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XC RUN Búzios – Em busca de desafios by Kele Veras

Tudo começou em 2015, num jantar e na véspera de prova (Asics 21k) com amigas cariocas me convidaram para participar da prova em Búzios.

Na ocasião, estava me preparando para a primeira Maratona e a XC Run Búzios seria logo após. Fiquei um pouco receosa por conta da proximidade, mas acabei aceitando o desafio.

No primeiro ano fiz os dois primeiros trechos. Foi uma experiência incrível e tão empolgante que resolvi retornar no ano seguinte para fazer os temidos terceiro e quarto trecho.

E repetindo a saga do ano anterior… preparação para uma nova Maratona e Búzios… o que eu não esperava era a mudança de data da prova (devido ao Enem), que aproximou a duas num espaço de 15 dias.

Como amo desafios, fui para Búzios com as amigas em busca de desafios. Não tinha a menor ideia do percurso, sabia apenas que era mais difícil do que os primeiros trechos.

Fiquei na transição aguardando minha dupla que chegou por volta das 10 horas. Estava bem animada e aliviada, porque estava nublado e uma temperatura agradável… assim comecei minha jornada de  21k, ainda dolorida da Maratona, mas empolgada com o que estava por vir.

Mas não imaginava que seria tão “hard”,  o começo já teve uma subida sem fim, olhava para cima e pensava, “gente isso não vai acabar mais?!?”… lembro que brincava com os corredores que estavam próximos, dizendo: Gente eu pedi para subir na vida, mas não precisava ser tanto…kkkkk

A prova foi intensa do começo ao fim, passei por trilhas fechadas, tive que ser equilibrista para passar pelos arames farpados do caminho. Alguns trechos com lama que abraçaram o meu lindo par de tênis…rsrs Mas não foi por muito tempo, já que no trecho seguinte, tive que passar pela areia e água até os joelhos.

Chegando no km 18, acreditando que tivesse passado por tudo…mas não foi bem isso, lembro que saímos da areia, passamos por algumas pedras e saímos num corredor, percebi que havia fila…pensei: Será que aconteceu algo? Até porque não tem subidas?!?  Bem, quando vi um muro e uma corda, pensei: a prova acabou pra mim…kkk estava tão cansada que não conseguiria subir. Já pensei nas pessoas empurrando a porpeta aqui… foi tão engraçado e ao mesmo tempo desesperador…mas no final consegui um apoio com um staff da prova… Ufa!! Essa tinha sido por pouco… mas no final consegui finalizar mesmo com uma subida e areia fofa no final.

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Quanto à hidratação, um ponto a melhorar e observação aos organizadores, acredito que deveria ter mais pontos numa prova deste grau de dificuldades e clima quente do RJ. Até porque os 1,5l de água que levei não foram suficientes.

Mas tirando a deficiência na hidratação a prova foi linda. Paisagens de tirar o fôlego e que valeram a pena sair do asfalto.

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De 140kg a 75km – Maresias x Bertioga by Eduardo Lima

Aos 30 anos, sofria de pressão alta, sentia dores no corpo e dormia mal. O sedentarismo e a alimentação desregrada haviam me deixado com 140kg em meus 1,80 metros, resultando em obesidade mórbida. Insatisfeito com a vida que levava, em dezembro de 2011 decidi mudar radicalmente.

No início de 2012, incentivado pelo meu irmão, comecei a caminhar. Aos poucos, a alimentação foi melhorando e os treinos evoluíram para a corrida. Em junho do ano seguinte, comecei a fazer musculação, meses depois procurei orientação profissional e acelerei ainda mais a perda de peso.

Na academia existia um grupo de corrida, comecei a fazer parte deste grupo e posteriormente me convidaram para correr uma prova em Bertioga, uma prova de revezamento a qual me apaixonaria… Enfim, em 2014 conheci a Ultramaratona de Revezamento Bertioga Maresias participando pela primeira vez em um grupo de 8 corredores misto.

Minha 2ª participação foi em maio 2015, dessa vez em um grupo de 6 corredores misto, mas decidido a encarar essa prova sozinho, o que muitos diziam ser uma loucura. Loucura essa que decidi encarar na segunda etapa do ano.

Treinando com uma equipe de corrida e um treinador orientando. Foram meses de preparação focada e finalmente encarei o SOLO na minha 3ª participação na BM. Nesta etapa a prova iria de Bertioga para Maresias. O dia foi perfeito, corri com uma alegria no coração e um instinto de invencibilidade que superaram todas as metas previstas, fechando minha primeira participação com o tempo de 7h e 40min em 29º colocado.

Na minha 4ª participação, fui de apoio, conheci o outro lado da prova, os bastidores e a logística envolvida para apoiar os corredores, uma experiência gratificante.

Então veio a 5ª participação, decidi fazer novamente um SOLO, e recebi a notícia de que o sentido seria invertido e correríamos de Maresias a Bertioga. Durante a preparação tive alguns contratempos que não me permitiram treinar o suficiente como gostaria, mas estávamos lá na largada prontos para mais esse desafio.

Eu corri com uma equipe de apoio, 2 pessoas e 1 carro, que levam de tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, nada me faltaria na prova. A Organização decidiu mudar a sistemática da largada que antes era de 30 em 30 minutos para cada largada entre as modalidades, dessa vez juntou os SOLOs e o Trios e 15 minutos após, as demais equipes.

Inicialmente, isso não atrapalhou a largada dos SOLOs, o dia estava chuvoso e fomos presenteados com o tempo nublado, chuvoso e coberto para o sol não fritar os corredores rsrs, porém, vieram os contratempos. Logo na parte inicial da prova, para sair da praia de Maresias e acessar a serra de Maresias, tínhamos que passar por um corredor que somente passava um corredor por vez, e não teve jeito, isso gerou fila e confusão entre os corredores, mas nesse eu passei bem, pois estava entre os primeiros ainda.

A tão desafiadora Serra de Maresias, quando se corre no sentido Maresias / Bertioga, é mais curta a subida e em minha opinião mais fácil, fechei esse trecho muito bem e assim fui para o segundo e o terceiro onde, mesmo sendo trechos com nível de dificuldade alto, pude passar forte e com um tempo abaixo do que previa.

Endorfina na pele durante o percurso.
Endorfina na pele durante o percurso.

Ao final do terceiro trecho, meu tênis estava cheio de areia, pois esse ano o tempo estava chuvoso há dias, e o mar comeu uma parte da praia, deixando um pequeno espaço de areia fofa e ruas cheias de lama, então parei para trocar o tênis e fazer uma alimentação.

Ao entrar no quarto trecho, o maior da prova com 14,2k, comecei a ter dores muito forte no peito do pé esquerdo, e tentando superar a dor e não perder tempo, mantive o ritmo ao final deste trecho estava difícil demais correr. A equipe de apoio tentou de todas as formas ajudar com spray para dor, gelo e tudo mais, e tive que aumentar as reposições de alimentação e hidratação, pois comecei a demorar mais para atravessar cada km.

No quinto trecho mantive a concentração e tentei de todas as formas não pensar na dor, tendo um aumento no esforço físico causando um gasto maior de energia, onde tomei cápsula de sal, coca cola e comi uva, isso me deu um novo ânimo na prova e logo finalizei o trecho.

No sexto e o sétimo trecho, o peito do pé direito começou a doer também, então, já com os dois doendo, tive que baixar um pouco mais o ritmo, e no quinto em especial, tivemos que passar por uma trilha, onde não conseguimos parar em pé andando, correr era muito difícil, pura lama e esburacada, mas passei sem grandes problemas.

E enfim o último trecho, 10,8k onde não conseguia mais correr constante devido as dores, tinha fôlego, tinha uma musculatura boa ainda, mas as dores no peito do pé eram grandes, comecei a revezar correndo e andando e assim fui até a chegada.

Equipe de apoio na ativa
Equipe de apoio na ativa

A chegada é algo inexplicável, a sensação de concluir uma prova de 75k é maravilhosa, como da primeira vez, não agüentei a emoção e cai no choro, vem na cabeça tudo que passei na vida, e tudo que superei e abri mão para me preparar para esse momento, a felicidade entra no peito e a vontade de gritar “eu consegui” sai em gestos e lágrimas, tive que ajoelhar ali na linha de chegada e agradecer a Deus, aos apoios, a equipe de treino e aos amigos, ali agradeci e enfrentei a quase impossível tarefa de levantar sozinho naquele momento para então buscar a tão sonhada medalha do Ultramaratonista… aquela que vem escrita “Solo”.

Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.
Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.

Apesar das mudanças feitas pela organização juntando as largadas, deixando o percurso e os pontos de transição mal sinalizados, fazendo com que as equipes ficassem emboladas e até perdessem o tempo certo de troca dos atletas, causando trânsitos nos pontos na estrada, o que não aconteceu nas versões anteriores, sou suspeito em falar, porque acredito que as dificuldade são para todos e o que me leva as provas são as dificuldades, são elas que tornam a conquista da medalha um momento especial.

Dos 45 kg perdidos ao longo das corridas nesses anos e os mais de 6.000 mil quilômetros em distancias de 5km, 10km, 16km, 21km, 42km e 75km. Costumo dizer que quem manda é a cabeça, basta querer e persistir, afinal, nunca imaginei que sairia do sofá, e iria dos 140 kg a 75km e ainda pretendo ir muito além, carregar aquele número vermelho ao longo da prova, e ser saudado e reverenciado por todos os envolvidos na prova, que sempre incentivam “vai SOLO”, “força monstro”, “SOLO é pra poucos” não tem preço.

Eu voltarei em maio novamente para mais um desafio, saio dessa versão com o aprendizado de que… se preparar cada dia mais é necessário, mas principalmente se preparar para os imprevistos, porque correr 75k nunca será igual. Convido a todos para conhecerem essa prova que sou apaixonado e digo… bora bora se desafiar, sair da zona de conforto e para com o “mimimi” e regar as nossas vidas de “uauuu”, hoje posso dizer eu sou SOLO 75k e nos vemos na próxima etapa.

 

Eduardo Lima

#menosmimimimaisuauuu

#eduardolimaultra

#de140kga75k

E a sua mente, te ajuda ou atrapalha?

A nossa mente tem um grande poder sobre nós; e se você ainda não acredita nisso, comece a observar!

Comecei a correr porque buscava bem estar emocional, já que o meu na época na estava lá assim tão bom. E segundo uma amiga, a corrida já tinha ajudado ela em uma situação muito semelhante, então embarquei na dela e em sua companhia comecei meus treinos.

De fato a atividade física me fez muito bem na época e até hoje faz! Mas me lembro muito bem, que quando me sentia triste, queria sair para correr porque sabia que quando terminasse meu treino eu estaria me sentindo melhor… Como uma terapia.. Quando você fala e sai aliviado, e olha que eu sei muito bem como é isso! (Risos)

Às vezes fico mais observadora a respeito de como minha mente está na corrida, durante treinos e provas. Porque sei que sem nos darmos conta acabamos influenciados por pensamentos não tão motivadores.

Sei que a mente tem um papel muito importante quando se trata de esporte/superação, afinal do que adianta estar bem fisicamente se a sua mente não ajudar.

Nos treinos que fiz para o Desafio das Serras no qual corri em dupla, aprendi certas coisas.. Outras ainda estou aprendendo. Foi nesses treinos que comecei a mudar meus pensamentos principalmente quando estava em uma subida… a não desistir de chegar no topo correndo. Paciência, essa é a palavra!!

Também tive treino no qual foi intenso e a vontade de vomitar era grande, devido ao esforço. Subidas na qual antes não fazia correndo, estava lá eu fazendo, e não foi uma vez só não, foram várias vezes no mesmo treino. E o que treinei mais do que o corpo fi a minha cabeça, para não me deixar parar.

Há dias que fui treinar não tão afim e no final foi um dos melhores treinos, detalhe que isso sempre acontece.

Assim como nossos pensamentos podem nos levar longe, podem nos fazer parar no meio do caminho. Estou aprendendo a ter minha cabeça a meu favor, e cada treino que consigo fazer algo a mais é uma alegria e satisfação imensa.

E você está treinando a sua mente?

KTR Itamonte – Dura, difícil, mas renovadora

A penúltima etapa do ano, da KTR – Kailash Trail Run , foi realizada na cidade de Itamonte – MG.

Itamonte fica ao sul do Estado de Minas Gerais, fronteira com os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Situada na Serra da Mantiqueira.

Foi lá que aconteceu talvez o percurso mais bruto que já ocorreu na KTR! (relato de Chico Santos, e Gilliard).

Como para mim foi minha 1ª KTR, essa com certeza ficará para a história, de tão difícil que foi! E posso dizer que experiência em provas de montanha eu tenho. Já participei de muitas provas pequenas , e ainda tenho 3 maratonas e 1 ultra de 50k, que teve muita altimetria.

Mas essa etapa da KTR surpreendeu a todos!

No congresso técnico, que foi realizado na sexta, bem na praça da matriz, aonde também foi montada a estrutura para entregas de kit, já tivemos as surpresas.

Congresso Técnico
Congresso Técnico

Muito ganho de elevação para distâncias tão curtas. Na distância longa, que acabou sendo 26k, o desnível total da prova foi de quase 5000m.

Já na média  que foi de 21k, na qual me atrevi a fazer, foi de desnível total  de quase 2800m. E ainda teve a distância curta de 10k.

A largada da distância média, ocorreu às 9h de sábado, na pousada Refúgio Alto da Montanha, bem ao lado de uma bela cachoeira.

Dali largamos sentido montanha. Foram praticamente 7km de uma trilha cheia de arbustos, e na subida. A minha estratégia sempre foi me poupar ao máximo no início da prova, para da metade pra frente conseguir render mais.

Após essa subida teve a divisão do percurso médio, para o longo. E seguimos em frente rumo a outra trilha muito fechada, com muito cipó, que não dava para desenvolver.

Quando acho que teremos um alívio, o pior da prova está por vim. Uma trilha na beirada da montanha de muita, mas muitaaaa subida. Escalada e força . O jeito era ir agarrando as árvores, para que elas ajudassem a subir. Minha sorte que eu estava de luvas, senão tinha furado a mão. Fora isso, íamos escalando nas pedras. Foi muito duro! Desesperador!  A única solução era manter o foco, o ritmo, para tentar acabar rápido! Mas não acabava!

Teve quilômetro que fiz em 30minutos. Eu só sei que foram os 4Km mais duros que presenciei!

Quando consegui chegar ao 1º topo da montanha, com 2:52 de prova, e com apenas 11:300 percorridos, eu chorei! Ali consegui contemplar o visual, gravar um vídeo, agradecer e chorar. Foi muito insano!

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Após fazer minha primeira alimentação da prova. Segui para a 2ª parte.

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Não tão dura como a primeira, mas muito travada. Não dava para desenvolver! Correr nem pensar! Era um capim amarelo alto, cheio de armadilhas. Ali não tínhamos a visibilidade para correr, e um vacilo podia machucar.

Segui assim até o km 15:500, aonde tinha um ponto de água natural.

(A KTR, é uma prova de total auto-suficiência, não existe pcs para hidratação e alimentação, somos responsáveis por tudo isso).

A partir do km 15:500 deu para correr. Pegamos um pequeno estradão, seguido de trilha single track, para finalizar a prova no mesmo local da largada.

Fechei os 21k com 4:35:50, toda arranhada, suja, cansada.

Claro que chorei! Foi um desafio e tanto! E uma experiência sensacional! Dura, dolorida, difícil, mas renovadora.

Ano que vem volto para alguma etapa da KTR. Mas vou para o longo. Vamos ver o que acontece! O importante é  #nevergiveup.

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Mizuno Uphill: A trajetória de uma grande conquista – by Rodrigo Falcão

Foram 396 dias de espera, entre o momento da pré inscrição até o dia da Maratona, durante o período, vários acontecimentos e sensações como ansiedade, fatalidade, incertezas, fisioterapias, recuperação e treinos, nortearam minha caminhada até a conquista do objetivo, a Uphill Mizuno Marathon Serra do Rio do Rastro.

Imponente, Serra do Rio do Rastro
Imponente, Serra do Rio do Rastro

Em maio de 2015, tomei conhecimento da prova através de amigos que mostraram o famoso vídeo do Sapo (Propaganda da Uphill de 2014), ao assistir, de forma instantânea instigou minha vontade em participar da prova.

Ao abrir a pré inscrição da prova, uma grande amiga realizou a minha inscrição, porém ainda ocorreria o sorteio.

Nos meses de junho e julho comecei a treinar longas distâncias com o intuito de ganhar resistência e rodagem, porém no dia 13/07, ao treinar em um avenida de SJC, fui atropelado e conduzido ao hospital.

Alguns dias depois, ao retornar ao médico, e verificar minha ressonância, ele constatou que meu menisco estava esmagado e tinha afetado um pouco da cartilagem, informou ainda, que eu nunca mais iria correr uma prova longa. Ao sair da clínica chateado e com raiva, recebo a informação que estava entre os corredores sorteados a participar da prova. Era um sinal !

Após mais de uma centena de sessões de fisioterapia, onde o vídeo da prova me acompanhou diariamente, motivando e incentivando a acreditar no objetivo; sendo acompanhado por uma assessoria de corrida, onde profissionais direcionam o melhor caminho através de treinamentos específicos, cheguei preparado para participar da prova.

Na véspera da prova, diversos aspirantes a ninja runners se encontraram no aeroporto de Congonhas-SP, com destino a cidade de Juaguaruna-SC. Antes da decolagem, fomos muito bem recebidos na aeronave e os atletas estavam super empolgados.

Ao chegar na cidade, encontramos pessoas acolhedoras, amigas e dispostas a nos ajudar da melhor forma. Em Treviso, durante a retirada do kit, encontramos um ginásio com uma grande estrutura, tudo bem organizado, contendo produtos da Mizuno, local para massagem (sem filas) e muita comida (lanches, biscoitos, bolos, café e sucos) a disposição dos atletas.

No dia da prova, após uma boa noite de sono e almoçando mais cedo em Lauro Muller, tendo em vista que a largada da Maratona ocorre as 15hs, partimos para Treviso no aguardo da largada.

Antes da largada em Treviso
Antes da largada em Treviso

Antes da largada, a organização surpreendeu os atletas com uma apresentação japonesa com os tradicionais tambores da cultura japonesa e escutamos o famoso áudio do sapo; logo não teve como não lembrar da trajetória, dos familiares e amigos, das mensagens e segurar as lágrimas na largada.

Durante a prova, as pessoas das cidades nos motivavam, principalmente as crianças.Ao chegarmos ao Paredão da Serra do Rio do Rastro, confesso que ao olhar, a danada assusta e logo São Pedro tratou de nos mandar aquele dilúvio para abençoar nossa subida.

Rodrigo durante a subida da Serra
Rodrigo durante a subida da Serra

Por fim, os 42k viraram 44k e as dores no corpo e o cansaço quase atrapalham a nossa conclusão, porém nada iria tirar o gosto da nossa conquista!

 

 

Desafio das Serras 40k-2° dia: Uma experiência ímpar!

Correr dois dias seguidos, sempre vai ser um desafio. Já tinha feito treinos que simulamos dois dias de prova, mas na hora é outra história, seu corpo pode responder diferente e seu desempenho mudar muito de um dia para o outro.

O segundo dia era predominante de descida e estrada de terra. Dada a largada eu e meu namorado saímos, cortamos algumas pessoas para tentar ficar um pouco mais a frente. O dia estava agradável, e não tão quente como no dia anterior. Corpo estava respondendo melhor, mas ainda teríamos dois trechos com subida, onde as pernas ainda iam sentir um pouco.

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2 dia. Foto: Henrique Boney

Primeiro trecho aproximadamente no 5k e depois um trecho mais longo por volta do 10k, onde passamos por um pasto e com uma vista incrível. No horizonte muitas montanhas, verde, vacas pelos pastos e as pernas queimando da subida.

Depois da última subida mais estrada de terra, nesse trecho nossa amiga Carmen já estava correndo conosco, passando por vários trechos em que ouvíamos o barulho de água corrente, correndo, conversando, aproveitando muito bem a prova.

Até que avistamos a cidade, e estamos bem próximos a linha de chegada, mais um pouco de estrada, asfalto e logo entramos na rua da praça onde nos levava até o pórtico de chegada; uma leva acelerada no ritmo e chegamos os 3 juntos no segundo dia desse super evento!

Fiquei muito feliz por ter me sentido melhor no segundo dia, e por toda experiência compartilhada nesses dois dias. O segundo dia foi bem proveitoso e cruzar a linha de chegada com pessoas queridas é muito bom.

Uma desafio que antes chegou parecer muito difícil de concluir, algo distante e num piscar de olhos tudo aconteceu, de forma rápida e intensa. Logo depois de cruzar a linha de chegada o sentimento de felicidade tomou conta de mim. Fotos, bate papo, planos para a prova do próximo ano (sorriso largo).

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Valeu cada minuto dessa experiência ímpar e todos os aprendizados que ela trouxe, porque com certeza é uma prova que marca todos aqueles que participam e deixa um gosto de quero mais.

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Correr, acampar e trocar experiências

O Desafio das Serras é uma prova em que não temos apoio de hidratação durante o percurso, então temos que planejar bem e levar tudo que for necessário em quesito hidratação e suplementação para durante a prova.

Alguns itens que levei comigo para a prova.
Alguns itens que levei comigo para a prova.

O percurso estava muito bem marcado nos dois dias, e foi fácil nos orientarmos entre as trilhas.

Após a chegada do primeiro dia, fomos retirar nossa mala e levar até nossa barraca, onde cada participante tinha devidamente seu lugar. As barracas estavam todas identificadas com nosso número de peito.

As duplas dividem a mesma barraca, e a parte engraçada é eu e meu namorado dividindo a mesma barraca, afinal não somos tão pequenos assim, pés quase para fora, além de deixar a mala dentro da barraca (rindo alto). Mas nós demos um jeito que a mala ficasse “funcional” dentro da barraca.

Acampamento #3 onde nossa barraca estava. Foto: Henrique Boney
Acampamento #3 onde nossa barraca estava. Foto: Henrique Boney

Foi uma experiência incrível, e lógico que para batizar a primeira vez acampando, choveu!! E choveu bastaste durante a tarde, umas duas horas depois que tínhamos terminado a prova, já tinha tomado banho, e uma sopa para esperar o jantar.

Durante o jantar música ao vivo, muito bate papo, fogueira, e vídeo com fotos do primeiro dia de prova. Tudo bem organizado e com uma estrutura muito boa.

sábado a noite, fogueira. Foto: Claudia Hoff
sábado a noite, fogueira. Foto: Claudia Hoff

Fomos dormir cedo para descansar, e também porque no dia seguinte iríamos levantar cedo. A noite ventou muito, acordei várias vezes, mas logo dormia de novo. No outro dia cedo, arrumamos a mala e levamos para despachar novamente; e fomos para o café da manhã.

Sol saindo tímido, pessoal já na agitação, e as largadas iriam ocorrer com uma pequena diferença de tempo. Os 80k largaram um pouco mais cedo. A parte interessante de um evento como esse é o networking que promove, reencontra amigos, conhece novas pessoas, troca experiências sobre a prova, conta histórias.

E o segundo dia não tinha nem começado ainda!!

Desafio das Serras 40k – 1° dia : Começa a aventura

Ano passado foi a primeira vez que ouvi falar sobre o Desafio das Serras, cogitei a possibilidade de participar mas por N motivos acabei não participando do evento, mas fui para acompanhar e esperar meu namorado que correu os 80k. Ele simplesmente adorou a experiência e disse que esse ano teríamos que fazer a prova.

Confesso que esse ano eu comecei animada para ir, mas depois me questionei inúmeras vezes se deveria fazer a prova. Meu namorado me convidou para fazer dupla mista com ele na prova, ou seja, correríamos dois dias um ao lado do outro, e teríamos que cruzar a linha de chegada juntos.

Treinamos juntos várias vezes, e eu questionei inúmeras vezes também, o fato dele querer correr comigo, afinal ele corre mais que eu, e sempre eu escutava dele: “Porque eu quero correr com você”… “Se quisesse ir por causa de tempo iria sozinho”…. “É seu primeiro Desafio das Serras e quero estar com você”… e eu tentando trabalhar o meu psicológico nesse tempo. Passaram se os treinos e chegou o dia.

A aventura já começa na hora de fazer uma única mala para os dois, com saco de dormir, isolante térmico entre outros, e na hora de fechar a mala…risos!! Fomos a São Francisco Xavier –SP na sexta a noite retirar nosso kit e despachar a mala para o acampamento. Sábado levantamos cedo e fomos para São Francisco junto com nossa amiga Carmen. Tudo pronto, e largamos para o primeiro dia, 20k com muita subida.

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Início primeiro dia. Foto: Henrique Boney

Já conhecíamos metade do percurso do primeiro dia, e já tínhamos treinado por lá, então sabíamos o que estava por vir em partes. Estava bem quente, e sofri com o calor, meu desempenho não estava como nos treinos e lógico o psicológico pegou. Meu namorado falando comigo, perguntando se estava bem, e dando dicas para que eu controlasse melhor minha respiração, afinal acabei ficando “nervosa” como diz ele, e isso reflete diretamente em como respiro. Existi uma cobrança muito grande que tenho comigo mesma, ainda mais quando corro com alguém, e nesse caso não podia falar para ele ir na frente e me deixar. A sensação que tenho é que estou prendendo a pessoa, muitas coisas a ser trabalhado ainda nesse ponto. E o pior e que sabia que em algum momento da prova isso ia pegar, e foi logo no começo.

subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi
subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi

São Francisco sempre com lindas paisagens, passamos por vários pontos com água, trechos que pareciam bosques, além que cair umas duas vezes (risos). E como correr na montanha tem companheirismo durante o percurso, meu namorado foi animando alguns pessoas que iam parando no caminho, achando que o cume ainda estava longe, e também oferecemos ajuda aqueles que não estavam passando bem.

Depois de uma longa, longa subida começou o trecho de quase 7k de descida e estrada que nos levou até a chegada do primeiro dia e acampamento. Faltando pouco para chegar, da estrada vimos as barracas e também escutamos a música que vinha do acampamento, e deu aquele gás para dar chegar. Saímos da estrada, e última subidinha que terminava bem na linha de chegada.

Concluído o primeiro dia de Desafio, um ao lado do outro e com certeza com mais aprendizados.

Sorriso no rosto, amigos nos esperando, e ainda tinha muita coisa para vivenciar nesse final de semana que estava só começando.

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Chegada primeiro dia. Foto: Carmen Romanillos