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Correr, acampar e trocar experiências

O Desafio das Serras é uma prova em que não temos apoio de hidratação durante o percurso, então temos que planejar bem e levar tudo que for necessário em quesito hidratação e suplementação para durante a prova.

Alguns itens que levei comigo para a prova.
Alguns itens que levei comigo para a prova.

O percurso estava muito bem marcado nos dois dias, e foi fácil nos orientarmos entre as trilhas.

Após a chegada do primeiro dia, fomos retirar nossa mala e levar até nossa barraca, onde cada participante tinha devidamente seu lugar. As barracas estavam todas identificadas com nosso número de peito.

As duplas dividem a mesma barraca, e a parte engraçada é eu e meu namorado dividindo a mesma barraca, afinal não somos tão pequenos assim, pés quase para fora, além de deixar a mala dentro da barraca (rindo alto). Mas nós demos um jeito que a mala ficasse “funcional” dentro da barraca.

Acampamento #3 onde nossa barraca estava. Foto: Henrique Boney
Acampamento #3 onde nossa barraca estava. Foto: Henrique Boney

Foi uma experiência incrível, e lógico que para batizar a primeira vez acampando, choveu!! E choveu bastaste durante a tarde, umas duas horas depois que tínhamos terminado a prova, já tinha tomado banho, e uma sopa para esperar o jantar.

Durante o jantar música ao vivo, muito bate papo, fogueira, e vídeo com fotos do primeiro dia de prova. Tudo bem organizado e com uma estrutura muito boa.

sábado a noite, fogueira. Foto: Claudia Hoff
sábado a noite, fogueira. Foto: Claudia Hoff

Fomos dormir cedo para descansar, e também porque no dia seguinte iríamos levantar cedo. A noite ventou muito, acordei várias vezes, mas logo dormia de novo. No outro dia cedo, arrumamos a mala e levamos para despachar novamente; e fomos para o café da manhã.

Sol saindo tímido, pessoal já na agitação, e as largadas iriam ocorrer com uma pequena diferença de tempo. Os 80k largaram um pouco mais cedo. A parte interessante de um evento como esse é o networking que promove, reencontra amigos, conhece novas pessoas, troca experiências sobre a prova, conta histórias.

E o segundo dia não tinha nem começado ainda!!

Desafio das Serras 40k – 1° dia : Começa a aventura

Ano passado foi a primeira vez que ouvi falar sobre o Desafio das Serras, cogitei a possibilidade de participar mas por N motivos acabei não participando do evento, mas fui para acompanhar e esperar meu namorado que correu os 80k. Ele simplesmente adorou a experiência e disse que esse ano teríamos que fazer a prova.

Confesso que esse ano eu comecei animada para ir, mas depois me questionei inúmeras vezes se deveria fazer a prova. Meu namorado me convidou para fazer dupla mista com ele na prova, ou seja, correríamos dois dias um ao lado do outro, e teríamos que cruzar a linha de chegada juntos.

Treinamos juntos várias vezes, e eu questionei inúmeras vezes também, o fato dele querer correr comigo, afinal ele corre mais que eu, e sempre eu escutava dele: “Porque eu quero correr com você”… “Se quisesse ir por causa de tempo iria sozinho”…. “É seu primeiro Desafio das Serras e quero estar com você”… e eu tentando trabalhar o meu psicológico nesse tempo. Passaram se os treinos e chegou o dia.

A aventura já começa na hora de fazer uma única mala para os dois, com saco de dormir, isolante térmico entre outros, e na hora de fechar a mala…risos!! Fomos a São Francisco Xavier –SP na sexta a noite retirar nosso kit e despachar a mala para o acampamento. Sábado levantamos cedo e fomos para São Francisco junto com nossa amiga Carmen. Tudo pronto, e largamos para o primeiro dia, 20k com muita subida.

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Início primeiro dia. Foto: Henrique Boney

Já conhecíamos metade do percurso do primeiro dia, e já tínhamos treinado por lá, então sabíamos o que estava por vir em partes. Estava bem quente, e sofri com o calor, meu desempenho não estava como nos treinos e lógico o psicológico pegou. Meu namorado falando comigo, perguntando se estava bem, e dando dicas para que eu controlasse melhor minha respiração, afinal acabei ficando “nervosa” como diz ele, e isso reflete diretamente em como respiro. Existi uma cobrança muito grande que tenho comigo mesma, ainda mais quando corro com alguém, e nesse caso não podia falar para ele ir na frente e me deixar. A sensação que tenho é que estou prendendo a pessoa, muitas coisas a ser trabalhado ainda nesse ponto. E o pior e que sabia que em algum momento da prova isso ia pegar, e foi logo no começo.

subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi
subida trilha rumo ao mirante. Foto: Geraldo Pestalozzi

São Francisco sempre com lindas paisagens, passamos por vários pontos com água, trechos que pareciam bosques, além que cair umas duas vezes (risos). E como correr na montanha tem companheirismo durante o percurso, meu namorado foi animando alguns pessoas que iam parando no caminho, achando que o cume ainda estava longe, e também oferecemos ajuda aqueles que não estavam passando bem.

Depois de uma longa, longa subida começou o trecho de quase 7k de descida e estrada que nos levou até a chegada do primeiro dia e acampamento. Faltando pouco para chegar, da estrada vimos as barracas e também escutamos a música que vinha do acampamento, e deu aquele gás para dar chegar. Saímos da estrada, e última subidinha que terminava bem na linha de chegada.

Concluído o primeiro dia de Desafio, um ao lado do outro e com certeza com mais aprendizados.

Sorriso no rosto, amigos nos esperando, e ainda tinha muita coisa para vivenciar nesse final de semana que estava só começando.

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Chegada primeiro dia. Foto: Carmen Romanillos

Xterra Ilhabela: Beleza e desafio andam juntos

Ilhabela, cidade charmosa e rapidamente me conquistou… uma das cidades do litoral norte que ficam próximo onde moro e acreditem, não conhecia a cidade até pouco tempo atrás.

Comecei a freqüentar mais a cidade depois que comecei a correr, principalmente quando migrei para as corridas de montanha, fui várias vezes para treinar e então participar de provas.

Esse final de semana retornei a cidade para participar do Xterra, segunda prova do ano na ilha, a primeira foi o night run. Ano passado participei dessa mesma prova, fazendo então meus primeiros 21k de montanha.

Saí com meu namorado de São José dos Campos – SP sexta a noite, viagem tranqüila até chegar na balsa e ficar cerca de duas horas esperando para atravessar para a ilha. Depois da espera chegamos na casa onde ficamos hospedados, e com menos de 4 horas de sono antes da prova. Sábado cedo, levantamos, nos arrumamos e fomos para a largada.

Como sempre linda paisagem, um percurso com bastante sobe e desce, passando por meio de bairros e trilhas, bastante trechos com paralelepípedos e as trilhas muito boas para correr, também teve uma pequena travessia de rio que foi feita sobre as pedras.

Prova bem sinalizada, muito legal principalmente para quem está migrando das ruas para a montanha e não tem muita experiência. Quatro postos de hidratação durante o percurso e água fresca, o que é essencial afinal estava muito calor, úmido e a hidratação precisa de atenção redobrada.

Um pouco antes do km15 senti um mal estar devido ao calor e diminui um pouco meu ritmo para me recuperar e continuar bem a prova. Corri junto com meu namorado, ou melhor, ele correu comigo (risos), afinal ainda falta um pouco para correr no ritmo dele. Fizemos a prova como um treino de luxo para uma outra prova que vamos nesse final de semana e que vamos participar na categoria dupla mista.

Tenho que confessar que ainda tenho um pouco de dificuldade de correr em dupla, porque sempre acho que estou segurando a outra pessoa, e ele tem paciência viu..porque inúmeras vezes falei para ir na frente e ele disse não.

E falando em casal, essa foi uma prova que vi muitos casais correndo juntos, de todas as idades, bem bacana presenciar cenas assim e ver o incentivo um como outro.

E falando em incentivo, como dupla um ajuda o outro, no meu caso acho que ele me ajuda mais (mais risos), ele consegue mexer com meu psicológico muito bem. Faltando uns 2k para terminar a prova, sol rachando, cansaço batendo ele diz: “Agora não pode para mais”

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Todos nós já temos uma competição interna com nós mesmo que nos move, principalmente nos momentos que estamos mais cansados ou com dor, mas toda vez que ele diz algo como: não pode parar…tem que subir correndo… Não sei dizer, mas mexe com algo mais profundo, uma competição ainda mais acirrada comigo mesma começa.

Na hora sofro um pouco, mas depois vejo como me ajuda a perceber o quanto posso ir em frente e o poder que a minha mente tem sobre isso.

No final terminei a prova feliz, e com certeza irei voltar em outras etapas. Ilhabela já está no coração, e correr nesse lugar é muito bom!

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A HIDRATAÇÃO EM ATIVIDADES DE LONGA DURAÇÃO

Todos nós sabemos da importância de manter nosso corpo bem hidratado nos treinos e provas de longa duração, mas será que estamos fazendo tudo certo? Será que a quantidade de líquido, ou o que bebemos está sendo suficiente para podermos ter o melhor desempenho? Ou a nossa performance sempre sofre um decréscimo devido a falta de uma correta hidratação?

Atletas que correm grandes distâncias e/ou por longos períodos necessariamente necessitam de reposição de líquidos, eletrólitos e carboidratos. Somente a água não vai conseguir repor o que seu organismo vai precisar.

A necessidade de líquidos é dependente de variáveis individuais e ambientais, e sua estratégia de hidratação deve ser sempre individualizada.

Apesar de parecer o contrário, a necessidade de hidratação é muito maior em ambientes úmidos do que em ambientes secos , assim como correr em ambientes abertos ou fechados (correr na rua X correr na esteira)

#Hidratação Pré Exercício

A ingestão de 400 a 600 ml de liquido, 2 a 3 horas antes do exercício diminuem os efeitos prejudiciais da desidratação durante o exercício. Algumas pessoas relatam dificuldade de ingerir essa quantidade tão perto de um treino/prova. Caso isso ocorra com você, procure manter uma melhor hidratação no dia anterior do treino e tente ingerir o máximo que conseguir no dia.

#Hidratação durante exercício

É comum começarmos a ingerir os líquidos somente quando começamos a sentir sede, porém , esta não é a melhor estratégia a se adotar. O ideal é iniciar assim que começamos a atividade. A ingestão de líquidos deve ser a feita a cada 15-20 minutos, volume de 150 a 300 ml, em média. O sódio deve estar presente em atividades de longa duração, com 500 a 700mg de sódio por litro. Carboidratos também devem estar presentes na proporção de 30 a 60 gramas por hora.

O uso de bebidas esportivas, com presença de carboidratos na proporção de 6 a 8% é recomendada.

É muito comum encontrarmos nas corridas de endurance pontos de hidratação com presença de refrigerantes. Eles contém uma quantidade maior de carboidratos(10 a 12%) e estão gaseificadas, o que pode provocar desconforto gastrointestinal. Mas, sugiro que converse com seu nutricionista/treinador sobre o que a bebida nesse momento pode te provocar sob o ponto de vista psicológico, é comum escutar relatos de corredores que após horas correndo, dariam tudo por um copo gelado de refrigerante! Fazer uma diluição com 1/3 de água e retirar o gás pode ser uma alternativa.

#Hidratação pós exercício

A água sozinha não é a melhor forma de hidratar o organismo nesse momento. Deve-se ingerir cerca de 150% de líquido em relação ao peso perdido. Vamos supor que a diferença entre o seu peso antes de iniciar a corrida e após o término seja , por exemplo , de 2 kg. A quantidade de liquido deve ser de 3 litros para repor as perdas, preferencialmente nas 6 horas seguintes. A bebida deve conter necessariamente sódio.

Matéria escrita pela nutricionista Lúcia Akamine Gomes

 

Maratona dos Perdidos: lidando com as adversidades

Chegamos no aeroporto de Guarulhos algumas horas antes do vôo, a ansiedade era grande e o tempo passava muito rápido, pra piorar o voo atrasou 40 minutos, mas finalmente embarcamos, e o que era um pânico se tranquilizou, até que curti a experiência e logo já estávamos pousando em Curitiba, fomos para retirada do kit, muito tranquilo devido ao horário e praticamente só estávamos nós; com número na mão teria o restante do dia e toda a sexta para descansar e estar pronto para a prova.

O clima era agradável, sol , pouco vento e poucas nuvens, pude descansar bem, fiquei hospedado a menos de 13 km da largada o que a principio iria facilitar muito as coisas, na sexta a tarde fomos para o local da largada para ver como estava os preparativos e quanto tempo levaríamos da casa até a fazenda de onde iriamos largar, após isso retornamos a casa.

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Arena.

Mochila pronta, devidamente alimentado e na cama as 21h  já que iriamos levantar as 3 manhã para terminar os preparativos e tomar um bom café para a largada as 6h, tudo caminhava bem quando no fim da noite acordei com barulho de trovões, um dilúvio caiu sobre tijucas, e permaneceu toda a madrugada, mas já era previsto e mesmo assim continuamos os preparativos e saímos no horário, mas com menos de 500 metros de estrada nos deparamos com o trânsito parado devido ao um acidente com uma carreta a frente, a preocupação e a frustração tomaram conta e logo pensei que tudo estava perdido, mas após uma hora parado voltamos a andar e chegamos na largada as 6:40.

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Unica foto antes da prova.

Para o meu alivio a largada ocorreu as 6:37 e mesmo largando em último embaixo de chuva estava a menos de 10 minutos do pelotão e após percorrer 3 quilômetros de subidas sentido perdidos, me deparo com uma staff que me abordou e me comunicou  que iria ter uma relargada e todos iriam retornar a base, novamente uma sensação de desapontamento por nada estar indo como planejado, e após algum tempo que todos já retornaram a base recebemos o comunicado que a prova estava cancelada devido ao excesso de chuva que fez os rios ficarem intransponíveis e a subida ao Araçatuba perigosa próximo ao cume.

Minutos depois da largada dos 105k na noite de sexta feira.

A sensação de desapontamento e frustração minha e de outros atletas era evidente mas todos no fundo sabíamos que essa decisão foi para a nossa segurança, e que realmente cruzar um rio com mais de 2 metros de profundidade sem corda já que o volume engoliu a corda seria muito perigoso e a organização tomou a atitude  correta.

Não se pode lutar contra a natureza, temos que respeitar para podermos depois usufruir.

Agora é pensar no próximo desafio, mesmo perdendo vamos dizer assim o valor da inscrição e gastos da viagem, voltar para casa bem não tem preço e ainda pude viver a experiência de voar pela primeira vez , levarei os bons momentos e aprenderei com as adversidades, até a próxima aventura.

 

O aprendizado é continuo: 45k Maratona dos Perdidos

Nem sempre as coisas saem como planejamos!

Ah…As expectativas, nós sempre criamos, e quanto mais altas, mais acabamos nos decepcionando!

A tão esperada e preparada prova, não aconteceu!

Qual o sentimento? Frustada! Chateada!

Motivo? Poderiam ter sido inúmeros, ter sido cortada no tempo de corte no meio da prova, desistência, lesão.. Mas dessa fez foi por motivos de força da natureza!

Noite anterior, sexta 15/07 ás 22h uma chuva forte e intensa começou a cair… Relâmpagos! Horário da largada dos 105k…

Choveu a noite inteira, sem parar.. Intenso!

Levantei, me arrumei e parti junto com meus amigos para a largada dos 45k. Um pouco antes de sair da pousada, ficamos sabendo que havia um acidente na estrada e estava parada!

Sim, pegamos trânsito! Estrada parada! Ficamos parados pelo menos uma meia hora… Sabíamos que não éramos os únicos parados na estrada devido ao acidente, estava até que tranqüila! Mas depois que liberou o trânsito novamente, a ansiedade chegou forte… Chegamos com quase uma hora de atraso após a largada!

Ainda estava escuro, frio e chovendo!

Minutos após largada 45k- muita chuva
Minutos após largada 105k- muita chuva

Ficamos sabendo que a largada teve um atraso, aconteceu por volta das  6h37e ainda podíamos largar se quiséssemos!

Logo quando chegamos, o ponto que discutíamos era o tempo de prova, já que nas condições de muita chuva nosso deslocamento seria mais lento que o previsto e se chegássemos a completar, terminaríamos tarde!

Mas foi questão de 5 minutos para decidir se iríamos mesmo ou não, recebemos a notícia de que não poderíamos mais largar devido as condições climáticas!

De nosso grupo 3 de nossos amigos largaram, mas conseguiram ir apenas até o 3km e a staff pediu o retorno deles por medida de segurança.

Por fim a organização cancelou a prova, decidiu reunir os atletas que haviam largado por medidas de segurança!

Confesso que é uma grande frustração se preparar tanto para uma prova e não correr, fiquei bem chateada, pensativa… Meus olhos encheram de lágrimas várias vezes, senti um nó na garganta!

A preparação, os treinos fazem parte e continuam, você não perde o que adquiriu até o momento, você já evoluiu fisicamente e até mentalmente, afinal os treinos não foram fáceis, o que mais sinto e não conseguir colocar em prova, e saber o quanto seria capaz! Demorou algumas horas para aceitar!!

Os primeiros 45k não aconteceu! Ainda não! Talvez ainda não era o momento! Mas não faltou vontade, foram outros motivos que impediram!

Sexta-feira, 15/07, dia anterior ao da prova!
Sexta-feira, 15/07, dia anterior ao da prova!

Mas também vale o aprendizado, as expectativas que criamos em volta de algo que desejamos tanto, como lidamos com as situações que não saem como planejado!

A organização agiu pensando na segurança e bem estar dos atletas e não está errada, afinal queremos que todos cheguem bem após uma prova. E dentro disso fica também o apredizado sobre a natureza, com a montanha não se brinca!! Segurança em primeiro lugar!! Temos que ver até onde é seguro começar ou continuar uma prova; quando as condições já não são mais seguras! Quem manda é a montanha, respeite e ela sempre te deixa voltar! Nesse dia ela não queria ninguém se aventutando em seu território!!

Agora é refletir sobre os sentimentos que ficaram e focar em um próximo objetivo! O aprendizado é continuo!!

 

 

O que te move para o próximo desafio?

Ao decidir ir para uma prova que foge completamente de tudo o que você já fez até então, bate um frio na barriga em inúmeros momentos. Desde o momento em que você perceber que fez a inscrição, depois durante o treinamento principalmente quando começa a ficar mais específico e depois quando falta poucos dias para a prova.
Quando me inscrevi para a Maratona dos Perdidos já sabia que não seria uma prova fácil, que precisaria de muitos meses de dedicação e comprometimento nos treinamentos para que quando chegasse a tão esperada data eu conseguisse alcançar meu objetivo e me sentindo bem.
Junto comigo um grupo de amigos também resolveu encarar o desafio e nos preparamos por vários meses, tanto com treinamentos nas rua, como na montanha e também fortalecimento muscular.
Durante vários treinos, tanto de rua e principalmente de montanha eu me questionei se iria conseguir terminar a prova e se estava me preparando o suficiente. Fiquei doente algumas vezes nesses período, dores de estômago, início de pneumonia,; que por alguns dias me tiraram do treinamento, me deixaram frustrada e triste por não poder treinar e lógico batia a insegurança de estar falhando com algo nos meus treinos.
Quando os treinos ficam mais intensos e longos a ficha começa a cair, que sim, eu estou me preparando para uma maratona, e sim é difícil! E você se questiona por inúmeras vezes do porque estar fazendo aquilo, e o que te mantém firme nos treinos e ir em busca desse objetivo. No meu caso é provar para mim mesma que eu sou capaz!
Por muitas vezes sempre me questionei sobre a minha própria capacidade, na persistência mental e física. Ver nos treinos a própria evolução de tempo e resistência nas longas horas de treinos nas montanhas, vai aos poucos te tornando mais forte. Pra mim durante a prova da Maratona dos Perdidos vou estar em um longo processo de conhecimento sobre mim mesma, tanto fisicamente como mentalmente, e ao cruzar a linha de chegada terei a certeza que de sou capaz, e que estou me conhecendo mais um pouco.

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Há duas semanas atrás tivemos nosso último treino específico em montanha em Campos do Jordão, não foi um trecho longo mas sim com bastante inclinação. O mesmo trecho que em janeiro fiz uma única vez, sofrendo e bem lento. Agora 6 meses depois retornei e fiz o mesmo trecho 4 vezes e bem mais rápido. Feliz? Sim, com certeza! Nunca imaginei que iria fazer aquilo de novo repetidas vezes e tão mais rápido. Confiante para a prova? Não! Impressionante como a nossa mente tem um poder tão grande sobre nós, seria para eu estar confiante após esse treino, afinal estou bem mais forte que em janeiro, mas não fiquei.
Talvez porque eu saiba que a prova será muito mais difícil que isso, porém uma certeza eu tenho, lá o meu maior desafio mais que o físico, será a minha mente.

Enquanto você lê esse texto, eu estou correndo e me conhecendo mais um pouco. E você? O que te move para o próximo desafio?

Mais um desafio se aproxima.

Não fazem 3 meses que corri a KTR Serra Fina 50k, e o próximo desafio praticamente já chegou, nessa quinta dia 14/07 embarco para Curitiba para o segundo desafio do ano, a Ultramaratona dos Perdidos serão 45k com 2900 metros de desnível positivo, a prova será realizada dia 16/07 em Tijucas do Sul, largaremos as 6 da manhã e teremos 11 horas para completar o percurso.

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Uma prova muito técnica, praticamente sem retas, ou você está subindo ou descendo, diferente da KTR a prova contará com 4 pontos de apoio com suprimentos, banheiro e socorrista ao longo do percurso. Haverá um corte no quilometro 22 na qual teremos 5:30h para passar por este ponto e poder buscar a chegada dentro das 11 horas. Seremos 350 atletas nos 45k nessa empreitada, atletas profissionais, amadores e iniciantes buscando um único objetivo.

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Altimetria 45k

E a preparação não parou depois da KTR e sim foi intensificada, após me recuperar da prova voltei com força total aos treinos, muito mais confiante e com a certeza de que ainda poderia melhorar bem o meu corpo para Perdidos. Com uma planilha mais casca grossa, a maioria dos treinos foram em montanha, com longas distâncias, grande duração, subidas e descidas técnicas, novos testes de alimentação e vestuário e boas horas de trekking, afinal na Corrida de Montanha também andamos, principalmente em subidas intermináveis mas com recompensas incríveis, tenho a certeza de estar preparado para dar o meu melhor.

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Foto por Tatiana de Cássia

O frio na barriga já começou, mas por motivos diferentes ao da  Serra Fina. Optei por ir de avião para poder chegar mais descansado para a prova e poder curtir um pouco mais a viagem, e como será o meu primeiro vôo já viu né, tensão; mas com a certeza de que este será o primeiro de muitos. Outro fator que está me deixando mais ansioso é a questão do tempo, ainda não sabemos se irá chover ou não, e devido as baixas temperaturas e o vento, chegar preparado e com a certeza que estou devidamente equipado para a prova é de fundamental importância.

Estaremos cobrindo todo o evento, fiquem ligados em nossas redes sociais. Retirada do kit, concentração dos atletas, arena e muito mais você acompanha aqui na Runnermax e ainda teremos uma grande matéria pós prova com nossos colaboradores e atletas convidados mostrando na íntegra como foi essa aventura nas terras paranaenses.

 

Se tem corrida, tem desafio!!

Quem diria que um dia eu iria correr meus primeiros 9k, e ainda seriam em trilhas, morros, muitos buracos, no escuro e sim eu tenho um pouco de medo. Mas eu precisava vencer meus medos e encarar esse desafio.

Com a ajuda da assessoria desde janeiro comecei meus treinos com mais disciplina, indo duas vezes por semana e quando conseguia eu ia aos finais de semana também.

A prova foi em um sábado à noite, e eu troquei o sábado com amigos para me aventurar no meio terra, estava uma noite gostosa, porém fria. Cheguei um pouco antes da largada, peguei meu kit, fiz meu aquecimento e fui para a largada.

Logo de cara um morro pra encarar, então eu economizei um pouco de energia e subi caminhando forte, tirava o atraso nas descidas e nas retas.

A prova toda teve muitos buracos, descidas e subidas estreitas, algumas partes com areia fofa ou lama eu tive um pouco de dificuldade, porém fiz no meu tempo e nos meus limites, o lugar era todo escuro com mato para os lados e um céu lindo que não dava pra ficar admirando muito se não eu caia por conta das descidas e subidas emburacadas. Metade da prova eu fiz sozinha, sentia um pouco de medo, mas seguia em frente e sempre pensando que estava acabando, em alguns pontos tinham staff que sinalizavam para onde seguir, nos avisavam se tinha descida ou subida logo á frente e nos diziam palavras de motivações, também tinha pontos de hidratação, porém eu levei minha mochila de hidratação e não parei nos pontos.

A corrida foi gostosa, diferente de tudo pra mim e completar ela com tantos desafios foi sensacional, pra mim foi só o começo!!!

Que venham os novos desafios.

Relato de Paola Cruz