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Uma prova diferente!

Neste domingo fiz minha oitava meia-maratona. Treinei pra tentar conseguir uma boa colocação pois sabia que tinha chance de subir no pódio se fizesse uma boa prova.

A meia de Bauru tinha um percurso bom até o km 9, depois era só descida e subida. Fiz os 10 primeiros kms em 45 minutos e passei os 15k com 01h e 08 minutos, muito bom mesmo com as subidas duras nessa etapa.

Estava correndo com o foco em conseguir uma boa colocação na minha faixa etária, talvez até um pódio se mantivesse esse ritmo. Porém no km 16 avistei um corredor passando mal. Estava cabisbaixo e vomitando. Resolvi parar. Tinha uns 50 anos e disse estar com muita tontura. Estávamos sozinhos neste trecho e corri até o staff da água que estava 1km atrás, porém não tinham comunicação com o staff da prova; porém conseguiram ligar pra chamar o socorro.

Chegaram em uma moto e levaram ele embora. Voltei à prova num ritmo mais confortável e fechei em 01h49″ porém fiquei satisfeito de poder ajudar um parceiro que estava passando mal. São por esses momentos que eu corro!

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XC RUN Búzios – Em busca de desafios by Kele Veras

Tudo começou em 2015, num jantar e na véspera de prova (Asics 21k) com amigas cariocas me convidaram para participar da prova em Búzios.

Na ocasião, estava me preparando para a primeira Maratona e a XC Run Búzios seria logo após. Fiquei um pouco receosa por conta da proximidade, mas acabei aceitando o desafio.

No primeiro ano fiz os dois primeiros trechos. Foi uma experiência incrível e tão empolgante que resolvi retornar no ano seguinte para fazer os temidos terceiro e quarto trecho.

E repetindo a saga do ano anterior… preparação para uma nova Maratona e Búzios… o que eu não esperava era a mudança de data da prova (devido ao Enem), que aproximou a duas num espaço de 15 dias.

Como amo desafios, fui para Búzios com as amigas em busca de desafios. Não tinha a menor ideia do percurso, sabia apenas que era mais difícil do que os primeiros trechos.

Fiquei na transição aguardando minha dupla que chegou por volta das 10 horas. Estava bem animada e aliviada, porque estava nublado e uma temperatura agradável… assim comecei minha jornada de  21k, ainda dolorida da Maratona, mas empolgada com o que estava por vir.

Mas não imaginava que seria tão “hard”,  o começo já teve uma subida sem fim, olhava para cima e pensava, “gente isso não vai acabar mais?!?”… lembro que brincava com os corredores que estavam próximos, dizendo: Gente eu pedi para subir na vida, mas não precisava ser tanto…kkkkk

A prova foi intensa do começo ao fim, passei por trilhas fechadas, tive que ser equilibrista para passar pelos arames farpados do caminho. Alguns trechos com lama que abraçaram o meu lindo par de tênis…rsrs Mas não foi por muito tempo, já que no trecho seguinte, tive que passar pela areia e água até os joelhos.

Chegando no km 18, acreditando que tivesse passado por tudo…mas não foi bem isso, lembro que saímos da areia, passamos por algumas pedras e saímos num corredor, percebi que havia fila…pensei: Será que aconteceu algo? Até porque não tem subidas?!?  Bem, quando vi um muro e uma corda, pensei: a prova acabou pra mim…kkk estava tão cansada que não conseguiria subir. Já pensei nas pessoas empurrando a porpeta aqui… foi tão engraçado e ao mesmo tempo desesperador…mas no final consegui um apoio com um staff da prova… Ufa!! Essa tinha sido por pouco… mas no final consegui finalizar mesmo com uma subida e areia fofa no final.

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Quanto à hidratação, um ponto a melhorar e observação aos organizadores, acredito que deveria ter mais pontos numa prova deste grau de dificuldades e clima quente do RJ. Até porque os 1,5l de água que levei não foram suficientes.

Mas tirando a deficiência na hidratação a prova foi linda. Paisagens de tirar o fôlego e que valeram a pena sair do asfalto.

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De 140kg a 75km – Maresias x Bertioga by Eduardo Lima

Aos 30 anos, sofria de pressão alta, sentia dores no corpo e dormia mal. O sedentarismo e a alimentação desregrada haviam me deixado com 140kg em meus 1,80 metros, resultando em obesidade mórbida. Insatisfeito com a vida que levava, em dezembro de 2011 decidi mudar radicalmente.

No início de 2012, incentivado pelo meu irmão, comecei a caminhar. Aos poucos, a alimentação foi melhorando e os treinos evoluíram para a corrida. Em junho do ano seguinte, comecei a fazer musculação, meses depois procurei orientação profissional e acelerei ainda mais a perda de peso.

Na academia existia um grupo de corrida, comecei a fazer parte deste grupo e posteriormente me convidaram para correr uma prova em Bertioga, uma prova de revezamento a qual me apaixonaria… Enfim, em 2014 conheci a Ultramaratona de Revezamento Bertioga Maresias participando pela primeira vez em um grupo de 8 corredores misto.

Minha 2ª participação foi em maio 2015, dessa vez em um grupo de 6 corredores misto, mas decidido a encarar essa prova sozinho, o que muitos diziam ser uma loucura. Loucura essa que decidi encarar na segunda etapa do ano.

Treinando com uma equipe de corrida e um treinador orientando. Foram meses de preparação focada e finalmente encarei o SOLO na minha 3ª participação na BM. Nesta etapa a prova iria de Bertioga para Maresias. O dia foi perfeito, corri com uma alegria no coração e um instinto de invencibilidade que superaram todas as metas previstas, fechando minha primeira participação com o tempo de 7h e 40min em 29º colocado.

Na minha 4ª participação, fui de apoio, conheci o outro lado da prova, os bastidores e a logística envolvida para apoiar os corredores, uma experiência gratificante.

Então veio a 5ª participação, decidi fazer novamente um SOLO, e recebi a notícia de que o sentido seria invertido e correríamos de Maresias a Bertioga. Durante a preparação tive alguns contratempos que não me permitiram treinar o suficiente como gostaria, mas estávamos lá na largada prontos para mais esse desafio.

Eu corri com uma equipe de apoio, 2 pessoas e 1 carro, que levam de tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, nada me faltaria na prova. A Organização decidiu mudar a sistemática da largada que antes era de 30 em 30 minutos para cada largada entre as modalidades, dessa vez juntou os SOLOs e o Trios e 15 minutos após, as demais equipes.

Inicialmente, isso não atrapalhou a largada dos SOLOs, o dia estava chuvoso e fomos presenteados com o tempo nublado, chuvoso e coberto para o sol não fritar os corredores rsrs, porém, vieram os contratempos. Logo na parte inicial da prova, para sair da praia de Maresias e acessar a serra de Maresias, tínhamos que passar por um corredor que somente passava um corredor por vez, e não teve jeito, isso gerou fila e confusão entre os corredores, mas nesse eu passei bem, pois estava entre os primeiros ainda.

A tão desafiadora Serra de Maresias, quando se corre no sentido Maresias / Bertioga, é mais curta a subida e em minha opinião mais fácil, fechei esse trecho muito bem e assim fui para o segundo e o terceiro onde, mesmo sendo trechos com nível de dificuldade alto, pude passar forte e com um tempo abaixo do que previa.

Endorfina na pele durante o percurso.
Endorfina na pele durante o percurso.

Ao final do terceiro trecho, meu tênis estava cheio de areia, pois esse ano o tempo estava chuvoso há dias, e o mar comeu uma parte da praia, deixando um pequeno espaço de areia fofa e ruas cheias de lama, então parei para trocar o tênis e fazer uma alimentação.

Ao entrar no quarto trecho, o maior da prova com 14,2k, comecei a ter dores muito forte no peito do pé esquerdo, e tentando superar a dor e não perder tempo, mantive o ritmo ao final deste trecho estava difícil demais correr. A equipe de apoio tentou de todas as formas ajudar com spray para dor, gelo e tudo mais, e tive que aumentar as reposições de alimentação e hidratação, pois comecei a demorar mais para atravessar cada km.

No quinto trecho mantive a concentração e tentei de todas as formas não pensar na dor, tendo um aumento no esforço físico causando um gasto maior de energia, onde tomei cápsula de sal, coca cola e comi uva, isso me deu um novo ânimo na prova e logo finalizei o trecho.

No sexto e o sétimo trecho, o peito do pé direito começou a doer também, então, já com os dois doendo, tive que baixar um pouco mais o ritmo, e no quinto em especial, tivemos que passar por uma trilha, onde não conseguimos parar em pé andando, correr era muito difícil, pura lama e esburacada, mas passei sem grandes problemas.

E enfim o último trecho, 10,8k onde não conseguia mais correr constante devido as dores, tinha fôlego, tinha uma musculatura boa ainda, mas as dores no peito do pé eram grandes, comecei a revezar correndo e andando e assim fui até a chegada.

Equipe de apoio na ativa
Equipe de apoio na ativa

A chegada é algo inexplicável, a sensação de concluir uma prova de 75k é maravilhosa, como da primeira vez, não agüentei a emoção e cai no choro, vem na cabeça tudo que passei na vida, e tudo que superei e abri mão para me preparar para esse momento, a felicidade entra no peito e a vontade de gritar “eu consegui” sai em gestos e lágrimas, tive que ajoelhar ali na linha de chegada e agradecer a Deus, aos apoios, a equipe de treino e aos amigos, ali agradeci e enfrentei a quase impossível tarefa de levantar sozinho naquele momento para então buscar a tão sonhada medalha do Ultramaratonista… aquela que vem escrita “Solo”.

Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.
Eduardo e sua equipe de apoio após a prova.

Apesar das mudanças feitas pela organização juntando as largadas, deixando o percurso e os pontos de transição mal sinalizados, fazendo com que as equipes ficassem emboladas e até perdessem o tempo certo de troca dos atletas, causando trânsitos nos pontos na estrada, o que não aconteceu nas versões anteriores, sou suspeito em falar, porque acredito que as dificuldade são para todos e o que me leva as provas são as dificuldades, são elas que tornam a conquista da medalha um momento especial.

Dos 45 kg perdidos ao longo das corridas nesses anos e os mais de 6.000 mil quilômetros em distancias de 5km, 10km, 16km, 21km, 42km e 75km. Costumo dizer que quem manda é a cabeça, basta querer e persistir, afinal, nunca imaginei que sairia do sofá, e iria dos 140 kg a 75km e ainda pretendo ir muito além, carregar aquele número vermelho ao longo da prova, e ser saudado e reverenciado por todos os envolvidos na prova, que sempre incentivam “vai SOLO”, “força monstro”, “SOLO é pra poucos” não tem preço.

Eu voltarei em maio novamente para mais um desafio, saio dessa versão com o aprendizado de que… se preparar cada dia mais é necessário, mas principalmente se preparar para os imprevistos, porque correr 75k nunca será igual. Convido a todos para conhecerem essa prova que sou apaixonado e digo… bora bora se desafiar, sair da zona de conforto e para com o “mimimi” e regar as nossas vidas de “uauuu”, hoje posso dizer eu sou SOLO 75k e nos vemos na próxima etapa.

 

Eduardo Lima

#menosmimimimaisuauuu

#eduardolimaultra

#de140kga75k

A HIDRATAÇÃO EM ATIVIDADES DE LONGA DURAÇÃO

Todos nós sabemos da importância de manter nosso corpo bem hidratado nos treinos e provas de longa duração, mas será que estamos fazendo tudo certo? Será que a quantidade de líquido, ou o que bebemos está sendo suficiente para podermos ter o melhor desempenho? Ou a nossa performance sempre sofre um decréscimo devido a falta de uma correta hidratação?

Atletas que correm grandes distâncias e/ou por longos períodos necessariamente necessitam de reposição de líquidos, eletrólitos e carboidratos. Somente a água não vai conseguir repor o que seu organismo vai precisar.

A necessidade de líquidos é dependente de variáveis individuais e ambientais, e sua estratégia de hidratação deve ser sempre individualizada.

Apesar de parecer o contrário, a necessidade de hidratação é muito maior em ambientes úmidos do que em ambientes secos , assim como correr em ambientes abertos ou fechados (correr na rua X correr na esteira)

#Hidratação Pré Exercício

A ingestão de 400 a 600 ml de liquido, 2 a 3 horas antes do exercício diminuem os efeitos prejudiciais da desidratação durante o exercício. Algumas pessoas relatam dificuldade de ingerir essa quantidade tão perto de um treino/prova. Caso isso ocorra com você, procure manter uma melhor hidratação no dia anterior do treino e tente ingerir o máximo que conseguir no dia.

#Hidratação durante exercício

É comum começarmos a ingerir os líquidos somente quando começamos a sentir sede, porém , esta não é a melhor estratégia a se adotar. O ideal é iniciar assim que começamos a atividade. A ingestão de líquidos deve ser a feita a cada 15-20 minutos, volume de 150 a 300 ml, em média. O sódio deve estar presente em atividades de longa duração, com 500 a 700mg de sódio por litro. Carboidratos também devem estar presentes na proporção de 30 a 60 gramas por hora.

O uso de bebidas esportivas, com presença de carboidratos na proporção de 6 a 8% é recomendada.

É muito comum encontrarmos nas corridas de endurance pontos de hidratação com presença de refrigerantes. Eles contém uma quantidade maior de carboidratos(10 a 12%) e estão gaseificadas, o que pode provocar desconforto gastrointestinal. Mas, sugiro que converse com seu nutricionista/treinador sobre o que a bebida nesse momento pode te provocar sob o ponto de vista psicológico, é comum escutar relatos de corredores que após horas correndo, dariam tudo por um copo gelado de refrigerante! Fazer uma diluição com 1/3 de água e retirar o gás pode ser uma alternativa.

#Hidratação pós exercício

A água sozinha não é a melhor forma de hidratar o organismo nesse momento. Deve-se ingerir cerca de 150% de líquido em relação ao peso perdido. Vamos supor que a diferença entre o seu peso antes de iniciar a corrida e após o término seja , por exemplo , de 2 kg. A quantidade de liquido deve ser de 3 litros para repor as perdas, preferencialmente nas 6 horas seguintes. A bebida deve conter necessariamente sódio.

Matéria escrita pela nutricionista Lúcia Akamine Gomes

 

Asics, a maratona dourada

Estava me preparando para a minha primeira maratona, a internacional de São Paulo, que seria dia 17 de abril de 2.016, quando apareceu a Asics São Paulo City Marathon, marcada para dia 31 de julho. Circuito inédito, me pareceu interessante. Já estava treinando, seria só esticar o treino mais 3 meses, ainda daria para melhorar a performance.. perfeito! Fiz a inscrição.

Fiz a maratona de SP, foi maravilhoso e já comecei a focar na Asics. Primeiro contratempo veio logo em seguida: começo de maio, quando ia começar a pegar pesado nos treinos, tropecei durante um treino funcional e torci o tornozelo. A princípio, nada grave, nenhuma fratura nem ruptura. Só precisava descansar, colocar gelo, o básico.

Mas nesta época meu pai, que mora em Ubatuba, uns 130 km da minha cidade, estava em estado terminal, câncer em metástase, eu estava indo direto para lá para ficar com ele e minha mãe. Neste período, sem chance de cuidar do pé e a lesão não regrediu. Ele faleceu em 16 de maio, e dias antes, tinha perguntado se eu iria fazer outra maratona. Respondi que sim, já estava chegando a próxima, ele, embora debilitado, sorriu. Aí, virou uma promessa!

Fiz fisioterapia, o pé melhorou e voltei a treinar. Frio intenso de inverno, comecei a sentir dor intensa nas costas, onde fiz cirurgia. Fiz um treino de 39 km, onde comecei a sentir dor desde o km24, parecia que estava sendo apunhalada. No final não conseguia ficar com as costas retas, nem respirar direito. Só terminei o treino por que, se desistisse, sabia que não ia conseguir encarar o desafio da maratona. Se doeu naquele dia, poderia acontecer o mesmo no dia da prova. Neste dia, não consegui nem dormir de dor e aí voltei no fisioterapia. Ele fez umas mágicas, as dores foram aliviando, comecei a fazer rpg, para melhorar a postura, deu certo.

Dia da prova, empolgação total! Como, por todos os transtornos, não tinha treinado adequadamente, estava totalmente desencanada com tempo, minha meta era, exclusivamente, cruzar a linha de chegada, de preferência, inteira. Meu namorado, Ricardo, me acompanhou de bike a partir dos 21km, foi mágico correr junto com ele.

E a corrida foi fantástica! Foi muito mais cansativa do que a primeira, por falta de preparo, mesmo, mas consegui fazer todo o percurso correndo, sem caminhar. Fiz algumas paradas, para tirar a roupa quente, quando o sol saiu. Parada inédita no posto médico: distribuíram uma esponja molhada no percurso e eu esfreguei nas pernas, que estavam cansadas, e não demorou muito para começar a dar uma coceira, a perna foi ficando vermelha, começou a inchar. Parei no posto, esfreguei álcool, melhorou.

Final de maratona, não consigo descrever a sensação de ver a placa de 41km! O coração dispara, bate uma emoção incontrolável, as lágrimas jorram. Mesmo exausta, acelerei o ritmo. Não eram mais as pernas que corriam, o controle passou para o Coração. Na reta final, a visão da linha de chegada me lavou a alma, dever cumprido, todos os obstáculos só fazem a conquista ser mais saborosa. Felicidade extra ver meus treinadores, minhas amigas e meu namorado me esperando pouco antes da chegada! Hi- five para todos e cheguei, Duas maratonas em pouco mais de 3 meses.

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Na largada, estava tocando Satisfaction, dos Rolling Stones. Na chegada, lembrei da música, por que completar a prova não me deixou satisfeita. Eu quero mais, eu quero muito mais!

 

Maratona – razão x coração – By Fabiano Horimoto

Tenho 44 anos, sou médico, maratonista e duatleta. Corro há 5 anos e acredito já ter passado por várias fases como corredor, num processo evolutivo muito gratificante dentro desse esporte maravilhoso. Nesse domingo, 31/7, tive mais uma lição, aprendizado e sinal que estou no caminho certo, apesar do resultado ter sido muito ruim. Corri a primeira maratona promovida pela Asics no Brasil e do ponto de vista de organização, estrutura e o que foi oferecido a nós corredores, a marca estabeleceu um nível muito mais elevado do que se oferece nas maratonas brasileiras. Foi perfeito!

Mas voltando à minha história, seria minha terceira maratona e pela primeira vez estava treinando de forma adequada, com auxílio de uma assessoria esportiva, a Lobo de São Bernardo do Campo, e com um planejamento para a prova bastante acertado. Nos 2 meses que antecederam a corrida vinha tendo dores decorrentes de inflamação na banda ileo-tibial, que consegui tratar de forma intensiva e nas 3 últimas semanas fiz todos os treinos sem dor.

No dia da prova estava bastante confiante, tudo saindo conforme planejado: alimentação, descanso e hidratação estavam em dia. Larguei ao mesmo tempo emocionado por estar ali e confiante de que iria fazer uma grande prova. A estratégia era muito simples: correr até o km 30 num pace de 5 min/km e depois reavaliar minha condição e manter ou acelerar o ritmo. Esse era o plano A. O plano B seria caso sentisse muito cansaço tentar terminar a prova abaixo de 4 horas. Mas o que ocorreu foi o plano C: tive que parar a prova na altura da meia-maratona.

Nos primeiros 10kms corri como um relógio: passei essa altura em 50’17”. Na subida da Avenida Brigadeiro o ritmo caiu muito pouco e subia com facilidade. Na descida desta mesma avenida me cuidei para não deixar aumentar muito a velocidade e correr o risco de se machucar. Tudo saiu conforme o planejado até o km 14 quando meu joelho direito fisgou, o clássico sinal da inflamação da banda ileo-tibial avisando que estava mais viva do que nunca. Corri uns 300 metros com dor. Parei, alonguei e mudei um pouco a postura, na tentativa de continuar vivo na prova. Mais dois kms e a dor voltou mais forte. No km 19 tive que parar novamente para alongar, mas já sabia que a maratona tinha ido por água abaixo.

Nessa altura a decisão mais acertada era parar na meia-maratona para a lesão não agravar. A razão pedia isso. Porém o coração queria ir até onde desse…quem sabe não completaria a prova mesmo me arrastando? Sinal de superação! Só que não: com o meu amadurecimento como corredor, continuar seria sinal de burrice e não superação. Ouvir nosso corpo falar, em caso de lesão, é o mínimo para quem deseja vida longa na corrida. Conviver com a dor do esforço extenuante na Maratona faz parte do jogo e devemos ter força mental pra não deixar o corpo parar nessa hora. Agora, conviver com a dor de uma lesão, que não melhora com o passar do tempo, pelo contrário só aumenta de intensidade, é uma tremenda estupidez.

Temos que saber processar nossas frustrações nesse momento e dar uma pausa para se recuperar, afinal de contas o calendário de provas continua e o importante é correr com saúde e qualidade!

Essa foi minha história da Maratona que virou meia-maratona por força das circunstâncias, mas como meu próprio técnico falou: usei a inteligência e não a paixão e tenho mais uma meia pro currículo, o que também é uma grande conquista!

Próxima meta: chegar descansada- by Denise Kelen

Como comecei

Meu nome é Denise Kelen, tenho 34 anos, sou de São José dos Campos, mas moro em São Paulo há três anos e meio.

Comecei a correr (se é que posso chamar aquilo de corrida) em 2009, incentivada pelo meu pai, que sempre correu. Cresci vendo-o coordenar um grupo de corrida, na época chamado de Coraj (Corredores Associados Joseenses), e a sair de casa ao anoitecer, rumo à cidade de Aparecida do Norte (SP). Muitos corredores se reuniam no dia de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) para essa empreitada de 100 km no asfalto.

“A temperatura a noite era melhor”, diziam. Muitos não chegavam ao destino, mas tenho recordações do meu pai entrando em casa, no dia seguinte, com bolhas e mais bolhas nos pés. Missão cumprida!

Pai da Denise em corrida de rua
Pai da Denise em corrida de rua

É interessante ver que ele, há mais de 30 anos, já fazia o que se tornou hoje uma profissão, uma atividade tão disseminada e procurada: a criação e participação em grupos de corrida. A prática se profissionalizou e agora tem um nome mais bonito, ‘assessoria’. Com o avanço das técnicas esportivas e da medicina preventiva, é claro que a prática do atletismo hoje também é feita com muito mais preparado e que a recuperação dos atletas conta com tratamentos de alta tecnologia.

Meu pai e os amigos da década de 50, sem saber, já faziam ‘treinos de montanha’, outro bonito nome usado atualmente. Mas como ele mesmo diz, “aquilo era correr em barrancos”. Ah, e você acha que nesse desafio para Aparecida, eles tomavam isotônicos e usavam coletes de neon ou qualquer outro elemento refletor para ser visto pela luz dos carros? Claro que não! A única coisa que levavam era fé e rapadura.

Durante muitos anos corri apenas 5 km com meu pai porque essa distância não exigia de mim treinos regulares ou muita disciplina. A rotina de aulas aeróbicas na academia era suficiente para encarar, às vezes, algumas provas curtas de corrida de rua. As participações em provas eram esporádicas. Até os 30 anos não existiam metas, sonhos e paixão pelo atletismo.

 

Quando quebrei

É curioso pensar que foi justamente quando me apaixonei pela corrida, que passei a ter novas companhias: três hérnias na lombar. Resultado da minha falta de conhecimento e consciência corporal e, principalmente, dessa minha ânsia em querer praticar atividade física sempre de forma impulsiva, sem nenhum tipo de preparo.

Foi quando essas novas ‘amigas’ surgiram que, por ironia e teimosia, aumentei os meus percursos. Ou seja, continuei fazendo a coisa certa, da maneira errada. Durante três anos, de 2012 a 2015, vivi com cores, falava mal da fisioterapia e participava de uma prova aqui, outra ali…. Entre um Tramal e outro, fazia 5km, depois10km, em seguida 16km. Aumentava a dose do Tandrilax, do Sedilax e insistia.

Durante esses anos, a dor ia, voltava, se acentuava nas filas de banco. Na balada com as amigas, a cena era: elas dançando e eu procurando uma cadeira. Para andar de metrô, um sacrifício: descia em algumas estações para sentar.

Até que o previsível aconteceu. Em 2015, na tentativa de fazer 21km, quebrei no km 17 e quase não consegui andar. Era o dia do meu aniversário, Meia Maratona de São Paulo. Achei que o fato de ser uma data especial e de eu estar ao lado de amigas queridas que eu mesma incentivei a participar fosse me ajudar a cruzar a linha de chegada menos cansada. No entanto, nesse dia, percebi que eu realmente precisava fazer o óbvio: treinar.

 

Quando recomecei

 Depois dessa prova (ou quase prova), minha lombar pulsava sem pausa, a dor irradiava e o formigamento nas pernas e pés veio para ficar. Foi aí que, junto ao medo de perder a mobilidade, de não poder mais correr e de continuar tendo que agachar no meio da rua, veio também a (atrasada) decisão de buscar ajuda em um tripé: pilates para alongamento e fortalecimento muscular; assessoria para orientações e exercícios educativos; nutricionista para alimentação sem leite condensado (risos).

Foi difícil receber o ‘diagnóstico’ de cada profissional que fui consultar. A professora do pilates imitou o meu modo de caminhar. O que era aquilo? Era assim que eu andava? Corpo solto, jogando o quadril para os lados. Ouvi dela que essa mesma região do meu quadril parecia uma pedra de gelo, sem nenhuma flexibilidade. O treinador da assessoria concordou com esse meu jeito ‘largado’ e do consultório da nutricionista eu saí com muita raiva.

Achei que ela foi rude na maneira de me apresentar os 31% de gordura que eu tinha no corpo e o ‘mapa’ da minha alimentação que era basicamente vermelho e amarelo. Senti raiva sim, mas daquela realidade. De fato, os alimentos verdes eram uma raridade no meu prato.

Em três meses, perdi 10 quilos. Esse sentimento ruim foi necessário para que eu focasse e atingisse os objetivos. Os famosos veneninhos brancos – leite, açúcar, arroz, sal, farinha de trigo – praticamente deixaram de fazer parte da minha rotina. Outra estratégia era pegar das prateleiras dos supermercados os alimentos que eu desconhecia ou que há muito tempo não consumia.

foto esquerda - antes do acompanhamento com profissionais foto direita - depois de perder 10k
foto esquerda – antes do acompanhamento com profissionais
foto direita : Depois do recomeço e perder 10k

Mas nenhuma estratégia funcionaria se eu não tivesse amigas que já se alimentavam de forma mais saudável e me inspiravam; se meus pais não mudassem o cardápio para me receber em suas casas e se meu marido não cozinhasse para nós, substituindo as batatas assadas pelos caldos de abóbora. Tenho a sorte de ter um Chef exclusivo.

Então, com todas essas mudanças meu desempenho numa meia maratona melhorou? Não! (risos). Neste ano decidi fazer a mesma prova, a Meia Maratona Internacional de São Paulo, mas me esqueci de trabalhar um quarto ponto fundamental nesse pilar das corridas de rua: a ansiedade.

Saí de casa apressada para chegar logo ao local da prova, o que prejudicou a minha alimentação. A grande vontade de correr e de concluir aqueles 21km de curvas e subidas que tinham me desafiado no ano anterior, me fez achar que uma banana com aveia era suficiente. E quem precisa de gel, não é mesmo? Mais uma vez, faltando cerca de 3km para finalizar, as minhas pernas pararam de me obedecer.

Essa nova frustração apenas comprovou que (ainda bem), sempre haverão novos erros e, assim, novas expectativas. É um ciclo.

Eu sigo na meta de, algum dia, terminar os 21 conseguindo controlar meu próprio corpo e como diria o meu pai “chegar descansada”!

Cross Run Taubaté 10k
Cross Run Taubaté 10k