Tag Archives: corrida de rua

A Muralha Marathon: o grande desafio – by Fernanda Granja

Há três anos tenho como objetivo fazer uma maratona por ano. Faço isso com o intuito de me manter disciplinada tanto nos treinos como na alimentação e com isso tentar me manter em forma.

Escolhi a SP City Marathon da Asics como objetivo principal de 2016, porém qual foi minha surpresa quando algumas semanas antes dessa prova meu treinador Alan Zonzini me falou sobre uma outra maratona – A Muralha – e me perguntou se eu não gostaria de fazer também. Claro que minha primeira reação foi dizer não; ainda mais quando soube que a prova seria subindo de Penedo a Visconde de Mauá e a data seria apenas três semanas após a Asics!

Depois de algumas conversas com meu treinador e com meu marido – Hector – que decidiu fazer a prova, fui convencida a encarar o desafio.

Fiz apenas dois treinos específicos com subidas significativas e após o segundo treino me senti um pouco mais confiante mas fui para a prova muito ansiosa e com apenas um objetivo em mente: terminar dentro do tempo proposto pela organização.

No fim de semana fizemos uma viagem muito agradável para Penedo. No dia anterior a prova fomos até Visconde de Mauá para a retirada do kit; conversamos com alguns corredores e pessoas da organização o que só fez aumentar minha ansiedade e expectativa.

Fernanda e seu marido Hector antes da prova.
Fernanda e seu marido Hector antes da prova.

O dia da prova amanheceu um domingo chuvoso o que me deixou um pouco preocupada pois não gosto de correr com chuva. Na hora da largada porém, a chuva deu uma trégua e a temperatura agradável facilitou muito o andamento dos primeiros kilometros.

A vista maravilhosa e a atmosfera positiva da prova me fizeram sentir cada vez melhor durante todo o percurso e fiquei surpresa ao perceber que tinha passado com folga no ponto de corte!

Isso me motivou ainda mais a encarar o trecho até o kilometro  30 que seria a subida mais dura. Cheguei me sentindo ótima no kilometro 34 e encarei com coragem o trecho final que para mim se revelou o mais difícil da prova!

Chorei de alegria ao perceber, na chegada, que havia concluído a prova num tempo muito melhor do que eu esperava e ao final de tudo a grande surpresa: fui chamada para o pódio pois fiquei em segundo lugar da categoria feminino amador!

IMG_4044

Participar da prova A Muralha foi uma experiência única pois tive a oportunidade de encarar um grande desafio, em uma prova com uma organização impecável e ainda não apenas atingir mas superar meus objetivos. E agora estou pronta: que venham novos desafios!

Fernanda Sá Granja

Asics, a maratona dourada

Estava me preparando para a minha primeira maratona, a internacional de São Paulo, que seria dia 17 de abril de 2.016, quando apareceu a Asics São Paulo City Marathon, marcada para dia 31 de julho. Circuito inédito, me pareceu interessante. Já estava treinando, seria só esticar o treino mais 3 meses, ainda daria para melhorar a performance.. perfeito! Fiz a inscrição.

Fiz a maratona de SP, foi maravilhoso e já comecei a focar na Asics. Primeiro contratempo veio logo em seguida: começo de maio, quando ia começar a pegar pesado nos treinos, tropecei durante um treino funcional e torci o tornozelo. A princípio, nada grave, nenhuma fratura nem ruptura. Só precisava descansar, colocar gelo, o básico.

Mas nesta época meu pai, que mora em Ubatuba, uns 130 km da minha cidade, estava em estado terminal, câncer em metástase, eu estava indo direto para lá para ficar com ele e minha mãe. Neste período, sem chance de cuidar do pé e a lesão não regrediu. Ele faleceu em 16 de maio, e dias antes, tinha perguntado se eu iria fazer outra maratona. Respondi que sim, já estava chegando a próxima, ele, embora debilitado, sorriu. Aí, virou uma promessa!

Fiz fisioterapia, o pé melhorou e voltei a treinar. Frio intenso de inverno, comecei a sentir dor intensa nas costas, onde fiz cirurgia. Fiz um treino de 39 km, onde comecei a sentir dor desde o km24, parecia que estava sendo apunhalada. No final não conseguia ficar com as costas retas, nem respirar direito. Só terminei o treino por que, se desistisse, sabia que não ia conseguir encarar o desafio da maratona. Se doeu naquele dia, poderia acontecer o mesmo no dia da prova. Neste dia, não consegui nem dormir de dor e aí voltei no fisioterapia. Ele fez umas mágicas, as dores foram aliviando, comecei a fazer rpg, para melhorar a postura, deu certo.

Dia da prova, empolgação total! Como, por todos os transtornos, não tinha treinado adequadamente, estava totalmente desencanada com tempo, minha meta era, exclusivamente, cruzar a linha de chegada, de preferência, inteira. Meu namorado, Ricardo, me acompanhou de bike a partir dos 21km, foi mágico correr junto com ele.

E a corrida foi fantástica! Foi muito mais cansativa do que a primeira, por falta de preparo, mesmo, mas consegui fazer todo o percurso correndo, sem caminhar. Fiz algumas paradas, para tirar a roupa quente, quando o sol saiu. Parada inédita no posto médico: distribuíram uma esponja molhada no percurso e eu esfreguei nas pernas, que estavam cansadas, e não demorou muito para começar a dar uma coceira, a perna foi ficando vermelha, começou a inchar. Parei no posto, esfreguei álcool, melhorou.

Final de maratona, não consigo descrever a sensação de ver a placa de 41km! O coração dispara, bate uma emoção incontrolável, as lágrimas jorram. Mesmo exausta, acelerei o ritmo. Não eram mais as pernas que corriam, o controle passou para o Coração. Na reta final, a visão da linha de chegada me lavou a alma, dever cumprido, todos os obstáculos só fazem a conquista ser mais saborosa. Felicidade extra ver meus treinadores, minhas amigas e meu namorado me esperando pouco antes da chegada! Hi- five para todos e cheguei, Duas maratonas em pouco mais de 3 meses.

IMG_9174 (Cópia)

Na largada, estava tocando Satisfaction, dos Rolling Stones. Na chegada, lembrei da música, por que completar a prova não me deixou satisfeita. Eu quero mais, eu quero muito mais!

 

Maratona – razão x coração – By Fabiano Horimoto

Tenho 44 anos, sou médico, maratonista e duatleta. Corro há 5 anos e acredito já ter passado por várias fases como corredor, num processo evolutivo muito gratificante dentro desse esporte maravilhoso. Nesse domingo, 31/7, tive mais uma lição, aprendizado e sinal que estou no caminho certo, apesar do resultado ter sido muito ruim. Corri a primeira maratona promovida pela Asics no Brasil e do ponto de vista de organização, estrutura e o que foi oferecido a nós corredores, a marca estabeleceu um nível muito mais elevado do que se oferece nas maratonas brasileiras. Foi perfeito!

Mas voltando à minha história, seria minha terceira maratona e pela primeira vez estava treinando de forma adequada, com auxílio de uma assessoria esportiva, a Lobo de São Bernardo do Campo, e com um planejamento para a prova bastante acertado. Nos 2 meses que antecederam a corrida vinha tendo dores decorrentes de inflamação na banda ileo-tibial, que consegui tratar de forma intensiva e nas 3 últimas semanas fiz todos os treinos sem dor.

No dia da prova estava bastante confiante, tudo saindo conforme planejado: alimentação, descanso e hidratação estavam em dia. Larguei ao mesmo tempo emocionado por estar ali e confiante de que iria fazer uma grande prova. A estratégia era muito simples: correr até o km 30 num pace de 5 min/km e depois reavaliar minha condição e manter ou acelerar o ritmo. Esse era o plano A. O plano B seria caso sentisse muito cansaço tentar terminar a prova abaixo de 4 horas. Mas o que ocorreu foi o plano C: tive que parar a prova na altura da meia-maratona.

Nos primeiros 10kms corri como um relógio: passei essa altura em 50’17”. Na subida da Avenida Brigadeiro o ritmo caiu muito pouco e subia com facilidade. Na descida desta mesma avenida me cuidei para não deixar aumentar muito a velocidade e correr o risco de se machucar. Tudo saiu conforme o planejado até o km 14 quando meu joelho direito fisgou, o clássico sinal da inflamação da banda ileo-tibial avisando que estava mais viva do que nunca. Corri uns 300 metros com dor. Parei, alonguei e mudei um pouco a postura, na tentativa de continuar vivo na prova. Mais dois kms e a dor voltou mais forte. No km 19 tive que parar novamente para alongar, mas já sabia que a maratona tinha ido por água abaixo.

Nessa altura a decisão mais acertada era parar na meia-maratona para a lesão não agravar. A razão pedia isso. Porém o coração queria ir até onde desse…quem sabe não completaria a prova mesmo me arrastando? Sinal de superação! Só que não: com o meu amadurecimento como corredor, continuar seria sinal de burrice e não superação. Ouvir nosso corpo falar, em caso de lesão, é o mínimo para quem deseja vida longa na corrida. Conviver com a dor do esforço extenuante na Maratona faz parte do jogo e devemos ter força mental pra não deixar o corpo parar nessa hora. Agora, conviver com a dor de uma lesão, que não melhora com o passar do tempo, pelo contrário só aumenta de intensidade, é uma tremenda estupidez.

Temos que saber processar nossas frustrações nesse momento e dar uma pausa para se recuperar, afinal de contas o calendário de provas continua e o importante é correr com saúde e qualidade!

Essa foi minha história da Maratona que virou meia-maratona por força das circunstâncias, mas como meu próprio técnico falou: usei a inteligência e não a paixão e tenho mais uma meia pro currículo, o que também é uma grande conquista!

Próxima meta: chegar descansada- by Denise Kelen

Como comecei

Meu nome é Denise Kelen, tenho 34 anos, sou de São José dos Campos, mas moro em São Paulo há três anos e meio.

Comecei a correr (se é que posso chamar aquilo de corrida) em 2009, incentivada pelo meu pai, que sempre correu. Cresci vendo-o coordenar um grupo de corrida, na época chamado de Coraj (Corredores Associados Joseenses), e a sair de casa ao anoitecer, rumo à cidade de Aparecida do Norte (SP). Muitos corredores se reuniam no dia de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) para essa empreitada de 100 km no asfalto.

“A temperatura a noite era melhor”, diziam. Muitos não chegavam ao destino, mas tenho recordações do meu pai entrando em casa, no dia seguinte, com bolhas e mais bolhas nos pés. Missão cumprida!

Pai da Denise em corrida de rua
Pai da Denise em corrida de rua

É interessante ver que ele, há mais de 30 anos, já fazia o que se tornou hoje uma profissão, uma atividade tão disseminada e procurada: a criação e participação em grupos de corrida. A prática se profissionalizou e agora tem um nome mais bonito, ‘assessoria’. Com o avanço das técnicas esportivas e da medicina preventiva, é claro que a prática do atletismo hoje também é feita com muito mais preparado e que a recuperação dos atletas conta com tratamentos de alta tecnologia.

Meu pai e os amigos da década de 50, sem saber, já faziam ‘treinos de montanha’, outro bonito nome usado atualmente. Mas como ele mesmo diz, “aquilo era correr em barrancos”. Ah, e você acha que nesse desafio para Aparecida, eles tomavam isotônicos e usavam coletes de neon ou qualquer outro elemento refletor para ser visto pela luz dos carros? Claro que não! A única coisa que levavam era fé e rapadura.

Durante muitos anos corri apenas 5 km com meu pai porque essa distância não exigia de mim treinos regulares ou muita disciplina. A rotina de aulas aeróbicas na academia era suficiente para encarar, às vezes, algumas provas curtas de corrida de rua. As participações em provas eram esporádicas. Até os 30 anos não existiam metas, sonhos e paixão pelo atletismo.

 

Quando quebrei

É curioso pensar que foi justamente quando me apaixonei pela corrida, que passei a ter novas companhias: três hérnias na lombar. Resultado da minha falta de conhecimento e consciência corporal e, principalmente, dessa minha ânsia em querer praticar atividade física sempre de forma impulsiva, sem nenhum tipo de preparo.

Foi quando essas novas ‘amigas’ surgiram que, por ironia e teimosia, aumentei os meus percursos. Ou seja, continuei fazendo a coisa certa, da maneira errada. Durante três anos, de 2012 a 2015, vivi com cores, falava mal da fisioterapia e participava de uma prova aqui, outra ali…. Entre um Tramal e outro, fazia 5km, depois10km, em seguida 16km. Aumentava a dose do Tandrilax, do Sedilax e insistia.

Durante esses anos, a dor ia, voltava, se acentuava nas filas de banco. Na balada com as amigas, a cena era: elas dançando e eu procurando uma cadeira. Para andar de metrô, um sacrifício: descia em algumas estações para sentar.

Até que o previsível aconteceu. Em 2015, na tentativa de fazer 21km, quebrei no km 17 e quase não consegui andar. Era o dia do meu aniversário, Meia Maratona de São Paulo. Achei que o fato de ser uma data especial e de eu estar ao lado de amigas queridas que eu mesma incentivei a participar fosse me ajudar a cruzar a linha de chegada menos cansada. No entanto, nesse dia, percebi que eu realmente precisava fazer o óbvio: treinar.

 

Quando recomecei

 Depois dessa prova (ou quase prova), minha lombar pulsava sem pausa, a dor irradiava e o formigamento nas pernas e pés veio para ficar. Foi aí que, junto ao medo de perder a mobilidade, de não poder mais correr e de continuar tendo que agachar no meio da rua, veio também a (atrasada) decisão de buscar ajuda em um tripé: pilates para alongamento e fortalecimento muscular; assessoria para orientações e exercícios educativos; nutricionista para alimentação sem leite condensado (risos).

Foi difícil receber o ‘diagnóstico’ de cada profissional que fui consultar. A professora do pilates imitou o meu modo de caminhar. O que era aquilo? Era assim que eu andava? Corpo solto, jogando o quadril para os lados. Ouvi dela que essa mesma região do meu quadril parecia uma pedra de gelo, sem nenhuma flexibilidade. O treinador da assessoria concordou com esse meu jeito ‘largado’ e do consultório da nutricionista eu saí com muita raiva.

Achei que ela foi rude na maneira de me apresentar os 31% de gordura que eu tinha no corpo e o ‘mapa’ da minha alimentação que era basicamente vermelho e amarelo. Senti raiva sim, mas daquela realidade. De fato, os alimentos verdes eram uma raridade no meu prato.

Em três meses, perdi 10 quilos. Esse sentimento ruim foi necessário para que eu focasse e atingisse os objetivos. Os famosos veneninhos brancos – leite, açúcar, arroz, sal, farinha de trigo – praticamente deixaram de fazer parte da minha rotina. Outra estratégia era pegar das prateleiras dos supermercados os alimentos que eu desconhecia ou que há muito tempo não consumia.

foto esquerda - antes do acompanhamento com profissionais foto direita - depois de perder 10k
foto esquerda – antes do acompanhamento com profissionais
foto direita : Depois do recomeço e perder 10k

Mas nenhuma estratégia funcionaria se eu não tivesse amigas que já se alimentavam de forma mais saudável e me inspiravam; se meus pais não mudassem o cardápio para me receber em suas casas e se meu marido não cozinhasse para nós, substituindo as batatas assadas pelos caldos de abóbora. Tenho a sorte de ter um Chef exclusivo.

Então, com todas essas mudanças meu desempenho numa meia maratona melhorou? Não! (risos). Neste ano decidi fazer a mesma prova, a Meia Maratona Internacional de São Paulo, mas me esqueci de trabalhar um quarto ponto fundamental nesse pilar das corridas de rua: a ansiedade.

Saí de casa apressada para chegar logo ao local da prova, o que prejudicou a minha alimentação. A grande vontade de correr e de concluir aqueles 21km de curvas e subidas que tinham me desafiado no ano anterior, me fez achar que uma banana com aveia era suficiente. E quem precisa de gel, não é mesmo? Mais uma vez, faltando cerca de 3km para finalizar, as minhas pernas pararam de me obedecer.

Essa nova frustração apenas comprovou que (ainda bem), sempre haverão novos erros e, assim, novas expectativas. É um ciclo.

Eu sigo na meta de, algum dia, terminar os 21 conseguindo controlar meu próprio corpo e como diria o meu pai “chegar descansada”!

Cross Run Taubaté 10k
Cross Run Taubaté 10k