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Uma prova diferente!

Neste domingo fiz minha oitava meia-maratona. Treinei pra tentar conseguir uma boa colocação pois sabia que tinha chance de subir no pódio se fizesse uma boa prova.

A meia de Bauru tinha um percurso bom até o km 9, depois era só descida e subida. Fiz os 10 primeiros kms em 45 minutos e passei os 15k com 01h e 08 minutos, muito bom mesmo com as subidas duras nessa etapa.

Estava correndo com o foco em conseguir uma boa colocação na minha faixa etária, talvez até um pódio se mantivesse esse ritmo. Porém no km 16 avistei um corredor passando mal. Estava cabisbaixo e vomitando. Resolvi parar. Tinha uns 50 anos e disse estar com muita tontura. Estávamos sozinhos neste trecho e corri até o staff da água que estava 1km atrás, porém não tinham comunicação com o staff da prova; porém conseguiram ligar pra chamar o socorro.

Chegaram em uma moto e levaram ele embora. Voltei à prova num ritmo mais confortável e fechei em 01h49″ porém fiquei satisfeito de poder ajudar um parceiro que estava passando mal. São por esses momentos que eu corro!

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De 140kg a 75km – Maresias x Bertioga by Eduardo Lima

Aos 30 anos, sofria de pressão alta, sentia dores no corpo e dormia mal. O sedentarismo e a alimentação desregrada haviam me deixado com 140kg em meus 1,80 metros, resultando em obesidade mórbida. Insatisfeito com a vida que levava, em dezembro de 2011 decidi mudar radicalmente.

No início de 2012, incentivado pelo meu irmão, comecei a caminhar. Aos poucos, a alimentação foi melhorando e os treinos evoluíram para a corrida. Em junho do ano seguinte, comecei a fazer musculação, meses depois procurei orientação profissional e acelerei ainda mais a perda de peso.

Na academia existia um grupo de corrida, comecei a fazer parte deste grupo e posteriormente me convidaram para correr uma prova em Bertioga, uma prova de revezamento a qual me apaixonaria… Enfim, em 2014 conheci a Ultramaratona de Revezamento Bertioga Maresias participando pela primeira vez em um grupo de 8 corredores misto.

Minha 2ª participação foi em maio 2015, dessa vez em um grupo de 6 corredores misto, mas decidido a encarar essa prova sozinho, o que muitos diziam ser uma loucura. Loucura essa que decidi encarar na segunda etapa do ano.

Treinando com uma equipe de corrida e um treinador orientando. Foram meses de preparação focada e finalmente encarei o SOLO na minha 3ª participação na BM. Nesta etapa a prova iria de Bertioga para Maresias. O dia foi perfeito, corri com uma alegria no coração e um instinto de invencibilidade que superaram todas as metas previstas, fechando minha primeira participação com o tempo de 7h e 40min em 29º colocado.

Na minha 4ª participação, fui de apoio, conheci o outro lado da prova, os bastidores e a logística envolvida para apoiar os corredores, uma experiência gratificante.

Então veio a 5ª participação, decidi fazer novamente um SOLO, e recebi a notícia de que o sentido seria invertido e correríamos de Maresias a Bertioga. Durante a preparação tive alguns contratempos que não me permitiram treinar o suficiente como gostaria, mas estávamos lá na largada prontos para mais esse desafio.

Eu corri com uma equipe de apoio, 2 pessoas e 1 carro, que levam de tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, nada me faltaria na prova. A Organização decidiu mudar a sistemática da largada que antes era de 30 em 30 minutos para cada largada entre as modalidades, dessa vez juntou os SOLOs e o Trios e 15 minutos após, as demais equipes.

Inicialmente, isso não atrapalhou a largada dos SOLOs, o dia estava chuvoso e fomos presenteados com o tempo nublado, chuvoso e coberto para o sol não fritar os corredores rsrs, porém, vieram os contratempos. Logo na parte inicial da prova, para sair da praia de Maresias e acessar a serra de Maresias, tínhamos que passar por um corredor que somente passava um corredor por vez, e não teve jeito, isso gerou fila e confusão entre os corredores, mas nesse eu passei bem, pois estava entre os primeiros ainda.

A tão desafiadora Serra de Maresias, quando se corre no sentido Maresias / Bertioga, é mais curta a subida e em minha opinião mais fácil, fechei esse trecho muito bem e assim fui para o segundo e o terceiro onde, mesmo sendo trechos com nível de dificuldade alto, pude passar forte e com um tempo abaixo do que previa.

Endorfina na pele durante o percurso.
Endorfina na pele durante o percurso.

Ao final do terceiro trecho, meu tênis estava cheio de areia, pois esse ano o tempo estava chuvoso há dias, e o mar comeu uma parte da praia, deixando um pequeno espaço de areia fofa e ruas cheias de lama, então parei para trocar o tênis e fazer uma alimentação.

Ao entrar no quarto trecho, o maior da prova com 14,2k, comecei a ter dores muito forte no peito do pé esquerdo, e tentando superar a dor e não perder tempo, mantive o ritmo ao final deste trecho estava difícil demais correr. A equipe de apoio tentou de todas as formas ajudar com spray para dor, gelo e tudo mais, e tive que aumentar as reposições de alimentação e hidratação, pois comecei a demorar mais para atravessar cada km.

No quinto trecho mantive a concentração e tentei de todas as formas não pensar na dor, tendo um aumento no esforço físico causando um gasto maior de energia, onde tomei cápsula de sal, coca cola e comi uva, isso me deu um novo ânimo na prova e logo finalizei o trecho.

No sexto e o sétimo trecho, o peito do pé direito começou a doer também, então, já com os dois doendo, tive que baixar um pouco mais o ritmo, e no quinto em especial, tivemos que passar por uma trilha, onde não conseguimos parar em pé andando, correr era muito difícil, pura lama e esburacada, mas passei sem grandes problemas.

E enfim o último trecho, 10,8k onde não conseguia mais correr constante devido as dores, tinha fôlego, tinha uma musculatura boa ainda, mas as dores no peito do pé eram grandes, comecei a revezar correndo e andando e assim fui até a chegada.

Equipe de apoio na ativa
Equipe de apoio na ativa

A chegada é algo inexplicável, a sensação de concluir uma prova de 75k é maravilhosa, como da primeira vez, não agüentei a emoção e cai no choro, vem na cabeça tudo que passei na vida, e tudo que superei e abri mão para me preparar para esse momento, a felicidade entra no peito e a vontade de gritar “eu consegui” sai em gestos e lágrimas, tive que ajoelhar ali na linha de chegada e agradecer a Deus, aos apoios, a equipe de treino e aos amigos, ali agradeci e enfrentei a quase impossível tarefa de levantar sozinho naquele momento para então buscar a tão sonhada medalha do Ultramaratonista… aquela que vem escrita “Solo”.

Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.
Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.

Apesar das mudanças feitas pela organização juntando as largadas, deixando o percurso e os pontos de transição mal sinalizados, fazendo com que as equipes ficassem emboladas e até perdessem o tempo certo de troca dos atletas, causando trânsitos nos pontos na estrada, o que não aconteceu nas versões anteriores, sou suspeito em falar, porque acredito que as dificuldade são para todos e o que me leva as provas são as dificuldades, são elas que tornam a conquista da medalha um momento especial.

Dos 45 kg perdidos ao longo das corridas nesses anos e os mais de 6.000 mil quilômetros em distancias de 5km, 10km, 16km, 21km, 42km e 75km. Costumo dizer que quem manda é a cabeça, basta querer e persistir, afinal, nunca imaginei que sairia do sofá, e iria dos 140 kg a 75km e ainda pretendo ir muito além, carregar aquele número vermelho ao longo da prova, e ser saudado e reverenciado por todos os envolvidos na prova, que sempre incentivam “vai SOLO”, “força monstro”, “SOLO é pra poucos” não tem preço.

Eu voltarei em maio novamente para mais um desafio, saio dessa versão com o aprendizado de que… se preparar cada dia mais é necessário, mas principalmente se preparar para os imprevistos, porque correr 75k nunca será igual. Convido a todos para conhecerem essa prova que sou apaixonado e digo… bora bora se desafiar, sair da zona de conforto e para com o “mimimi” e regar as nossas vidas de “uauuu”, hoje posso dizer eu sou SOLO 75k e nos vemos na próxima etapa.

 

Eduardo Lima

#menosmimimimaisuauuu

#eduardolimaultra

#de140kga75k

E a sua mente, te ajuda ou atrapalha?

A nossa mente tem um grande poder sobre nós; e se você ainda não acredita nisso, comece a observar!

Comecei a correr porque buscava bem estar emocional, já que o meu na época na estava lá assim tão bom. E segundo uma amiga, a corrida já tinha ajudado ela em uma situação muito semelhante, então embarquei na dela e em sua companhia comecei meus treinos.

De fato a atividade física me fez muito bem na época e até hoje faz! Mas me lembro muito bem, que quando me sentia triste, queria sair para correr porque sabia que quando terminasse meu treino eu estaria me sentindo melhor… Como uma terapia.. Quando você fala e sai aliviado, e olha que eu sei muito bem como é isso! (Risos)

Às vezes fico mais observadora a respeito de como minha mente está na corrida, durante treinos e provas. Porque sei que sem nos darmos conta acabamos influenciados por pensamentos não tão motivadores.

Sei que a mente tem um papel muito importante quando se trata de esporte/superação, afinal do que adianta estar bem fisicamente se a sua mente não ajudar.

Nos treinos que fiz para o Desafio das Serras no qual corri em dupla, aprendi certas coisas.. Outras ainda estou aprendendo. Foi nesses treinos que comecei a mudar meus pensamentos principalmente quando estava em uma subida… a não desistir de chegar no topo correndo. Paciência, essa é a palavra!!

Também tive treino no qual foi intenso e a vontade de vomitar era grande, devido ao esforço. Subidas na qual antes não fazia correndo, estava lá eu fazendo, e não foi uma vez só não, foram várias vezes no mesmo treino. E o que treinei mais do que o corpo fi a minha cabeça, para não me deixar parar.

Há dias que fui treinar não tão afim e no final foi um dos melhores treinos, detalhe que isso sempre acontece.

Assim como nossos pensamentos podem nos levar longe, podem nos fazer parar no meio do caminho. Estou aprendendo a ter minha cabeça a meu favor, e cada treino que consigo fazer algo a mais é uma alegria e satisfação imensa.

E você está treinando a sua mente?

Mizuno Uphill: A trajetória de uma grande conquista – by Rodrigo Falcão

Foram 396 dias de espera, entre o momento da pré inscrição até o dia da Maratona, durante o período, vários acontecimentos e sensações como ansiedade, fatalidade, incertezas, fisioterapias, recuperação e treinos, nortearam minha caminhada até a conquista do objetivo, a Uphill Mizuno Marathon Serra do Rio do Rastro.

Imponente, Serra do Rio do Rastro
Imponente, Serra do Rio do Rastro

Em maio de 2015, tomei conhecimento da prova através de amigos que mostraram o famoso vídeo do Sapo (Propaganda da Uphill de 2014), ao assistir, de forma instantânea instigou minha vontade em participar da prova.

Ao abrir a pré inscrição da prova, uma grande amiga realizou a minha inscrição, porém ainda ocorreria o sorteio.

Nos meses de junho e julho comecei a treinar longas distâncias com o intuito de ganhar resistência e rodagem, porém no dia 13/07, ao treinar em um avenida de SJC, fui atropelado e conduzido ao hospital.

Alguns dias depois, ao retornar ao médico, e verificar minha ressonância, ele constatou que meu menisco estava esmagado e tinha afetado um pouco da cartilagem, informou ainda, que eu nunca mais iria correr uma prova longa. Ao sair da clínica chateado e com raiva, recebo a informação que estava entre os corredores sorteados a participar da prova. Era um sinal !

Após mais de uma centena de sessões de fisioterapia, onde o vídeo da prova me acompanhou diariamente, motivando e incentivando a acreditar no objetivo; sendo acompanhado por uma assessoria de corrida, onde profissionais direcionam o melhor caminho através de treinamentos específicos, cheguei preparado para participar da prova.

Na véspera da prova, diversos aspirantes a ninja runners se encontraram no aeroporto de Congonhas-SP, com destino a cidade de Juaguaruna-SC. Antes da decolagem, fomos muito bem recebidos na aeronave e os atletas estavam super empolgados.

Ao chegar na cidade, encontramos pessoas acolhedoras, amigas e dispostas a nos ajudar da melhor forma. Em Treviso, durante a retirada do kit, encontramos um ginásio com uma grande estrutura, tudo bem organizado, contendo produtos da Mizuno, local para massagem (sem filas) e muita comida (lanches, biscoitos, bolos, café e sucos) a disposição dos atletas.

No dia da prova, após uma boa noite de sono e almoçando mais cedo em Lauro Muller, tendo em vista que a largada da Maratona ocorre as 15hs, partimos para Treviso no aguardo da largada.

Antes da largada em Treviso
Antes da largada em Treviso

Antes da largada, a organização surpreendeu os atletas com uma apresentação japonesa com os tradicionais tambores da cultura japonesa e escutamos o famoso áudio do sapo; logo não teve como não lembrar da trajetória, dos familiares e amigos, das mensagens e segurar as lágrimas na largada.

Durante a prova, as pessoas das cidades nos motivavam, principalmente as crianças.Ao chegarmos ao Paredão da Serra do Rio do Rastro, confesso que ao olhar, a danada assusta e logo São Pedro tratou de nos mandar aquele dilúvio para abençoar nossa subida.

Rodrigo durante a subida da Serra
Rodrigo durante a subida da Serra

Por fim, os 42k viraram 44k e as dores no corpo e o cansaço quase atrapalham a nossa conclusão, porém nada iria tirar o gosto da nossa conquista!