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Desafio das Serras 80k – “Completa no quesito montanha” by Julio Fagundes

Atualmente existem vários meios de procurar provas e um site que eu utilizo para para buscar provas é o adventuremag.com e por meio deste elaboro meu calendário onde procuro realizar 2 provas longas por semestre, optei pelo Desafio por ser uma prova com percurso desafiador e ao mesmo tempo muito bonito, pela distância, altimetria acumulada e por ser uma prova de estágio o que faz com que todos os treinos e estratégias sejam diferente de uma prova longa normal.

O primeiro dia atendeu todas expectativas, com mais de 2500 m de altimetria acumulada, um primeiro down hill que fluiu perfeitamente, um segundo muito desafiador e perigoso mas que consegui finalizar sem nenhum acidente e o estradão que teve uma ajuda da chuva para refrescar no final . A alimentação e hidratação funcionaram bem assim como nos treinos onde eu consumi (1cap de sal+1 cap de BCAA) mais 1 rapadura nas horas impares e (1cap de sal+1 cap de BCAA )  mais 1 Gel nas horas pares. Finalizei o primeiro dia com 6:39h.

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Chegando no acampamento fiz um pouco de gelo rs* (entrei em um caixa d´agua bem gelada) e fiz massagem que acredito que ajudaram bastante para o segundo dia, a refeição estava boa mas acredito que aqueles que chegaram um pouco mais tarde não tiveram a mesma impressão pois alguns itens acabaram.

Dormi bem e acordei tranquilo para tomar um belo café da manhã e largar tranquilo no segundo dia de prova que esperava ser mais rápido e realmente foi, onde consegui manter o pace planejado nas retas, e nas subidas que não foram poucas como eu imaginava, eu acabei andando mas nada que interferi-se o planejado, com exceção de umas abelhas que picaram vários atletas inclusive eu e acabei por parar para ajudar um atleta e também tomar um antialérgico para não ter problemas, por minha sorte nada aconteceu e finalizei o segundo dia com 4:14, com uma sensação maravilhosa de dever comprido e realização por sentir que os treinos funcionaram, que tive um bom aproveitamento durante a prova e finalizei com um tempo muito melhor que eu imaginava.

Gostaria de ressaltar os treinos da Pace pois é a primeira vez nestes 5 anos que corro onde estou planilhando e já senti um resultado. Mudei fazem 2 meses para SP, no início tive receio com relação aos meus treinos mas a um pouco mais de um mês comecei a fazer um funcional excelente na Gaff Studio com apoio do professor Fábio Rocha que acredito também já ter me ajudado e com certeza ambos treinos serão de grande valia para as minhas próximas provas.

Para finalizar o Desafio foi um excelente prova com boa organização e completa no quesito MONTANHA e é uma prova que vale a pena fazer parte do calendário dos amantes do trailrun.

KTR Itamonte – Dura, difícil, mas renovadora

A penúltima etapa do ano, da KTR – Kailash Trail Run , foi realizada na cidade de Itamonte – MG.

Itamonte fica ao sul do Estado de Minas Gerais, fronteira com os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Situada na Serra da Mantiqueira.

Foi lá que aconteceu talvez o percurso mais bruto que já ocorreu na KTR! (relato de Chico Santos, e Gilliard).

Como para mim foi minha 1ª KTR, essa com certeza ficará para a história, de tão difícil que foi! E posso dizer que experiência em provas de montanha eu tenho. Já participei de muitas provas pequenas , e ainda tenho 3 maratonas e 1 ultra de 50k, que teve muita altimetria.

Mas essa etapa da KTR surpreendeu a todos!

No congresso técnico, que foi realizado na sexta, bem na praça da matriz, aonde também foi montada a estrutura para entregas de kit, já tivemos as surpresas.

Congresso Técnico
Congresso Técnico

Muito ganho de elevação para distâncias tão curtas. Na distância longa, que acabou sendo 26k, o desnível total da prova foi de quase 5000m.

Já na média  que foi de 21k, na qual me atrevi a fazer, foi de desnível total  de quase 2800m. E ainda teve a distância curta de 10k.

A largada da distância média, ocorreu às 9h de sábado, na pousada Refúgio Alto da Montanha, bem ao lado de uma bela cachoeira.

Dali largamos sentido montanha. Foram praticamente 7km de uma trilha cheia de arbustos, e na subida. A minha estratégia sempre foi me poupar ao máximo no início da prova, para da metade pra frente conseguir render mais.

Após essa subida teve a divisão do percurso médio, para o longo. E seguimos em frente rumo a outra trilha muito fechada, com muito cipó, que não dava para desenvolver.

Quando acho que teremos um alívio, o pior da prova está por vim. Uma trilha na beirada da montanha de muita, mas muitaaaa subida. Escalada e força . O jeito era ir agarrando as árvores, para que elas ajudassem a subir. Minha sorte que eu estava de luvas, senão tinha furado a mão. Fora isso, íamos escalando nas pedras. Foi muito duro! Desesperador!  A única solução era manter o foco, o ritmo, para tentar acabar rápido! Mas não acabava!

Teve quilômetro que fiz em 30minutos. Eu só sei que foram os 4Km mais duros que presenciei!

Quando consegui chegar ao 1º topo da montanha, com 2:52 de prova, e com apenas 11:300 percorridos, eu chorei! Ali consegui contemplar o visual, gravar um vídeo, agradecer e chorar. Foi muito insano!

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Após fazer minha primeira alimentação da prova. Segui para a 2ª parte.

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Não tão dura como a primeira, mas muito travada. Não dava para desenvolver! Correr nem pensar! Era um capim amarelo alto, cheio de armadilhas. Ali não tínhamos a visibilidade para correr, e um vacilo podia machucar.

Segui assim até o km 15:500, aonde tinha um ponto de água natural.

(A KTR, é uma prova de total auto-suficiência, não existe pcs para hidratação e alimentação, somos responsáveis por tudo isso).

A partir do km 15:500 deu para correr. Pegamos um pequeno estradão, seguido de trilha single track, para finalizar a prova no mesmo local da largada.

Fechei os 21k com 4:35:50, toda arranhada, suja, cansada.

Claro que chorei! Foi um desafio e tanto! E uma experiência sensacional! Dura, dolorida, difícil, mas renovadora.

Ano que vem volto para alguma etapa da KTR. Mas vou para o longo. Vamos ver o que acontece! O importante é  #nevergiveup.

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Desafio das Serras 40k-2° dia: Uma experiência ímpar!

Correr dois dias seguidos, sempre vai ser um desafio. Já tinha feito treinos que simulamos dois dias de prova, mas na hora é outra história, seu corpo pode responder diferente e seu desempenho mudar muito de um dia para o outro.

O segundo dia era predominante de descida e estrada de terra. Dada a largada eu e meu namorado saímos, cortamos algumas pessoas para tentar ficar um pouco mais a frente. O dia estava agradável, e não tão quente como no dia anterior. Corpo estava respondendo melhor, mas ainda teríamos dois trechos com subida, onde as pernas ainda iam sentir um pouco.

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2 dia. Foto: Henrique Boney

Primeiro trecho aproximadamente no 5k e depois um trecho mais longo por volta do 10k, onde passamos por um pasto e com uma vista incrível. No horizonte muitas montanhas, verde, vacas pelos pastos e as pernas queimando da subida.

Depois da última subida mais estrada de terra, nesse trecho nossa amiga Carmen já estava correndo conosco, passando por vários trechos em que ouvíamos o barulho de água corrente, correndo, conversando, aproveitando muito bem a prova.

Até que avistamos a cidade, e estamos bem próximos a linha de chegada, mais um pouco de estrada, asfalto e logo entramos na rua da praça onde nos levava até o pórtico de chegada; uma leva acelerada no ritmo e chegamos os 3 juntos no segundo dia desse super evento!

Fiquei muito feliz por ter me sentido melhor no segundo dia, e por toda experiência compartilhada nesses dois dias. O segundo dia foi bem proveitoso e cruzar a linha de chegada com pessoas queridas é muito bom.

Uma desafio que antes chegou parecer muito difícil de concluir, algo distante e num piscar de olhos tudo aconteceu, de forma rápida e intensa. Logo depois de cruzar a linha de chegada o sentimento de felicidade tomou conta de mim. Fotos, bate papo, planos para a prova do próximo ano (sorriso largo).

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Valeu cada minuto dessa experiência ímpar e todos os aprendizados que ela trouxe, porque com certeza é uma prova que marca todos aqueles que participam e deixa um gosto de quero mais.

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Xterra Ilhabela: Beleza e desafio andam juntos

Ilhabela, cidade charmosa e rapidamente me conquistou… uma das cidades do litoral norte que ficam próximo onde moro e acreditem, não conhecia a cidade até pouco tempo atrás.

Comecei a freqüentar mais a cidade depois que comecei a correr, principalmente quando migrei para as corridas de montanha, fui várias vezes para treinar e então participar de provas.

Esse final de semana retornei a cidade para participar do Xterra, segunda prova do ano na ilha, a primeira foi o night run. Ano passado participei dessa mesma prova, fazendo então meus primeiros 21k de montanha.

Saí com meu namorado de São José dos Campos – SP sexta a noite, viagem tranqüila até chegar na balsa e ficar cerca de duas horas esperando para atravessar para a ilha. Depois da espera chegamos na casa onde ficamos hospedados, e com menos de 4 horas de sono antes da prova. Sábado cedo, levantamos, nos arrumamos e fomos para a largada.

Como sempre linda paisagem, um percurso com bastante sobe e desce, passando por meio de bairros e trilhas, bastante trechos com paralelepípedos e as trilhas muito boas para correr, também teve uma pequena travessia de rio que foi feita sobre as pedras.

Prova bem sinalizada, muito legal principalmente para quem está migrando das ruas para a montanha e não tem muita experiência. Quatro postos de hidratação durante o percurso e água fresca, o que é essencial afinal estava muito calor, úmido e a hidratação precisa de atenção redobrada.

Um pouco antes do km15 senti um mal estar devido ao calor e diminui um pouco meu ritmo para me recuperar e continuar bem a prova. Corri junto com meu namorado, ou melhor, ele correu comigo (risos), afinal ainda falta um pouco para correr no ritmo dele. Fizemos a prova como um treino de luxo para uma outra prova que vamos nesse final de semana e que vamos participar na categoria dupla mista.

Tenho que confessar que ainda tenho um pouco de dificuldade de correr em dupla, porque sempre acho que estou segurando a outra pessoa, e ele tem paciência viu..porque inúmeras vezes falei para ir na frente e ele disse não.

E falando em casal, essa foi uma prova que vi muitos casais correndo juntos, de todas as idades, bem bacana presenciar cenas assim e ver o incentivo um como outro.

E falando em incentivo, como dupla um ajuda o outro, no meu caso acho que ele me ajuda mais (mais risos), ele consegue mexer com meu psicológico muito bem. Faltando uns 2k para terminar a prova, sol rachando, cansaço batendo ele diz: “Agora não pode para mais”

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Todos nós já temos uma competição interna com nós mesmo que nos move, principalmente nos momentos que estamos mais cansados ou com dor, mas toda vez que ele diz algo como: não pode parar…tem que subir correndo… Não sei dizer, mas mexe com algo mais profundo, uma competição ainda mais acirrada comigo mesma começa.

Na hora sofro um pouco, mas depois vejo como me ajuda a perceber o quanto posso ir em frente e o poder que a minha mente tem sobre isso.

No final terminei a prova feliz, e com certeza irei voltar em outras etapas. Ilhabela já está no coração, e correr nesse lugar é muito bom!

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KTR Serra Fina 2016 – 53km O Desafio

Estava faltando ainda alguns dias para a prova mas a ansiedade já tomava conta, já tinha revisado o regulamento, separado tudo que iria levar para a prova; até a estratégia já estava pronta apenas esperando chegar sábado e encarar a prova. Finalmente chegou a sexta-feira (15/04), junto com meu parceiro de treino e prova Paulo Pizzigati, partimos de São José dos Campos – SP rumo a cidade de Passa Quatro – MG onde seria realizado a prova; a retirada do kit e o congresso técnico foram no Hotel Recanto das Hortência.

O congresso técnico para mim é de fundamental importância, pois é nesta hora que o diretor técnico irá passar todas as características da prova e os avisos, estava literalmente entupido o salão de corredores, dava gosto de ver tantas pessoas juntas para algo tão magnífico. Mas nem tudo são flores, devido alguns problemas com órgãos ambientais, o percurso precisou ser alterado e nós do longo iríamos correr 53km com um desnível de mais de 3200 positivo. Como era a minha primeira prova longa, bateu um desespero e não consegui para de pensar, porque eu inventei de correr justamente essa prova, mas depois de um tempo coloquei a cabeça no lugar, fui para a pousada, arrumei a mochila de hidratação e cama.

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Companheiros Paulo e Julio.

Mesmo com grande ansiedade consegui dormir bem, acordamos as 4:30 da manhã, tomamos um bom café da manhã e partimos para a Pousada Pedra da Mina onde seria realizado a largada da prova ás 6:45, éramos mais de 150 atletas no longo, uma energia incrível, checagem de equipamentos e partimos para a prova. Teríamos 12 horas para completar o percurso com 2 pontos de corte, o primeiro no cume da pedra da mina no km 21 ao meio dia e o segundo no km 34 na base da segunda subida as três da tarde.

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Começo de prova.

Imprimi um ritmo bom no começo pois passaríamos por pastos e um longo período de estrada de terra antes que iniciar o single track que iria levar ao cume, já na trilha com mais de 18km e aproximadamente 3 horas de prova a subida mostrou o seu valor e correr era impossível; fazendo um pace em alguns pontos de mais de 22 minutos o quilometro, mas o objetivo era passar o corte, cheguei ao cume da prova com mais de quatro horas e meia de prova, hidratei me alimentei e iniciei a descida que seria pelo mesmo caminho da subida, terreno muito técnico mas consegui imprimir um bom ritmo e seguir na prova rumo ao segundo corte, o calor já mostrava-se um desafio a mais para todos os atletas.

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Inicio da segunda subida.

Com sete horas de prova passei pelo segundo corte e iniciei a subida para o campo do muro que seria a segunda e ultima montanha da prova, uma subida difícil tanto pelo terreno e pelo cansaço, encontramos atletas do percurso médio que faziam o campo do muro no sentido contrário dando incentivo o que dava um força extra, mas mesmo assim o corpo pediu um tempo e devido ao mal estar parei por 20 minutos na primeira sombra que encontrei, fiquei deitado tentando encontra um resposta para o que poderia ter acontecido, mas coloquei a cabeça no lugar, comi novamente mesmo não estando com o estomago 100%, me hidratei e tomei um remédio para a dor de cabeça que já me acompanhava, levantei e junto com mais 4 atletas buscamos o cume.

Nada melhor que depois de mais de 9 horas de prova ver um staff dizer: so falta 10km e é descida, vamos que dá tempo. Ali o mal estar sumiu, uma alegria surgiu e com um visual deslumbrante comecei a descida só buscando a chegada, consegui um ritmo forte e constante, passei alguns atletas mas não acabava a prova, foram 4 staff em 20 minutos falando só falta 5 km, os mais longos da minha vida.

Com 11h de prova eu ouvi a Fabi locutora do evento e ai a emoção bateu forte, faltavam poucos metros, sorriso estampado no rosto e na cabeça a certeza de dever cumprido, recebo o incentivo do pessoal e amigos que estavam a minha espera. Cruzo com 11h e 5 mim a prova mais bruta de montanha do Brasil.

Um pouco do que foi essa grande aventura.

 

O diferencial da KTR Serra Fina

Mal tinha acabado o ano de 2015 e eu já buscava montar um calendário para este ano, com um grande desafio em mente, aumentar a distância e encarar as provas longas de montanha de 40 a 60km. Devido ao tempo de preparo ser maior e mais árduo em relação as provas de 21km, escolhi a KTR – Kailash Trail Run Serra Fina em abril para ter tempo suficiente de preparar o corpo e a mente; com treinos tanto no asfalto, para ganhar rodagem e principalmente com treinos em montanha, onde busco me familiarizar com a altitude, clima e terrenos variados e adquirir confiança para na prova poder ter um bom ritmo, exercícios específicos de fortalecimento e uma boa dieta.

Algo que acho importante ressaltar é que cada pessoa tem características específicas no trail, eu por exemplo, tenho um bom ritmo de subida e uma descida em terrenos mais técnicos veloz, e no plano um ritmo bom. Com isso busco provas que tenha uma pegada mais casca grossa, com muita altimetria e bastante single track, que são provas de dificuldade moderada e avançada onde passamos por região poucos exploradas e com paisagens incríveis, tornando assim cada prova uma aventura sem igual.

A KTR Serra Fina me conquistou em 2015, quando corri os 16k; ali finalmente tive a oportunidade de encarar uma montanha de respeito e ter a certeza que escolhi o esporte certo, e com a certeza de voltar este ano. Como a organização alterou as distâncias que eram 8k, 16k e 26k para 10k, 24k e 45km e meu objetivo era as provas longas, não tinha jeito, era encarar aos 45km e conhecer a Pedra da Mina, quinto maior cume do Brasil, que seria o cume a ser alcançado este ano.

E essa prova tem algo a mais que as outras provas de trail,e por isso em 2015 foi eleita pela Go To Trail como a melhor prova de montanha no Brasil. A essência da KTR é ser uma prova única, que consegue trazer um percurso duro, bem técnico, bruto de verdade e ao mesmo tempo o mais belo, com paisagens que se não fosse a corrida, ficaríamos horas contemplando e o resultado é visível no olhar de cada atleta, quando alcança o cume e principalmente quando cruza a linha de chegada, uma emoção de poder ter vivido essa aventura, e de ser um vencedor independente do resultado.