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Eu e a Montanha – Último trecho.

Todos a postos a espera da contagem para a largada do segundo dia, o tempo estava bom, um pouco nublado mas com o sol querendo aparecer, ao meu ver perfeito para o segundo trecho, que praticamente seria em estrada de terra com mais descidas rumo a São Francisco Xavier.

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Largada 2º dia.

Com receio das cãibras voltarem planejei largar mais contido e sentir como meu corpo reagia, afinal seriam mais 20km de prova. Foi dada a largada e logo os ponteiros foram abrindo muito rapidamente, eu sempre acabo me empolgando e saindo mais forte, porem procurei seguir o planejado e me conter nos primeiros quilômetros, fui colocando um ritmo mais forte porem constante e o corpo respondendo muito bem,  com isso pude passar alguns atletas e seguir avançando, minha meta para o segundo dia era terminar em menos de 2 horas e entre os top 20 novamente.

O tempo foi abrindo e o calor só aumentava, tentei me refrescar molhando a nuca e a cabeça, mas mesmo assim estava ficando mas lento, não tenho o costume de tirar a camisa em prova, mas vendo que o tempo estava estabilizado, não tive duvidas e tirei, um alivio imediato, só de sentir o vento já me sentia melhor e o bom ritmo voltou, e a descida parecia não ter fim, foram praticamente 11km de descidas, quando cheguei em uma das poucas partes planas as pernas até bambearam um pouco, mas logo tudo se normalizou.

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Sol castigando.

Próximo ao quilometro 13 começava a subir, e era uma subida de respeito, começava na estrada e depois continuava no pasto, o visual era muito bonito, a trilha era descampada e o sol continuava castigando, não tinha muita dificuldade o terreno, mas devido o desgaste da descida e o calor ela parecia terrível, para ajudar cruzamos alguns trechos com água o que ajudou a refrescar e até cruzamos com algumas vacas no pasto, mas pareciam nem ligar para nós.

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Fim da subida, trecho rumo a São Francisco Xavier.

Após o termino da subida, o staff me indica a direção, a partir daquele ponto seria mais descida até a cidade, volto a imprimir um bom ritmo, o corpo responde bem, a paisagem ajuda, foram alguns quilômetros correndo a margem de um rio, o som das águas e da natureza deram um toque a mais na prova, depois de passar mais alguns atletas já tenho a cidade no visual,  entrei na parte mais urbana da prova na qual teríamos que dividir espaço com os carros mas por poucos metros, mas tudo estava bem sinalizado e com staff para dar apoio, já conseguia ouvir o locutor, faltavam poucos metros, o sorriso toma conta do rosto e ai foi so faltava cruzar a linha de chegada.

Consigo bater minha meta e fecho o segundo dia com 1:54 e consigo manter a 20 posição geral dos 40k solo, e o  melhor sem cãibras, tive um principio mas logo parou, realmente fazer uma prova de 2 dias é bem diferente, alem da parte física e mental tem a parte estratégica e de planejamento.

Uma experiencia unica e muito gratificante, recomendo a todos que pelo menos uma vez busquem provas deste tipo, eu adorei e ano que vem volto para os 80k.

 

Desafio das Serras 80k – “Completa no quesito montanha” by Julio Fagundes

Atualmente existem vários meios de procurar provas e um site que eu utilizo para para buscar provas é o adventuremag.com e por meio deste elaboro meu calendário onde procuro realizar 2 provas longas por semestre, optei pelo Desafio por ser uma prova com percurso desafiador e ao mesmo tempo muito bonito, pela distância, altimetria acumulada e por ser uma prova de estágio o que faz com que todos os treinos e estratégias sejam diferente de uma prova longa normal.

O primeiro dia atendeu todas expectativas, com mais de 2500 m de altimetria acumulada, um primeiro down hill que fluiu perfeitamente, um segundo muito desafiador e perigoso mas que consegui finalizar sem nenhum acidente e o estradão que teve uma ajuda da chuva para refrescar no final . A alimentação e hidratação funcionaram bem assim como nos treinos onde eu consumi (1cap de sal+1 cap de BCAA) mais 1 rapadura nas horas impares e (1cap de sal+1 cap de BCAA )  mais 1 Gel nas horas pares. Finalizei o primeiro dia com 6:39h.

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Chegando no acampamento fiz um pouco de gelo rs* (entrei em um caixa d´agua bem gelada) e fiz massagem que acredito que ajudaram bastante para o segundo dia, a refeição estava boa mas acredito que aqueles que chegaram um pouco mais tarde não tiveram a mesma impressão pois alguns itens acabaram.

Dormi bem e acordei tranquilo para tomar um belo café da manhã e largar tranquilo no segundo dia de prova que esperava ser mais rápido e realmente foi, onde consegui manter o pace planejado nas retas, e nas subidas que não foram poucas como eu imaginava, eu acabei andando mas nada que interferi-se o planejado, com exceção de umas abelhas que picaram vários atletas inclusive eu e acabei por parar para ajudar um atleta e também tomar um antialérgico para não ter problemas, por minha sorte nada aconteceu e finalizei o segundo dia com 4:14, com uma sensação maravilhosa de dever comprido e realização por sentir que os treinos funcionaram, que tive um bom aproveitamento durante a prova e finalizei com um tempo muito melhor que eu imaginava.

Gostaria de ressaltar os treinos da Pace pois é a primeira vez nestes 5 anos que corro onde estou planilhando e já senti um resultado. Mudei fazem 2 meses para SP, no início tive receio com relação aos meus treinos mas a um pouco mais de um mês comecei a fazer um funcional excelente na Gaff Studio com apoio do professor Fábio Rocha que acredito também já ter me ajudado e com certeza ambos treinos serão de grande valia para as minhas próximas provas.

Para finalizar o Desafio foi um excelente prova com boa organização e completa no quesito MONTANHA e é uma prova que vale a pena fazer parte do calendário dos amantes do trailrun.

KTR Itamonte – Dura, difícil, mas renovadora

A penúltima etapa do ano, da KTR – Kailash Trail Run , foi realizada na cidade de Itamonte – MG.

Itamonte fica ao sul do Estado de Minas Gerais, fronteira com os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Situada na Serra da Mantiqueira.

Foi lá que aconteceu talvez o percurso mais bruto que já ocorreu na KTR! (relato de Chico Santos, e Gilliard).

Como para mim foi minha 1ª KTR, essa com certeza ficará para a história, de tão difícil que foi! E posso dizer que experiência em provas de montanha eu tenho. Já participei de muitas provas pequenas , e ainda tenho 3 maratonas e 1 ultra de 50k, que teve muita altimetria.

Mas essa etapa da KTR surpreendeu a todos!

No congresso técnico, que foi realizado na sexta, bem na praça da matriz, aonde também foi montada a estrutura para entregas de kit, já tivemos as surpresas.

Congresso Técnico
Congresso Técnico

Muito ganho de elevação para distâncias tão curtas. Na distância longa, que acabou sendo 26k, o desnível total da prova foi de quase 5000m.

Já na média  que foi de 21k, na qual me atrevi a fazer, foi de desnível total  de quase 2800m. E ainda teve a distância curta de 10k.

A largada da distância média, ocorreu às 9h de sábado, na pousada Refúgio Alto da Montanha, bem ao lado de uma bela cachoeira.

Dali largamos sentido montanha. Foram praticamente 7km de uma trilha cheia de arbustos, e na subida. A minha estratégia sempre foi me poupar ao máximo no início da prova, para da metade pra frente conseguir render mais.

Após essa subida teve a divisão do percurso médio, para o longo. E seguimos em frente rumo a outra trilha muito fechada, com muito cipó, que não dava para desenvolver.

Quando acho que teremos um alívio, o pior da prova está por vim. Uma trilha na beirada da montanha de muita, mas muitaaaa subida. Escalada e força . O jeito era ir agarrando as árvores, para que elas ajudassem a subir. Minha sorte que eu estava de luvas, senão tinha furado a mão. Fora isso, íamos escalando nas pedras. Foi muito duro! Desesperador!  A única solução era manter o foco, o ritmo, para tentar acabar rápido! Mas não acabava!

Teve quilômetro que fiz em 30minutos. Eu só sei que foram os 4Km mais duros que presenciei!

Quando consegui chegar ao 1º topo da montanha, com 2:52 de prova, e com apenas 11:300 percorridos, eu chorei! Ali consegui contemplar o visual, gravar um vídeo, agradecer e chorar. Foi muito insano!

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Após fazer minha primeira alimentação da prova. Segui para a 2ª parte.

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Não tão dura como a primeira, mas muito travada. Não dava para desenvolver! Correr nem pensar! Era um capim amarelo alto, cheio de armadilhas. Ali não tínhamos a visibilidade para correr, e um vacilo podia machucar.

Segui assim até o km 15:500, aonde tinha um ponto de água natural.

(A KTR, é uma prova de total auto-suficiência, não existe pcs para hidratação e alimentação, somos responsáveis por tudo isso).

A partir do km 15:500 deu para correr. Pegamos um pequeno estradão, seguido de trilha single track, para finalizar a prova no mesmo local da largada.

Fechei os 21k com 4:35:50, toda arranhada, suja, cansada.

Claro que chorei! Foi um desafio e tanto! E uma experiência sensacional! Dura, dolorida, difícil, mas renovadora.

Ano que vem volto para alguma etapa da KTR. Mas vou para o longo. Vamos ver o que acontece! O importante é  #nevergiveup.

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Desafio das Serras 40k-2° dia: Uma experiência ímpar!

Correr dois dias seguidos, sempre vai ser um desafio. Já tinha feito treinos que simulamos dois dias de prova, mas na hora é outra história, seu corpo pode responder diferente e seu desempenho mudar muito de um dia para o outro.

O segundo dia era predominante de descida e estrada de terra. Dada a largada eu e meu namorado saímos, cortamos algumas pessoas para tentar ficar um pouco mais a frente. O dia estava agradável, e não tão quente como no dia anterior. Corpo estava respondendo melhor, mas ainda teríamos dois trechos com subida, onde as pernas ainda iam sentir um pouco.

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2 dia. Foto: Henrique Boney

Primeiro trecho aproximadamente no 5k e depois um trecho mais longo por volta do 10k, onde passamos por um pasto e com uma vista incrível. No horizonte muitas montanhas, verde, vacas pelos pastos e as pernas queimando da subida.

Depois da última subida mais estrada de terra, nesse trecho nossa amiga Carmen já estava correndo conosco, passando por vários trechos em que ouvíamos o barulho de água corrente, correndo, conversando, aproveitando muito bem a prova.

Até que avistamos a cidade, e estamos bem próximos a linha de chegada, mais um pouco de estrada, asfalto e logo entramos na rua da praça onde nos levava até o pórtico de chegada; uma leva acelerada no ritmo e chegamos os 3 juntos no segundo dia desse super evento!

Fiquei muito feliz por ter me sentido melhor no segundo dia, e por toda experiência compartilhada nesses dois dias. O segundo dia foi bem proveitoso e cruzar a linha de chegada com pessoas queridas é muito bom.

Uma desafio que antes chegou parecer muito difícil de concluir, algo distante e num piscar de olhos tudo aconteceu, de forma rápida e intensa. Logo depois de cruzar a linha de chegada o sentimento de felicidade tomou conta de mim. Fotos, bate papo, planos para a prova do próximo ano (sorriso largo).

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Valeu cada minuto dessa experiência ímpar e todos os aprendizados que ela trouxe, porque com certeza é uma prova que marca todos aqueles que participam e deixa um gosto de quero mais.

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Desafio das Serras 40k – 1° dia : Começa a aventura

Ano passado foi a primeira vez que ouvi falar sobre o Desafio das Serras, cogitei a possibilidade de participar mas por N motivos acabei não participando do evento, mas fui para acompanhar e esperar meu namorado que correu os 80k. Ele simplesmente adorou a experiência e disse que esse ano teríamos que fazer a prova.

Confesso que esse ano eu comecei animada para ir, mas depois me questionei inúmeras vezes se deveria fazer a prova. Meu namorado me convidou para fazer dupla mista com ele na prova, ou seja, correríamos dois dias um ao lado do outro, e teríamos que cruzar a linha de chegada juntos.

Treinamos juntos várias vezes, e eu questionei inúmeras vezes também, o fato dele querer correr comigo, afinal ele corre mais que eu, e sempre eu escutava dele: “Porque eu quero correr com você”… “Se quisesse ir por causa de tempo iria sozinho”…. “É seu primeiro Desafio das Serras e quero estar com você”… e eu tentando trabalhar o meu psicológico nesse tempo. Passaram se os treinos e chegou o dia.

A aventura já começa na hora de fazer uma única mala para os dois, com saco de dormir, isolante térmico entre outros, e na hora de fechar a mala…risos!! Fomos a São Francisco Xavier –SP na sexta a noite retirar nosso kit e despachar a mala para o acampamento. Sábado levantamos cedo e fomos para São Francisco junto com nossa amiga Carmen. Tudo pronto, e largamos para o primeiro dia, 20k com muita subida.

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Início primeiro dia. Foto: Henrique Boney

Já conhecíamos metade do percurso do primeiro dia, e já tínhamos treinado por lá, então sabíamos o que estava por vir em partes. Estava bem quente, e sofri com o calor, meu desempenho não estava como nos treinos e lógico o psicológico pegou. Meu namorado falando comigo, perguntando se estava bem, e dando dicas para que eu controlasse melhor minha respiração, afinal acabei ficando “nervosa” como diz ele, e isso reflete diretamente em como respiro. Existi uma cobrança muito grande que tenho comigo mesma, ainda mais quando corro com alguém, e nesse caso não podia falar para ele ir na frente e me deixar. A sensação que tenho é que estou prendendo a pessoa, muitas coisas a ser trabalhado ainda nesse ponto. E o pior e que sabia que em algum momento da prova isso ia pegar, e foi logo no começo.

subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi
subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi

São Francisco sempre com lindas paisagens, passamos por vários pontos com água, trechos que pareciam bosques, além que cair umas duas vezes (risos). E como correr na montanha tem companheirismo durante o percurso, meu namorado foi animando alguns pessoas que iam parando no caminho, achando que o cume ainda estava longe, e também oferecemos ajuda aqueles que não estavam passando bem.

Depois de uma longa, longa subida começou o trecho de quase 7k de descida e estrada que nos levou até a chegada do primeiro dia e acampamento. Faltando pouco para chegar, da estrada vimos as barracas e também escutamos a música que vinha do acampamento, e deu aquele gás para dar chegar. Saímos da estrada, e última subidinha que terminava bem na linha de chegada.

Concluído o primeiro dia de Desafio, um ao lado do outro e com certeza com mais aprendizados.

Sorriso no rosto, amigos nos esperando, e ainda tinha muita coisa para vivenciar nesse final de semana que estava só começando.

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Chegada primeiro dia. Foto: Carmen Romanillos

Maratona dos Perdidos: lidando com as adversidades

Chegamos no aeroporto de Guarulhos algumas horas antes do vôo, a ansiedade era grande e o tempo passava muito rápido, pra piorar o voo atrasou 40 minutos, mas finalmente embarcamos, e o que era um pânico se tranquilizou, até que curti a experiência e logo já estávamos pousando em Curitiba, fomos para retirada do kit, muito tranquilo devido ao horário e praticamente só estávamos nós; com número na mão teria o restante do dia e toda a sexta para descansar e estar pronto para a prova.

O clima era agradável, sol , pouco vento e poucas nuvens, pude descansar bem, fiquei hospedado a menos de 13 km da largada o que a principio iria facilitar muito as coisas, na sexta a tarde fomos para o local da largada para ver como estava os preparativos e quanto tempo levaríamos da casa até a fazenda de onde iriamos largar, após isso retornamos a casa.

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Arena.

Mochila pronta, devidamente alimentado e na cama as 21h  já que iriamos levantar as 3 manhã para terminar os preparativos e tomar um bom café para a largada as 6h, tudo caminhava bem quando no fim da noite acordei com barulho de trovões, um dilúvio caiu sobre tijucas, e permaneceu toda a madrugada, mas já era previsto e mesmo assim continuamos os preparativos e saímos no horário, mas com menos de 500 metros de estrada nos deparamos com o trânsito parado devido ao um acidente com uma carreta a frente, a preocupação e a frustração tomaram conta e logo pensei que tudo estava perdido, mas após uma hora parado voltamos a andar e chegamos na largada as 6:40.

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Unica foto antes da prova.

Para o meu alivio a largada ocorreu as 6:37 e mesmo largando em último embaixo de chuva estava a menos de 10 minutos do pelotão e após percorrer 3 quilômetros de subidas sentido perdidos, me deparo com uma staff que me abordou e me comunicou  que iria ter uma relargada e todos iriam retornar a base, novamente uma sensação de desapontamento por nada estar indo como planejado, e após algum tempo que todos já retornaram a base recebemos o comunicado que a prova estava cancelada devido ao excesso de chuva que fez os rios ficarem intransponíveis e a subida ao Araçatuba perigosa próximo ao cume.

Minutos depois da largada dos 105k na noite de sexta feira.

A sensação de desapontamento e frustração minha e de outros atletas era evidente mas todos no fundo sabíamos que essa decisão foi para a nossa segurança, e que realmente cruzar um rio com mais de 2 metros de profundidade sem corda já que o volume engoliu a corda seria muito perigoso e a organização tomou a atitude  correta.

Não se pode lutar contra a natureza, temos que respeitar para podermos depois usufruir.

Agora é pensar no próximo desafio, mesmo perdendo vamos dizer assim o valor da inscrição e gastos da viagem, voltar para casa bem não tem preço e ainda pude viver a experiência de voar pela primeira vez , levarei os bons momentos e aprenderei com as adversidades, até a próxima aventura.

 

O aprendizado é continuo: 45k Maratona dos Perdidos

Nem sempre as coisas saem como planejamos!

Ah…As expectativas, nós sempre criamos, e quanto mais altas, mais acabamos nos decepcionando!

A tão esperada e preparada prova, não aconteceu!

Qual o sentimento? Frustada! Chateada!

Motivo? Poderiam ter sido inúmeros, ter sido cortada no tempo de corte no meio da prova, desistência, lesão.. Mas dessa fez foi por motivos de força da natureza!

Noite anterior, sexta 15/07 ás 22h uma chuva forte e intensa começou a cair… Relâmpagos! Horário da largada dos 105k…

Choveu a noite inteira, sem parar.. Intenso!

Levantei, me arrumei e parti junto com meus amigos para a largada dos 45k. Um pouco antes de sair da pousada, ficamos sabendo que havia um acidente na estrada e estava parada!

Sim, pegamos trânsito! Estrada parada! Ficamos parados pelo menos uma meia hora… Sabíamos que não éramos os únicos parados na estrada devido ao acidente, estava até que tranqüila! Mas depois que liberou o trânsito novamente, a ansiedade chegou forte… Chegamos com quase uma hora de atraso após a largada!

Ainda estava escuro, frio e chovendo!

Minutos após largada 45k- muita chuva
Minutos após largada 105k- muita chuva

Ficamos sabendo que a largada teve um atraso, aconteceu por volta das  6h37e ainda podíamos largar se quiséssemos!

Logo quando chegamos, o ponto que discutíamos era o tempo de prova, já que nas condições de muita chuva nosso deslocamento seria mais lento que o previsto e se chegássemos a completar, terminaríamos tarde!

Mas foi questão de 5 minutos para decidir se iríamos mesmo ou não, recebemos a notícia de que não poderíamos mais largar devido as condições climáticas!

De nosso grupo 3 de nossos amigos largaram, mas conseguiram ir apenas até o 3km e a staff pediu o retorno deles por medida de segurança.

Por fim a organização cancelou a prova, decidiu reunir os atletas que haviam largado por medidas de segurança!

Confesso que é uma grande frustração se preparar tanto para uma prova e não correr, fiquei bem chateada, pensativa… Meus olhos encheram de lágrimas várias vezes, senti um nó na garganta!

A preparação, os treinos fazem parte e continuam, você não perde o que adquiriu até o momento, você já evoluiu fisicamente e até mentalmente, afinal os treinos não foram fáceis, o que mais sinto e não conseguir colocar em prova, e saber o quanto seria capaz! Demorou algumas horas para aceitar!!

Os primeiros 45k não aconteceu! Ainda não! Talvez ainda não era o momento! Mas não faltou vontade, foram outros motivos que impediram!

Sexta-feira, 15/07, dia anterior ao da prova!
Sexta-feira, 15/07, dia anterior ao da prova!

Mas também vale o aprendizado, as expectativas que criamos em volta de algo que desejamos tanto, como lidamos com as situações que não saem como planejado!

A organização agiu pensando na segurança e bem estar dos atletas e não está errada, afinal queremos que todos cheguem bem após uma prova. E dentro disso fica também o apredizado sobre a natureza, com a montanha não se brinca!! Segurança em primeiro lugar!! Temos que ver até onde é seguro começar ou continuar uma prova; quando as condições já não são mais seguras! Quem manda é a montanha, respeite e ela sempre te deixa voltar! Nesse dia ela não queria ninguém se aventutando em seu território!!

Agora é refletir sobre os sentimentos que ficaram e focar em um próximo objetivo! O aprendizado é continuo!!

 

 

O que te move para o próximo desafio?

Ao decidir ir para uma prova que foge completamente de tudo o que você já fez até então, bate um frio na barriga em inúmeros momentos. Desde o momento em que você perceber que fez a inscrição, depois durante o treinamento principalmente quando começa a ficar mais específico e depois quando falta poucos dias para a prova.
Quando me inscrevi para a Maratona dos Perdidos já sabia que não seria uma prova fácil, que precisaria de muitos meses de dedicação e comprometimento nos treinamentos para que quando chegasse a tão esperada data eu conseguisse alcançar meu objetivo e me sentindo bem.
Junto comigo um grupo de amigos também resolveu encarar o desafio e nos preparamos por vários meses, tanto com treinamentos nas rua, como na montanha e também fortalecimento muscular.
Durante vários treinos, tanto de rua e principalmente de montanha eu me questionei se iria conseguir terminar a prova e se estava me preparando o suficiente. Fiquei doente algumas vezes nesses período, dores de estômago, início de pneumonia,; que por alguns dias me tiraram do treinamento, me deixaram frustrada e triste por não poder treinar e lógico batia a insegurança de estar falhando com algo nos meus treinos.
Quando os treinos ficam mais intensos e longos a ficha começa a cair, que sim, eu estou me preparando para uma maratona, e sim é difícil! E você se questiona por inúmeras vezes do porque estar fazendo aquilo, e o que te mantém firme nos treinos e ir em busca desse objetivo. No meu caso é provar para mim mesma que eu sou capaz!
Por muitas vezes sempre me questionei sobre a minha própria capacidade, na persistência mental e física. Ver nos treinos a própria evolução de tempo e resistência nas longas horas de treinos nas montanhas, vai aos poucos te tornando mais forte. Pra mim durante a prova da Maratona dos Perdidos vou estar em um longo processo de conhecimento sobre mim mesma, tanto fisicamente como mentalmente, e ao cruzar a linha de chegada terei a certeza que de sou capaz, e que estou me conhecendo mais um pouco.

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Há duas semanas atrás tivemos nosso último treino específico em montanha em Campos do Jordão, não foi um trecho longo mas sim com bastante inclinação. O mesmo trecho que em janeiro fiz uma única vez, sofrendo e bem lento. Agora 6 meses depois retornei e fiz o mesmo trecho 4 vezes e bem mais rápido. Feliz? Sim, com certeza! Nunca imaginei que iria fazer aquilo de novo repetidas vezes e tão mais rápido. Confiante para a prova? Não! Impressionante como a nossa mente tem um poder tão grande sobre nós, seria para eu estar confiante após esse treino, afinal estou bem mais forte que em janeiro, mas não fiquei.
Talvez porque eu saiba que a prova será muito mais difícil que isso, porém uma certeza eu tenho, lá o meu maior desafio mais que o físico, será a minha mente.

Enquanto você lê esse texto, eu estou correndo e me conhecendo mais um pouco. E você? O que te move para o próximo desafio?

Mais um desafio se aproxima.

Não fazem 3 meses que corri a KTR Serra Fina 50k, e o próximo desafio praticamente já chegou, nessa quinta dia 14/07 embarco para Curitiba para o segundo desafio do ano, a Ultramaratona dos Perdidos serão 45k com 2900 metros de desnível positivo, a prova será realizada dia 16/07 em Tijucas do Sul, largaremos as 6 da manhã e teremos 11 horas para completar o percurso.

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Uma prova muito técnica, praticamente sem retas, ou você está subindo ou descendo, diferente da KTR a prova contará com 4 pontos de apoio com suprimentos, banheiro e socorrista ao longo do percurso. Haverá um corte no quilometro 22 na qual teremos 5:30h para passar por este ponto e poder buscar a chegada dentro das 11 horas. Seremos 350 atletas nos 45k nessa empreitada, atletas profissionais, amadores e iniciantes buscando um único objetivo.

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Altimetria 45k

E a preparação não parou depois da KTR e sim foi intensificada, após me recuperar da prova voltei com força total aos treinos, muito mais confiante e com a certeza de que ainda poderia melhorar bem o meu corpo para Perdidos. Com uma planilha mais casca grossa, a maioria dos treinos foram em montanha, com longas distâncias, grande duração, subidas e descidas técnicas, novos testes de alimentação e vestuário e boas horas de trekking, afinal na Corrida de Montanha também andamos, principalmente em subidas intermináveis mas com recompensas incríveis, tenho a certeza de estar preparado para dar o meu melhor.

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Foto por Tatiana de Cássia

O frio na barriga já começou, mas por motivos diferentes ao da  Serra Fina. Optei por ir de avião para poder chegar mais descansado para a prova e poder curtir um pouco mais a viagem, e como será o meu primeiro vôo já viu né, tensão; mas com a certeza de que este será o primeiro de muitos. Outro fator que está me deixando mais ansioso é a questão do tempo, ainda não sabemos se irá chover ou não, e devido as baixas temperaturas e o vento, chegar preparado e com a certeza que estou devidamente equipado para a prova é de fundamental importância.

Estaremos cobrindo todo o evento, fiquem ligados em nossas redes sociais. Retirada do kit, concentração dos atletas, arena e muito mais você acompanha aqui na Runnermax e ainda teremos uma grande matéria pós prova com nossos colaboradores e atletas convidados mostrando na íntegra como foi essa aventura nas terras paranaenses.