré inscrição até o dia da Maratona, durante o período, vários acontecimentos e sensações como ansiedade, fatalidade, incertezas, fisioterapias, recuperação e treinos, nortearam minha caminhada até a conquista do objetivo, a Uphill Mizuno Marathon Serra do Rio do Rastro.

Imponente, Serra do Rio do Rastro
Imponente, Serra do Rio do Rastro

Em maio de 2015, tomei conhecimento da prova através de amigos que mostraram o famoso vídeo do Sapo (Propaganda da Uphill de 2014), ao assistir, de forma instantânea instigou minha vontade em participar da prova.

Ao abrir a pré inscrição da prova, uma grande amiga realizou a minha inscrição, porém ainda ocorreria o sorteio.

Nos meses de junho e julho comecei a treinar longas distâncias com o intuito de ganhar resistência e rodagem, porém no dia 13/07, ao treinar em um avenida de SJC, fui atropelado e conduzido ao hospital.

Alguns dias depois, ao retornar ao médico, e verificar minha ressonância, ele constatou que meu menisco estava esmagado e tinha afetado um pouco da cartilagem, informou ainda, que eu nunca mais iria correr uma prova longa. Ao sair da clínica chateado e com raiva, recebo a informação que estava entre os corredores sorteados a participar da prova. Era um sinal !

Após mais de uma centena de sessões de fisioterapia, onde o vídeo da prova me acompanhou diariamente, motivando e incentivando a acreditar no objetivo; sendo acompanhado por uma assessoria de corrida, onde profissionais direcionam o melhor caminho através de treinamentos específicos, cheguei preparado para participar da prova.

Na véspera da prova, diversos aspirantes a ninja runners se encontraram no aeroporto de Congonhas-SP, com destino a cidade de Juaguaruna-SC. Antes da decolagem, fomos muito bem recebidos na aeronave e os atletas estavam super empolgados.

Ao chegar na cidade, encontramos pessoas acolhedoras, amigas e dispostas a nos ajudar da melhor forma. Em Treviso, durante a retirada do kit, encontramos um ginásio com uma grande estrutura, tudo bem organizado, contendo produtos da Mizuno, local para massagem (sem filas) e muita comida (lanches, biscoitos, bolos, café e sucos) a disposição dos atletas.

No dia da prova, após uma boa noite de sono e almoçando mais cedo em Lauro Muller, tendo em vista que a largada da Maratona ocorre as 15hs, partimos para Treviso no aguardo da largada.

Antes da largada em Treviso
Antes da largada em Treviso

Antes da largada, a organização surpreendeu os atletas com uma apresentação japonesa com os tradicionais tambores da cultura japonesa e escutamos o famoso áudio do sapo; logo não teve como não lembrar da trajetória, dos familiares e amigos, das mensagens e segurar as lágrimas na largada.

Durante a prova, as pessoas das cidades nos motivavam, principalmente as crianças.Ao chegarmos ao Paredão da Serra do Rio do Rastro, confesso que ao olhar, a danada assusta e logo São Pedro tratou de nos mandar aquele dilúvio para abençoar nossa subida.

Rodrigo durante a subida da Serra
Rodrigo durante a subida da Serra

Por fim, os 42k viraram 44k e as dores no corpo e o cansaço quase atrapalham a nossa conclusão, porém nada iria tirar o gosto da nossa conquista!

 

 

Eu e a Montanha – Desafio das Serras.

Ter o privilégio de poder correr 2 dias e meio a Serra da Mantiqueira e ainda acampar ao seus pés é uma oportunidade que não se tem todo dia, e graças ao Desafio das Serras pude viver essa experiência e tenho o prazer de compartilhar com vocês.

Mesmo treinando várias vezes nesta mesma montanha e conhecendo boa parte do percurso, a sensação de correr foi completamente nova, é uma energia que contagia, a ansiedade da largada, os corredores, tudo deixa o espetáculo mais bonito.

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Largada Desafio das Serras 1º dia.

A praça de São Francisco Xavier ficou pequena para tantos corredores, uma mancha azul tomou conta da cidade, e às 8:35 foi dada a largada para ambos os percursos ( 40 e 80 quilômetros ) optei por participar dos 40k solo, o primeiro dia teríamos que percorrer 20k até o acampamento, o primeiro dia tem o percurso mais lento e técnico, foram praticamente 11k de subida passando por estrada de terra e single track. Por conhecer o caminho e gostar de trilhas mais técnicas imprimi um bom ritmo e consegui passar alguns atletas; com isso me distanciei do pelotão mas sem avistar os ponteiros, estava correndo sozinho.

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Trilha do Jorge.

Tudo caminhava como planejado, mas às vezes o nosso corpo não responde como esperamos, próximo do fim da interminável subida já havia sentido algumas fisgadas nas panturrilhas, mas nada fora do comum, mas o que era um incômodo virou um pesadelo, praticamente elas ganharam vida, nunca tinha sentido tanta dor como senti naquele momento. Mas meu foco era o fim da prova, não passou pela minha cabeça desistir, poderia terminar andando mas desistir não. Me hidratei, comi um chocolate, e ali era hora de um incentivo extra, e a música pelo menos para mim ajuda muito, selecionei o álbum Canterbury do Ginger Runner e voltei a correr.

Estava na parte mais bonita da prova, a travessia da Serra do Poncianos rumo a Pedra Partida, tentei correr o máximo que pude, gritei, cai.. mas levantei e segui a diante, chego na parte mais crítica para mim, apesar de ser uma pequena escalaminhada as pernas não respondiam muito bem o que me passou uma insegurança, mas a organização colocou algumas cordas que ajudaram e muito, alcanço o cume e ambas as panturrilhas travam, fico alguns segundos parado sofrendo com as dores mas ao mesmo tempo feliz por ter conseguido chegar até ali e ter  uma vista maravilhosa da cidade de Monte Verde e São Francisco Xavier.

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Vista Pedra Partida, ao fundo Monte Verde.

Chego na parte mais técnica da prova uma descida com muitos obstáculos, eu adoro aquele lugar e tive o privilé3gio de treinar inúmeras vezes neste trecho, e para descer as pernas respondiam bem, volto a correr bem e o sorriso logo toma conta, eu sabia que a partir daquele ponto teria mais 5 quilômetros de prova sendo uma descida em uma trilha larga e rápida até o acampamento; consigo manter um bom ritmo mas as dores sempre estavam presentes, sai da trilha e chego na estrada de terra que leva ao acampamento, um trecho curto mas parecia não ter fim, tento manter o ritmo mas era difícil, caminho, corro e fico nesta troca até avistar as barracas, ali tive a certeza de estar chegando, sorriso no rosto e aquele gás final para cruzar o pórtico.

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Descanso merecido.

Finalizei o primeiro dia com 3h de prova e a 20ª colocação nos 20k solo.

Continua…