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Desafio das Serras 40k-2° dia: Uma experiência ímpar!

Correr dois dias seguidos, sempre vai ser um desafio. Já tinha feito treinos que simulamos dois dias de prova, mas na hora é outra história, seu corpo pode responder diferente e seu desempenho mudar muito de um dia para o outro.

O segundo dia era predominante de descida e estrada de terra. Dada a largada eu e meu namorado saímos, cortamos algumas pessoas para tentar ficar um pouco mais a frente. O dia estava agradável, e não tão quente como no dia anterior. Corpo estava respondendo melhor, mas ainda teríamos dois trechos com subida, onde as pernas ainda iam sentir um pouco.

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2 dia. Foto: Henrique Boney

Primeiro trecho aproximadamente no 5k e depois um trecho mais longo por volta do 10k, onde passamos por um pasto e com uma vista incrível. No horizonte muitas montanhas, verde, vacas pelos pastos e as pernas queimando da subida.

Depois da última subida mais estrada de terra, nesse trecho nossa amiga Carmen já estava correndo conosco, passando por vários trechos em que ouvíamos o barulho de água corrente, correndo, conversando, aproveitando muito bem a prova.

Até que avistamos a cidade, e estamos bem próximos a linha de chegada, mais um pouco de estrada, asfalto e logo entramos na rua da praça onde nos levava até o pórtico de chegada; uma leva acelerada no ritmo e chegamos os 3 juntos no segundo dia desse super evento!

Fiquei muito feliz por ter me sentido melhor no segundo dia, e por toda experiência compartilhada nesses dois dias. O segundo dia foi bem proveitoso e cruzar a linha de chegada com pessoas queridas é muito bom.

Uma desafio que antes chegou parecer muito difícil de concluir, algo distante e num piscar de olhos tudo aconteceu, de forma rápida e intensa. Logo depois de cruzar a linha de chegada o sentimento de felicidade tomou conta de mim. Fotos, bate papo, planos para a prova do próximo ano (sorriso largo).

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Valeu cada minuto dessa experiência ímpar e todos os aprendizados que ela trouxe, porque com certeza é uma prova que marca todos aqueles que participam e deixa um gosto de quero mais.

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Correr, acampar e trocar experiências

O Desafio das Serras é uma prova em que não temos apoio de hidratação durante o percurso, então temos que planejar bem e levar tudo que for necessário em quesito hidratação e suplementação para durante a prova.

Alguns itens que levei comigo para a prova.
Alguns itens que levei comigo para a prova.

O percurso estava muito bem marcado nos dois dias, e foi fácil nos orientarmos entre as trilhas.

Após a chegada do primeiro dia, fomos retirar nossa mala e levar até nossa barraca, onde cada participante tinha devidamente seu lugar. As barracas estavam todas identificadas com nosso número de peito.

As duplas dividem a mesma barraca, e a parte engraçada é eu e meu namorado dividindo a mesma barraca, afinal não somos tão pequenos assim, pés quase para fora, além de deixar a mala dentro da barraca (rindo alto). Mas nós demos um jeito que a mala ficasse “funcional” dentro da barraca.

Acampamento #3 onde nossa barraca estava. Foto: Henrique Boney
Acampamento #3 onde nossa barraca estava. Foto: Henrique Boney

Foi uma experiência incrível, e lógico que para batizar a primeira vez acampando, choveu!! E choveu bastaste durante a tarde, umas duas horas depois que tínhamos terminado a prova, já tinha tomado banho, e uma sopa para esperar o jantar.

Durante o jantar música ao vivo, muito bate papo, fogueira, e vídeo com fotos do primeiro dia de prova. Tudo bem organizado e com uma estrutura muito boa.

sábado a noite, fogueira. Foto: Claudia Hoff
sábado a noite, fogueira. Foto: Claudia Hoff

Fomos dormir cedo para descansar, e também porque no dia seguinte iríamos levantar cedo. A noite ventou muito, acordei várias vezes, mas logo dormia de novo. No outro dia cedo, arrumamos a mala e levamos para despachar novamente; e fomos para o café da manhã.

Sol saindo tímido, pessoal já na agitação, e as largadas iriam ocorrer com uma pequena diferença de tempo. Os 80k largaram um pouco mais cedo. A parte interessante de um evento como esse é o networking que promove, reencontra amigos, conhece novas pessoas, troca experiências sobre a prova, conta histórias.

E o segundo dia não tinha nem começado ainda!!

Desafio das Serras 40k – 1° dia : Começa a aventura

Ano passado foi a primeira vez que ouvi falar sobre o Desafio das Serras, cogitei a possibilidade de participar mas por N motivos acabei não participando do evento, mas fui para acompanhar e esperar meu namorado que correu os 80k. Ele simplesmente adorou a experiência e disse que esse ano teríamos que fazer a prova.

Confesso que esse ano eu comecei animada para ir, mas depois me questionei inúmeras vezes se deveria fazer a prova. Meu namorado me convidou para fazer dupla mista com ele na prova, ou seja, correríamos dois dias um ao lado do outro, e teríamos que cruzar a linha de chegada juntos.

Treinamos juntos várias vezes, e eu questionei inúmeras vezes também, o fato dele querer correr comigo, afinal ele corre mais que eu, e sempre eu escutava dele: “Porque eu quero correr com você”… “Se quisesse ir por causa de tempo iria sozinho”…. “É seu primeiro Desafio das Serras e quero estar com você”… e eu tentando trabalhar o meu psicológico nesse tempo. Passaram se os treinos e chegou o dia.

A aventura já começa na hora de fazer uma única mala para os dois, com saco de dormir, isolante térmico entre outros, e na hora de fechar a mala…risos!! Fomos a São Francisco Xavier –SP na sexta a noite retirar nosso kit e despachar a mala para o acampamento. Sábado levantamos cedo e fomos para São Francisco junto com nossa amiga Carmen. Tudo pronto, e largamos para o primeiro dia, 20k com muita subida.

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Início primeiro dia. Foto: Henrique Boney

Já conhecíamos metade do percurso do primeiro dia, e já tínhamos treinado por lá, então sabíamos o que estava por vir em partes. Estava bem quente, e sofri com o calor, meu desempenho não estava como nos treinos e lógico o psicológico pegou. Meu namorado falando comigo, perguntando se estava bem, e dando dicas para que eu controlasse melhor minha respiração, afinal acabei ficando “nervosa” como diz ele, e isso reflete diretamente em como respiro. Existi uma cobrança muito grande que tenho comigo mesma, ainda mais quando corro com alguém, e nesse caso não podia falar para ele ir na frente e me deixar. A sensação que tenho é que estou prendendo a pessoa, muitas coisas a ser trabalhado ainda nesse ponto. E o pior e que sabia que em algum momento da prova isso ia pegar, e foi logo no começo.

subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi
subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi

São Francisco sempre com lindas paisagens, passamos por vários pontos com água, trechos que pareciam bosques, além que cair umas duas vezes (risos). E como correr na montanha tem companheirismo durante o percurso, meu namorado foi animando alguns pessoas que iam parando no caminho, achando que o cume ainda estava longe, e também oferecemos ajuda aqueles que não estavam passando bem.

Depois de uma longa, longa subida começou o trecho de quase 7k de descida e estrada que nos levou até a chegada do primeiro dia e acampamento. Faltando pouco para chegar, da estrada vimos as barracas e também escutamos a música que vinha do acampamento, e deu aquele gás para dar chegar. Saímos da estrada, e última subidinha que terminava bem na linha de chegada.

Concluído o primeiro dia de Desafio, um ao lado do outro e com certeza com mais aprendizados.

Sorriso no rosto, amigos nos esperando, e ainda tinha muita coisa para vivenciar nesse final de semana que estava só começando.

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Chegada primeiro dia. Foto: Carmen Romanillos

Xterra Ilhabela: Beleza e desafio andam juntos

Ilhabela, cidade charmosa e rapidamente me conquistou… uma das cidades do litoral norte que ficam próximo onde moro e acreditem, não conhecia a cidade até pouco tempo atrás.

Comecei a freqüentar mais a cidade depois que comecei a correr, principalmente quando migrei para as corridas de montanha, fui várias vezes para treinar e então participar de provas.

Esse final de semana retornei a cidade para participar do Xterra, segunda prova do ano na ilha, a primeira foi o night run. Ano passado participei dessa mesma prova, fazendo então meus primeiros 21k de montanha.

Saí com meu namorado de São José dos Campos – SP sexta a noite, viagem tranqüila até chegar na balsa e ficar cerca de duas horas esperando para atravessar para a ilha. Depois da espera chegamos na casa onde ficamos hospedados, e com menos de 4 horas de sono antes da prova. Sábado cedo, levantamos, nos arrumamos e fomos para a largada.

Como sempre linda paisagem, um percurso com bastante sobe e desce, passando por meio de bairros e trilhas, bastante trechos com paralelepípedos e as trilhas muito boas para correr, também teve uma pequena travessia de rio que foi feita sobre as pedras.

Prova bem sinalizada, muito legal principalmente para quem está migrando das ruas para a montanha e não tem muita experiência. Quatro postos de hidratação durante o percurso e água fresca, o que é essencial afinal estava muito calor, úmido e a hidratação precisa de atenção redobrada.

Um pouco antes do km15 senti um mal estar devido ao calor e diminui um pouco meu ritmo para me recuperar e continuar bem a prova. Corri junto com meu namorado, ou melhor, ele correu comigo (risos), afinal ainda falta um pouco para correr no ritmo dele. Fizemos a prova como um treino de luxo para uma outra prova que vamos nesse final de semana e que vamos participar na categoria dupla mista.

Tenho que confessar que ainda tenho um pouco de dificuldade de correr em dupla, porque sempre acho que estou segurando a outra pessoa, e ele tem paciência viu..porque inúmeras vezes falei para ir na frente e ele disse não.

E falando em casal, essa foi uma prova que vi muitos casais correndo juntos, de todas as idades, bem bacana presenciar cenas assim e ver o incentivo um como outro.

E falando em incentivo, como dupla um ajuda o outro, no meu caso acho que ele me ajuda mais (mais risos), ele consegue mexer com meu psicológico muito bem. Faltando uns 2k para terminar a prova, sol rachando, cansaço batendo ele diz: “Agora não pode para mais”

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Todos nós já temos uma competição interna com nós mesmo que nos move, principalmente nos momentos que estamos mais cansados ou com dor, mas toda vez que ele diz algo como: não pode parar…tem que subir correndo… Não sei dizer, mas mexe com algo mais profundo, uma competição ainda mais acirrada comigo mesma começa.

Na hora sofro um pouco, mas depois vejo como me ajuda a perceber o quanto posso ir em frente e o poder que a minha mente tem sobre isso.

No final terminei a prova feliz, e com certeza irei voltar em outras etapas. Ilhabela já está no coração, e correr nesse lugar é muito bom!

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A Muralha Marathon: o grande desafio – by Fernanda Granja

Há três anos tenho como objetivo fazer uma maratona por ano. Faço isso com o intuito de me manter disciplinada tanto nos treinos como na alimentação e com isso tentar me manter em forma.

Escolhi a SP City Marathon da Asics como objetivo principal de 2016, porém qual foi minha surpresa quando algumas semanas antes dessa prova meu treinador Alan Zonzini me falou sobre uma outra maratona – A Muralha – e me perguntou se eu não gostaria de fazer também. Claro que minha primeira reação foi dizer não; ainda mais quando soube que a prova seria subindo de Penedo a Visconde de Mauá e a data seria apenas três semanas após a Asics!

Depois de algumas conversas com meu treinador e com meu marido – Hector – que decidiu fazer a prova, fui convencida a encarar o desafio.

Fiz apenas dois treinos específicos com subidas significativas e após o segundo treino me senti um pouco mais confiante mas fui para a prova muito ansiosa e com apenas um objetivo em mente: terminar dentro do tempo proposto pela organização.

No fim de semana fizemos uma viagem muito agradável para Penedo. No dia anterior a prova fomos até Visconde de Mauá para a retirada do kit; conversamos com alguns corredores e pessoas da organização o que só fez aumentar minha ansiedade e expectativa.

Fernanda e seu marido Hector antes da prova.
Fernanda e seu marido Hector antes da prova.

O dia da prova amanheceu um domingo chuvoso o que me deixou um pouco preocupada pois não gosto de correr com chuva. Na hora da largada porém, a chuva deu uma trégua e a temperatura agradável facilitou muito o andamento dos primeiros kilometros.

A vista maravilhosa e a atmosfera positiva da prova me fizeram sentir cada vez melhor durante todo o percurso e fiquei surpresa ao perceber que tinha passado com folga no ponto de corte!

Isso me motivou ainda mais a encarar o trecho até o kilometro  30 que seria a subida mais dura. Cheguei me sentindo ótima no kilometro 34 e encarei com coragem o trecho final que para mim se revelou o mais difícil da prova!

Chorei de alegria ao perceber, na chegada, que havia concluído a prova num tempo muito melhor do que eu esperava e ao final de tudo a grande surpresa: fui chamada para o pódio pois fiquei em segundo lugar da categoria feminino amador!

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Participar da prova A Muralha foi uma experiência única pois tive a oportunidade de encarar um grande desafio, em uma prova com uma organização impecável e ainda não apenas atingir mas superar meus objetivos. E agora estou pronta: que venham novos desafios!

Fernanda Sá Granja

A HIDRATAÇÃO EM ATIVIDADES DE LONGA DURAÇÃO

Todos nós sabemos da importância de manter nosso corpo bem hidratado nos treinos e provas de longa duração, mas será que estamos fazendo tudo certo? Será que a quantidade de líquido, ou o que bebemos está sendo suficiente para podermos ter o melhor desempenho? Ou a nossa performance sempre sofre um decréscimo devido a falta de uma correta hidratação?

Atletas que correm grandes distâncias e/ou por longos períodos necessariamente necessitam de reposição de líquidos, eletrólitos e carboidratos. Somente a água não vai conseguir repor o que seu organismo vai precisar.

A necessidade de líquidos é dependente de variáveis individuais e ambientais, e sua estratégia de hidratação deve ser sempre individualizada.

Apesar de parecer o contrário, a necessidade de hidratação é muito maior em ambientes úmidos do que em ambientes secos , assim como correr em ambientes abertos ou fechados (correr na rua X correr na esteira)

#Hidratação Pré Exercício

A ingestão de 400 a 600 ml de liquido, 2 a 3 horas antes do exercício diminuem os efeitos prejudiciais da desidratação durante o exercício. Algumas pessoas relatam dificuldade de ingerir essa quantidade tão perto de um treino/prova. Caso isso ocorra com você, procure manter uma melhor hidratação no dia anterior do treino e tente ingerir o máximo que conseguir no dia.

#Hidratação durante exercício

É comum começarmos a ingerir os líquidos somente quando começamos a sentir sede, porém , esta não é a melhor estratégia a se adotar. O ideal é iniciar assim que começamos a atividade. A ingestão de líquidos deve ser a feita a cada 15-20 minutos, volume de 150 a 300 ml, em média. O sódio deve estar presente em atividades de longa duração, com 500 a 700mg de sódio por litro. Carboidratos também devem estar presentes na proporção de 30 a 60 gramas por hora.

O uso de bebidas esportivas, com presença de carboidratos na proporção de 6 a 8% é recomendada.

É muito comum encontrarmos nas corridas de endurance pontos de hidratação com presença de refrigerantes. Eles contém uma quantidade maior de carboidratos(10 a 12%) e estão gaseificadas, o que pode provocar desconforto gastrointestinal. Mas, sugiro que converse com seu nutricionista/treinador sobre o que a bebida nesse momento pode te provocar sob o ponto de vista psicológico, é comum escutar relatos de corredores que após horas correndo, dariam tudo por um copo gelado de refrigerante! Fazer uma diluição com 1/3 de água e retirar o gás pode ser uma alternativa.

#Hidratação pós exercício

A água sozinha não é a melhor forma de hidratar o organismo nesse momento. Deve-se ingerir cerca de 150% de líquido em relação ao peso perdido. Vamos supor que a diferença entre o seu peso antes de iniciar a corrida e após o término seja , por exemplo , de 2 kg. A quantidade de liquido deve ser de 3 litros para repor as perdas, preferencialmente nas 6 horas seguintes. A bebida deve conter necessariamente sódio.

Matéria escrita pela nutricionista Lúcia Akamine Gomes

 

Quiz – Carreira de Marílson Gomes dos Santos

Boa tarde amigos!!! Vamos entrar no espírito olímpico?

Domingo veremos um atleta diferenciado, na minha modesta opinião o maior maratonista brasileiro junto com Vanderlei Cordeiro, competir e talvez se aposentar depois de uma extensa folha corrida de sucesso e dedicação ao esporte.

Vamos torcer muito por Marilson, um verdadeiro guerreiro que venceu no esporte num país que não dá apoio público nenhum a seus atletas.


Aqui vai um Quiz pra você testar seu nível de conhecimento sobre a carreira desse atleta fantástico:


1. Ganhou a São Silvestre:
a) Quatro vezes (2001, 2003, 2006, 2010)
b) Três vezes (2003, 2005, 2010)
c) Quatro vezes (2003, 2006, 2008, 2010)
d) Três vezes (2003, 2006, 2011)
e) nda


2. Bicampeão da Maratona de Nova Iorque em:
a) 2006 e 2008
b) 2006 e 2010
c) 2006 e 2011
d) 2003 e 2006
e) nda


3. Sua melhor marca nos 10.000 metros é:
a) 29’28”
b) 28’28”
c) 27’28”
d) 26’28”
e) nda


4. Na Olimpíada de Londres:
a) abandonou no km 25
b) abandonou no km 28
c) ficou em quarto lugar
d) ficou em sexto lugar
e) nda


5. Seu melhor tempo na meia-maratona é de:
a) 01h00’12”
b) 59’33”
c) 01h00’13”
d) 59’56”
e) nda


Gabarito: baceb
Se você acertou 0 e 1: torcedor pé-duro; 2 acertos torcedor razoável; 3 acertos torcedor antenado; 4 acertos torcedor fanático e 5 acertos torcedor monstro!

O inesperado top 20 – por Mari Brugger

Asics Golden Run 21k – por Mariana Brugger

Essa prova não estava no meu calendário do semestre e resolvi competi-la poucas semanas antes a convite da Asics, desde então resolvi continuar meus treinos com subidas, os que já estava fazendo para o desafio Beat The Sun que competi há pouco mais de um mês.

Cheguei em São Paulo na sexta feira, tive alguns compromissos ao longo do dia e a noite fui conhecer um pouco da vida noturna da cidade. Mesmo com poucas horas de sono acordei cedo e fui no Ibirapuera fazer um treino para soltar a musculatura e prepara-la para a prova. Almocei com alguns amigos do grupo Bio2 Organic, que até então eram virtuais e a noite aquele tradicional jantar de massas em uma cantina super charmosa com amigas.

Dia da prova, despertador tocou as 4:20, comecei a me arrumar e me dei conta que o café da manhã do hotel não abriria a tempo e tudo que eu tinha no quarto era uma garrafa de água e géis de carboidrato que usaria ao longo da prova, depois de 5 minutos de desespero minha amiga Luciana me ofereceu um café da manhã na casa, ufaaaa, então peguei um táxi e fui encontra-la. Saímos da casa dela correndo e 1 km depois já estávamos no lugar da largada, deixamos nossas coisas no guarda volumes e fomos para o funil da largada.

Larguei sem muita pretensão de fazer meu recorde na distância que era de 1h35 já que o percurso era muito travado e com grandes subidas e não consegui chegar cedo e pegar uma boa posição no funil de largada, comecei a prova com o pórtico marcando quase 3′, falei até com a minha amiga Luciana que seria impossível conseguir a medalha Top 20 já que ela é recebida por ordem de chegada e não pelo tempo líquido de prova.

Passei pelo pórtico de largada com uns 3 minutos depois e muita, muita gente estava na minha frente, então o primeiro km foi bem devagar e desviando das pessoas, no segundo já comecei a conseguir colocar o pace que estava pensando em fazer, 4:30/km, fui assim ate o km 4, quando comecei a me sentir muito bem e decidi ser ousada e ariscar tudo, baixei muito e virei os primeiros 5km para 4’27″/km, continuei acelerando e os outros 5km já saíram para 4’17″/km os outros 5km saíram para 4’19″/km com a subida da brigadeiro e os últimos 6km pace de 4’14″/km ou seja, uma prova perfeita, progressiva e muito forte!

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Quando cruzei a linha de chegada e fui recebida com a linda medalha de TOP 20 transbordei de felicidade por ter sido algo super inesperado pra mim!

No resultado geral fiquei em oitavo lugar! Agora fico na vontade de fazer um sub 1h30, quem sabe ainda esse ano.

Meu próximo desafio será o mundial de IRONMAN 70.3 na Austrália dia 4 de setembro. Torçam muito por mim!

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Chamonix e trail running: a combinação perfeita – by Fabi Bernades

Eu já tinha vontade de conhecer Chamonix e como tinha um compromisso profissional na Europa, procurei em função disto um camp de corrida próximo da data que deveria estar lá.

Encontrei em Chamonix um que se encaixou com as minhas datas e mal sabia o quanto estes cinco dias na região do Mont Blanc seriam tão ricos e de tão encantadora experiência.

O objetivo do camp é trabalhar técnicas de trail running, orientação, estudo de mapas e do clima da região, em locais de absolutamente tirar o fôlego por tamanha beleza e a cada dia estavamos nós, um pequeno grupo de 4 pessoas, 3 britânicos e uma brasileira guiados pelo corredor e coach Kingsley Jones da Icicle, empresa que também oferece camp de escalada e hiking, nesta aventura.

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Chamonix é uma pequena cidade francesa cercada de cadeias enormes de montanhas, próxima a fronteira da Suíça e da Itália.

O estilo de vida das pessoas é em função da montanha, durante todo o tempo vemos as pessoas de vários lugares do mundo com seus equipamentos de escalada e corrida nos bares e restaurantes, chegando ou indo para montanha, aliás minha grande surpresa foi encontrar famílias inteiras, muitas crianças pequenas e também idosos nas trilhas da montanha.

Aqui quando vamos para as trilhas raramente encontramos outras pessoas, mas lá, não importa o grau de dificuldade do percurso, sempre encontramos pessoas nas trilhas e outra coisa que também me chamou a atenção foi a quantidade de mulheres treinando sozinhas, coisa que aqui no Brasil nos traz grande receio devido a falta de segurança.

Não houve treino com menos de 2.000m de altitude, portanto todos os dias o treino já iniciava subindo, e subindo muito!!

Nestes dias pudemos vivenciar diferentes trilhas, com pedras, dentro de bosques, trilhas abertas e estreitas cercadas por geleiras.

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Praticamos técnicas de utilização do bastão para ajudar nas subidas e descidas, técnicas para coordenar o ritmo da respiração, como subir correndo passos curtos e as descidas que em alguns momentos pareciam não ter fim.

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O principal no entanto que vi ali nestes dias, foi o quanto as montanhas são amadas, cuidadas, protegidas, admiradas, porque tudo gira em torno delas, são estudadas, há investimento e incentivo para que as pessoas conheçam as montanhas e suas maravilhas.

Não vi um único papel no chão, uma única garrafa que fosse, o que vi foi somente folhas e flores, montanhas tão altas que se tornavam azuis e trilhas belíssimas que nos convidavam a correr e celebrar a vida.

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Os 5 dias de camp e suas altimetrias:

Dia 1 – Vertical Kilometre de Chamonix 1035m para Planpraz 2035m e seguimos para La Flegere 1877m voltando pela via La Floria 1377m para Chamonix.

Dia 2 – Le Tour 1453m para Aiguillette des Posettes 2201m seguindo via Col des Posettes 1997m para Col de Balme 2191m e retornando via Charamillon to Le Tour.

Dia 3 – Le Mont 1150m para Chalet des Pyramides 1895m e para Gite a Balmat 2530m e La Jonction 2589m retornando pela mesma rota.

Dia 4 – Planpincieux 1568m seguindo para La Leche 1902m, e Armina 2009m continuando para Pas Entre Deux Sauts 2525m, descendo para Rifugio Bonatti 2025m e retornando via Armina to Planpincieux.

Dia 5 – Le Bettey 1352m para Le Plan de la Cry e Pierre Blanche 1697m e Aiguillette des Houches 2285m seguimos para Pointe de Lapaz 2313m e Aiguillette du Brevent 2310m, descemos para o Refuge de Bel Lachat 2136m e Merlet and Le Bettey.

 

Fabiana Bernardes

 

 

Asics, a maratona dourada

Estava me preparando para a minha primeira maratona, a internacional de São Paulo, que seria dia 17 de abril de 2.016, quando apareceu a Asics São Paulo City Marathon, marcada para dia 31 de julho. Circuito inédito, me pareceu interessante. Já estava treinando, seria só esticar o treino mais 3 meses, ainda daria para melhorar a performance.. perfeito! Fiz a inscrição.

Fiz a maratona de SP, foi maravilhoso e já comecei a focar na Asics. Primeiro contratempo veio logo em seguida: começo de maio, quando ia começar a pegar pesado nos treinos, tropecei durante um treino funcional e torci o tornozelo. A princípio, nada grave, nenhuma fratura nem ruptura. Só precisava descansar, colocar gelo, o básico.

Mas nesta época meu pai, que mora em Ubatuba, uns 130 km da minha cidade, estava em estado terminal, câncer em metástase, eu estava indo direto para lá para ficar com ele e minha mãe. Neste período, sem chance de cuidar do pé e a lesão não regrediu. Ele faleceu em 16 de maio, e dias antes, tinha perguntado se eu iria fazer outra maratona. Respondi que sim, já estava chegando a próxima, ele, embora debilitado, sorriu. Aí, virou uma promessa!

Fiz fisioterapia, o pé melhorou e voltei a treinar. Frio intenso de inverno, comecei a sentir dor intensa nas costas, onde fiz cirurgia. Fiz um treino de 39 km, onde comecei a sentir dor desde o km24, parecia que estava sendo apunhalada. No final não conseguia ficar com as costas retas, nem respirar direito. Só terminei o treino por que, se desistisse, sabia que não ia conseguir encarar o desafio da maratona. Se doeu naquele dia, poderia acontecer o mesmo no dia da prova. Neste dia, não consegui nem dormir de dor e aí voltei no fisioterapia. Ele fez umas mágicas, as dores foram aliviando, comecei a fazer rpg, para melhorar a postura, deu certo.

Dia da prova, empolgação total! Como, por todos os transtornos, não tinha treinado adequadamente, estava totalmente desencanada com tempo, minha meta era, exclusivamente, cruzar a linha de chegada, de preferência, inteira. Meu namorado, Ricardo, me acompanhou de bike a partir dos 21km, foi mágico correr junto com ele.

E a corrida foi fantástica! Foi muito mais cansativa do que a primeira, por falta de preparo, mesmo, mas consegui fazer todo o percurso correndo, sem caminhar. Fiz algumas paradas, para tirar a roupa quente, quando o sol saiu. Parada inédita no posto médico: distribuíram uma esponja molhada no percurso e eu esfreguei nas pernas, que estavam cansadas, e não demorou muito para começar a dar uma coceira, a perna foi ficando vermelha, começou a inchar. Parei no posto, esfreguei álcool, melhorou.

Final de maratona, não consigo descrever a sensação de ver a placa de 41km! O coração dispara, bate uma emoção incontrolável, as lágrimas jorram. Mesmo exausta, acelerei o ritmo. Não eram mais as pernas que corriam, o controle passou para o Coração. Na reta final, a visão da linha de chegada me lavou a alma, dever cumprido, todos os obstáculos só fazem a conquista ser mais saborosa. Felicidade extra ver meus treinadores, minhas amigas e meu namorado me esperando pouco antes da chegada! Hi- five para todos e cheguei, Duas maratonas em pouco mais de 3 meses.

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Na largada, estava tocando Satisfaction, dos Rolling Stones. Na chegada, lembrei da música, por que completar a prova não me deixou satisfeita. Eu quero mais, eu quero muito mais!